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Abstenção

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Em Política, abstenção é o ato de se negar ou se eximir de fazer opções políticas. Abster-se do processo político é visto como uma forma de participação passiva. Também importante de referir que a abstenção eleitoral é uma atitude aceita por muitos anarquistas e muitas vezes condenada por alguns democratas.

Tipos de Abstenção

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Na maior parte das Democracias, existem duas formas de manifestar-se a abstenção:

  • não-presencial: o eleitor expressa a abstenção ausentando-se do instrumento de votação.
  • presencial: o eleitor utiliza o instrumento de votação para expressar a atitude abstencionista. Em Portugal e no Brasil, por exemplo, o voto nulo e o voto em branco podem incluir decisão abstencionista para além de outras manifestações de pensamento.

Uma forma de diferenciar os dois tipos de abstenção, é recorrendo a uma analogia às sondagens de opinião, em que a abstenção não-presencial corresponde ao "Não quer responder" e abstenção presencial ao "Outra resposta/Não sabe/Não responde".

Causas comuns da Abstenção

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A abstenção pode ser resultante de uma ou várias razões em baixo enunciadas:

  • Estruturais e de dificultada resolução:
    • Desagrado pelo sistema de votação e/ou modelo de Democracia vigentes.
    • Não-identidade com nenhum programa dos partidos ou em candidatos à Presidência da República.
    • Forma de protesto contra alguma lei ou leis que originam descontentamento populacional, que em muitos casos está associado a boicotes eleitorais.
    • Qualidade das campanhas eleitorais: clima de violência verbal , arremesso partidário ou de carácter, e debates em que haja descontextualização ao âmbito das eleições
  • Externas e de média/fácil resolução:
    • Falta de esclarecimento eleitoral (mais concretamente: informação sobre programas, regras eleitorais, dados pormenorizados sobre candidatos, apresentação ampla de resultados centralizado e qualquer outra legislação de contexto politico). As comissões de eleições, tais como a CNE institucionalizada em Portugal, têm a função de intervir neste âmbito que muito obstante se negligencia por completo.
    • Barreiras sociais de acesso ao voto (inexistência de novas tecnologias de votação: internet e telefone, incapacidade seja no custeamento da deslocação ou na mobilidade ao local de voto).
    • Desigualdade colossal na exposição de partidos e candidatos à PR nos Mídia (normalmente presente em regimes totalitários, e sistemas bipartidaristas).
    • Divulgação de sondagens em tempo de campanha as quais originam ou ênfase ou desistência na participação. O voto útil, normalmente constatado em sistemas bipartidaristas.
    • Falhas de ordem técnica nos instrumentos de votação (por exemplo, nas eleições Presidenciais de 2011 em Portugal, muitos eleitores ficaram impedidos de votar porque o website com o número de eleitor dos cidadãos esteve inoperacional durante o dia de votação).
    • Erro na contagem de eleitores nos cadernos eleitorais (os chamados "eleitores fantasma").
    • Recandidatura de mesmos candidatos


Censura à Abstenção

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Têm vindo a ser recorrente a prática de desresponsabilizar a mesma taça de abstenção - quer seja por comentadores em media publica, seja por políticos - não apresentando dados de resultados eleitorais em site centralizado. Discursos redutores que apelam ao desprezo e minimização do impacto de abstenção obtida são muitas das vezes estigmatizantes e/ou culpabilizantes.

Abstenção, Obrigatoriedade de Voto e Prospecção da Democracia

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Muitos defensores da "obrigatoriedade de voto" têm uma visão simplista crendo que desta forma assegura-se a resolução da problemática da abstenção. Com efeito, a obrigação de voto origina outro problema - o voto inconsciente . Para todos os efeitos, para que se conquiste uma Democracia mais participativa é impreterivelmente necessário garantir o seu aprofundamento a todos os níveis eliminando todos os obstáculos atrás enunciados.

