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Rio Atuba

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Rio Atuba
Montante do Rio Atuba nos arredores do Parque Histórico da Vilinha em Curitiba.
Comprimento28 km
NascenteColombo
FozRio Iguaçu
Área da bacia127±1 km²
Região hidrográficaParaná
CidadeAlmirante Tamandaré, Colombo, Curitiba e Pinhais

Rio Atuba é um curso de água paranaense localizado na Região Metropolitana de Curitiba, onde é responsável por limitar fisicamente a capital, Almirante Tamandaré, Colombo e Pinhais. Tem suas nascentes situadas no território colombense e seu curso principal, com cerca de 28 km de extensão,[1] percorre os quatro municípios no sentido norte-sul até confluir com o Rio Iraí, com quem contribui diretamente para a formação do Rio Iguaçu nas proximidades do km 77 da BR-277.[2][3] É, também, um elemento importante para as histórias curitibana e pinhaiense, haja vista que os primeiros assentamentos coloniais portugueses, datados de 1649, floresceram na divisa entre estes dois municípios (nos bairros Bairro Alto e Emiliano Perneta), nos arredores do atual Parque Histórico da Vilinha.[4][5]

A sub-bacia hidrográfica do Rio Atuba integra a Bacia do Alto Rio Iguaçu e compreende uma área de 127±1 km²,[2][6] entre as coordenadas sul 25°17’/25°30’ e oeste 49°17’/49°10', cujo relevo é caracterizado pela presença de morros e colinas arredondadas-alongadas intercaladas, nas porções meridionais, por planícies aluviais;[7] em geral, a altitude de seu terreno varia entre 870 e 1 100 metros acima do nível do mar.[6] Com relação à sua geologia, a região setentrional (mananciais) apresenta afloramentos rochosos metadolomíticos, filitos, xistos e quartzitos do Grupo Capiru, unidade metassedimentar Neoproterozoica componente do Grupo Açungui;[6][8][9] a zona central inclui o Complexo Atuba, embasamento cristalino constituído, sobretudo, por gnaisses bandadas e migmatitos formados no Paleoproterozoico (2000±200 Ma) e remigmatizados no Neoproterozoico (600±20 Ma);[10] nas porções ao sul, prosperam os depósitos sedimentares Cenozoicos de argilas, caliches e areias arcoseanas da Formação Guabirotuba, bem como os depósitos aluvionares recentes (Holoceno) composto por siltes, argilas e cascalhos.[11] O sistema de drenagem do Rio Atuba varia conforme a geomorfologia local: padrão retangular e treliça na região de morros (Grupo Capiru), sub-dendrítico, sub-retangular e paralelo na de colinas com topos planos ou alongados (Complexo Atuba e Formação Guabirotuba) e paralelo nas planícies aluvionares correspondentes à sua foz.[7] Em seu sistema hierárquico, são elencados 301 canais de 1ª a 5ª ordem que totalizam 382 km.[7]

O Rio Atuba apresenta um alto grau de degradação ocasionado pela poluição e pelo despejo irregular de esgotos domésticos associados ao desmatamento da vegetação ciliar e, consequentemente, ao assoreamento de seu leito, fazendo com que suas águas não sejam utilizadas para captação e abastecimento.[2] De acordo com análises de qualidade da água realizadas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) entre 2005 e 2009, 83% e 92% das amostras coletadas nas estações AI55 e AI08, respectivamente, enquadraram o rio na categoria "Poluído" ou Classe 4, com uma média da Avaliação Integrada da Qualidade da Água (AIQA) de 0,97 e 0,96;[2] entre 2013 e 2018, para a estação AI138, ele esteve na mesma categoria em 85% das amostragens e uma AIQA média de 0,95.[12] Valores semelhantes foram verificados desde 1992.[13] Por sua vez, conforme a metodologia adotada pelo Instituto Água e Terra (IAT), 63% das análises obtidas a partir da estação AI138 entre 2016 e 2025 definiram o Rio Atuba como “Razoável” ou Classe 4 e um Índice de Qualidade da Água (IQA) médio de 53.[14]

Além das mobilizações regulares de limpeza e macrodrenagem exercidas pelas prefeituras locais, o projeto Ecobarreira, desenvolvido pelo ativista e influencer ambiental Diego Saldanha em Colombo, auxilia desde 2017 na contenção de lixos sólidos carregados pela correnteza do rio através de um sistema de barreira flutuante;[5][15][16] desde o início de sua operação até 2025, 30 toneladas de resíduos foram removidas.[16][17] O projeto vem sido aprimorado e concedeu ao seu idealizador o Prêmio Hugo Werneck em 2023 na categoria Melhor Exemplo de Iniciativa Individual,[18] bem como os títulos de Vulto Emérito e Cidadão Honorário pela Câmara Municipal de Curitiba em 2024,[19] além de ser replicado nos municípios paraenses de Benevides e Belém em decorrência da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30).[16]

