Razer BlackShark V3 X HyperSpeed PS5 vs um Open Space

Durante duas semanas, usei-o para tudo.

Os AirPods ainda passam por discretos, são pequenos e quase invisíveis. Já um Razer BlackShark V3 X HyperSpeed na edição branca, a versão pensada para a PS5, não se escondem de ninguém. Isto para dizer que nas últimas semanas os AirPods foram para a gaveta, assumi este headset na cabeça e usei-o para tudo, reuniões, chamadas, música, e ainda teve direito a uma temporada na PS5 do escritório.

Razer BlackShark V3 X HyperSpeed PS5

Tipo Headset gaming sem fios, over-ear, fechado
Drivers Razer TriForce de 50 mm (2ª geração)
Resposta em frequência 12 Hz – 28 kHz
Impedância 32 Ω (1 kHz)
Sensibilidade 106 dBSPL/mW (1 kHz)
Som surround THX Spatial Audio
Microfone Boom destacável, padrão cardioide HyperClear, cápsula de 9,9 mm
Ligação sem fios Razer HyperSpeed 2,4 GHz (recetor USB-C) e Bluetooth 5.3
Ligação com fios USB-C, USB-A e jack de 3,5 mm
Latência mínima (2,4 GHz) 25 ms
Autonomia Até 48 horas em consola, até 70 horas em PC, 6 horas de utilização a partir de 15 minutos de carregamento
Peso 270 g
Construção Almofadas em espuma viscoelástica com tecido híbrido, arco ajustável
Compatibilidade PS4/PS5, PC, Mac, Switch, Steam Deck

Design e conforto: 270 gramas que se esquecem

O desenho não se disfarça num produto destes. Com aquela silhueta que lembra os auscultadores dos pilotos e o microfone de haste, não engana ninguém. Fui piloto, gamer que se enganou no edifício e alvo constante da pergunta da praxe: “Então, hoje é para jogar ou para trabalhar?”. As bocas duravam até à primeira reunião, quando me ouviam do outro lado e acabavam por ter de ceder à qualidade do microfone. Pelo menos à evidência de que soava melhor do que eles.

E se visualmente há um compromisso evidente, o conforto é um descanso e um dos tradicionais pontos fortes dos BlackShark. A Razer anuncia cerca de 270 g. Depois de uma manhã de reuniões seguidas, é daqueles headsets que nos esquecemos que temos na cabeça, ao ponto de quase sair para almoçar com ele ao pescoço.

As almofadas são de espuma com memória, revestidas a tecido e pele sintética, e fecham bem à volta da orelha sem apertar demasiado. Com o ar condicionado do escritório a fazer o seu trabalho, o calor nas orelhas nunca foi tema. Num agosto sem AC, a conversa pode ser outra.

Os controlos estão todos nas conchas, volume, silenciar o microfone, SmartSwitch e uma rodinha de sidetone, de que falo mais à frente. Quanto ao branco, é bonito e combina bem com a PS5 (e pelos vistos, com secretárias minimalistas). Só tem um senão, é branco, o que significa que quem o usar todos os dias vai querer um paninho por perto.

Spotify, passos e o open space lá fora

Os drivers TriForce 50 mm de segunda geração são o coração disto e portam-se muito bem fora dos jogos. Em música há graves com corpo sem abafar o resto, e as vozes ficam limpas, o que nas chamadas conta muito.

Por ser um headset fechado, isola razoavelmente bem a conversa dos vizinhos de secretária. Não há cancelamento ativo de ruído (isso fica para o irmão mais caro, o BlackShark V3 Pro), mas com música a volume normal o open space passa a ruído de fundo.

Como temos uma PS5 no escritório, que é afinal o habitat natural dele, deixei-o lá à disposição da malta para as pausas de jogo. Foi das decisões mais aplaudidas destas duas semanas, e ligado à consola pelo dongle aproveita o áudio 3D Tempest da PS5.

No PC, o surround 7.1 e o equalizador dependem do Razer Synapse, só para Windows. Num portátil de trabalho nem sempre convém instalar software extra, por isso usei-o quase sempre em modo plug and play, e não senti falta.

Microfone: aprovado em reunião

O microfone HyperClear de 9,9 mm é cardioide, ou seja, apanha sobretudo o que está à frente dele. Em linguagem de escritório a minha voz, e bastante menos o colega duas secretárias ao lado a explicar um bug ao telefone. Nas reuniões de Teams ninguém me pediu para repetir nada, o que num open space é uma vitória.

É amovível e isso dá jeito. Fora das reuniões tiro-o e o headset passa a parecer uns auscultadores normais (bem, quase).

A rodinha de sidetone, debaixo da concha direita, foi o pormenor que mais agradeci. Deixa-me ouvir a minha própria voz nas chamadas e evita aquele efeito de falar alto demais que os headsets fechados costumam provocar. Os colegas também agradecem.

Ligação e bateria: um dongle, um telemóvel e um botão

A versão PlayStation liga-se de duas formas, por 2,4 GHz HyperSpeed, através do dongle USB, e por Bluetooth 5.3. No escritório o esquema ficou simples, dongle no portátil para as reuniões, Bluetooth no telemóvel para as chamadas que aparecem sempre na pior altura.

Para saltar de um para o outro usa-se o botão SmartSwitch. O que falta é áudio simultâneo, se o telemóvel tocar a meio de uma reunião no portátil, é preciso trocar à mão.

A bateria é daquelas coisas em que se deixa de pensar. A Razer fala em até 70 horas no PC e até 48 horas na consola, e em duas semanas de uso diário carreguei-o poucas vezes. Para emergências, 15 minutos de carga por USB-C dão cerca de 6 horas, que chegam para uma manhã inteira de reuniões.

Conclusão

O BlackShark V3 X HyperSpeed White Edition foi feito para a PS5 e para quem joga a sério, mas passou duas semanas num open space sem qualquer crise de identidade. É leve, aguenta horas na cabeça sem queixas, tem um microfone que se porta bem em reuniões e uma bateria que quase dispensa o carregador.

Ficam a faltar o cancelamento ativo de ruído e o áudio simultâneo entre dongle e Bluetooth, e o surround 7.1 no PC obriga ao Synapse. Por cerca de 120 €, é difícil pedir muito mais.

Os AirPods vão voltar a sair da gaveta, mas o salto valeu a pena: mais do que um colega pediu para o experimentar, e nenhum o devolveu com pressa.

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