Ao contrário do que acontece em Portugal e na generalidade de muitos outros países, no Brasil ao não se votar os eleitores são prejudicados amplamente seja termos monetários (por aplicação de multa) seja no impedimento a concursos de emprego estaduais. Defensores deste "Voto Compulsório", admitem que seja a melhor forma de alertar a consciência dos deveres de cidadãos na participação em sociedade. Inversamente, muitos outros politólogos consideram esta obrigatoriedade desconexa com a abrangência do sentido democrático, porque ao invés de auscultar os eleitores e as razões que os movem para o desinteresse de participação cívica, prefere-se penalizar, de certa forma ditatorialmente, quem não vota. Ou seja, alega-se que é um contrassenso extremamente corrosivo dentro da própria Democracia, que invés de a tornar apelativa aos cidadãos - mediante tão mecanismos diversos que passam por exemplo por simples alteração de boletins a fim de permitir que eleitores expressem razões de sua não-participação - transfigura os verdadeiros comportamentos eleitorais sem interceder introspectivamente sobre o problema da abstenção.

Citações sobre Abstenção

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"A abstenção é um fenómeno muito importante. E ela é importante porque representa uma forma funcional de desigualdade política e, participação desigual significa influência desigual, na medida em que acarreta importantes consequências para quem é eleito e para o conteúdo das políticas públicas."

"Sobre a abstenção voluntária é preciso reflectir, disse o dirigente social-democrata, e recorda que é uma tendência quando os eleitores são chamados a reeleger um Presidente, como já aconteceu com Mário Soares e Jorge Sampaio."

"A esses que estão indecisos, digo que a abstenção não é uma escolha, mas uma desistência(...)"

Evolução da Abstenção (não-presencial) em Portugal

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Nota: Esta tabela não inclui a abstenção presencial (votos brancos/nulos). Apenas representa a abstenção não-presencial segundo valores oficiais avançados pela CNE

ANOEleições LegislativasEleições AutárquicasEleições PresidenciaisEleições EuropeiasEleições Regionais Referendo Nacional
Açores Madeira
19758,34%
197616,47%35,34%24,53% 32,49%[1] 25,20%[2]
197917,13%28,26%
198016,06%15,61% 22,98%[3] 19,15%[4]
198228,95%
198322,21%
1984 37,65%[5] 28,57%[6]
198525,84%36,98%
198624,62% (primeira volta)
22,01% (segunda volta)
23,31% (valor médio)
198728,43%27,58%
1988 41,15%[7] 32,35%[8]
198939,14%48,90%
199132,22%37,84%
1992 37,85%[9] 33,70%[10]
199336,57%
199460,07%
199533,70%
199633,71% 40,84%[11] 34,74%[12]
199739,90%
1998 68,10%[13] (aborto)
51,88%[14] (regionalização)
199938,91%60,07%[15]
2000 46,70%[16] 30,09%[17]
200139,88%50,29%
200238,52%
200461,40% 44,77%[18] 39,53%[19]
200535,74%39,06%
200638,47%
2007 39,25%[20] 56,43%[21]
2008 53,34%[22]
200940,32%40,97%63,22%
201141,93%53.48% 45,62%[23]
2012 52,14%[24]
201347,40%
2014 66,10%
201544,14% 50,42%[25]
2016 51,33% 59,15%[26]
2017 45,03%
2019 51,40%[27] 69,25%[28] 44,50%[29]
2020 54,59%[30]

Referências

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  1. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores 1976». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  2. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira 1976». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  3. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores 1980». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  4. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira 1980». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  5. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores 1984». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  6. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira 1984». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  7. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores 1988». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  8. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira 1988». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  9. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores 1992». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  10. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira 1992». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  11. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores 1996». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  12. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira 1996». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  13. ↑ «Referendo Nacional 1998». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  14. ↑ «Referendo Nacional 1998». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  15. ↑ «Eleições para o Parlamento Europeu 1999». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  16. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores 2000». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  17. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira 2000». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  18. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira 2004». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  19. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira 2004». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  20. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira 2007». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  21. ↑ «Referendo Nacional 2007». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  22. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores 2008». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  23. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira 2011». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  24. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores 2012». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  25. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira 2015». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  26. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores 2016». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  27. ↑ «Eleições para a Assembleia da República 2019». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  28. ↑ «Eleições para o Parlamento Europeu 2019». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  29. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira 2019». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 27 de outubro de 2019
  30. ↑ «Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores 2020». Comissão Nacional de Eleições. Consultado em 20 de novembro de 2020

Ligações externas

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