Referências

  1. ↑ CH2M HILL (dezembro de 2002). «Relatório Final - Volume 7: Subsídios técnicos e econômicos» (PDF). Plano Diretor de drenagem para a Bacia do Rio Iguaçu na Região Metropolitana de Curitiba (Relatório técnico). Curitiba: Instituto Água e Terra (IAT). p. 3. 73 páginas. Consultado em 20 de outubro de 2026
  2. 1 2 3 4 Instituto Ambiental do Paraná (IAP) (2009). Monitoramento da qualidade das águas dos rios da Bacia do Alto Iguaçu, na Região Metropolitana de Curitiba de 2005 a 2009 (PDF) (Relatório). Curitiba: IAT. p. 47. 107 páginas. Consultado em 20 de outubro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 22 de abril de 2026
  3. ↑ «Passagem de pedestres abaixo da ponte do Rio Iguaçu, no km 77 da BR-277, será fechada». Bem Paraná. 25 de março de 2026. Consultado em 20 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 27 de março de 2026
  4. ↑ Fenianos, Eduardo (19 de abril de 2023). «A primeira povoação na região de Curritiba aconteceu às margens do Rio Atuba #12». CBN Curitiba. Consultado em 20 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 12 de setembro de 2024
  5. 1 2 Kowalski, Rodolfo Luis (27 de julho de 2023). «Rio histórico de Curitiba ganha nova ecobarreira, capaz de reter uma tonelada de lixo por mês». Bem Paraná. Consultado em 20 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 8 de maio de 2026
  6. 1 2 3 Iatzaki, Barbara; Castro, Luís G. de; Lima, Renato E. de. «Influência das modificações antrópicas em áreas propensas a inundações na Bacia do Rio Atuba (PR)». 28/08/2026. Geologia USP Série Científica. 26 (3): 109–122. Consultado em 20 de outubro de 2026
  7. 1 2 3 Nunes, F.G; Ribeiro, N.C.; Fiori, A.P. (2006). Propriedades morfométricas e aspectos físicos da Bacia Hidrográfica do Rio Atuba: Curitiba-Paraná (PDF). VI Simpósio Nacional de Geomorfologia. Consultado em 20 de outubro de 2026
  8. ↑ Guimarães, Sandra B.; Reis Neto, José M.; Siqueira, Rossano B.L. (2002). «Caracterização dos estromatólitos da Formação Capiru (Proterozoico) nas regiões Morro Azul e Morro Grande: Leste do Paraná». Boletim Paranaense de Geociências (51): 77–88. Consultado em 20 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 12 de setembro de 2024
  9. ↑ Fiori, A.P.; Gaspar, L.A. (1993). «Considerações sobre a estratigrafia do Grupo Açungui (Proterozóico Superior), Paraná, sul do Brasil». Boletim IG-USP. Série Científica. 24: 1–19. Consultado em 20 de outubro de 2026
  10. ↑ Siga Júnior, O.; Basei, M. A.; Reis Neto, J. M.; Machiavelli, A.; Harara, O. M. (1995). «O complexo Atuba: um cinturão paleoproterozóico intensamente retrabalhado no Neoproterozóico». Boletim IG-USP. Série Científica. 26: 69–98. Consultado em 20 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 10 de março de 2026
  11. ↑ Salamuni, Eduardo; Salamuni, Riad; Ebert, Hans D. (1999). «Contribuição à geologia da Bacia Sedimentar de Curitiba (PR)». Editora UFPR. Boletim Paranaense de Geociências (47): 123–142. Consultado em 20 de outubro de 2026
  12. ↑ Instituto Ambiental do Paraná (IAP) (2019). Qualidade das Águas: rios da bacia do Alto Iguaçu, na Região Metropolitana de Curitiba (2010 a 2018) (PDF) (Relatório). Curitiba: IAT. 87 páginas. Consultado em 20 de outubro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 12 de julho de 2026
  13. ↑ Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC); Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos (COBRAPE) (2012). «Tomo 4 - Caracterizações e Medidas de Controle Estruturais» (PDF). Plano Diretor de Drenagem Urbana de Curitiba (Relatório técnico). Curitiba: Prefeitura de Curitiba. 219 páginas. Consultado em 20 de outubro de 2026
  14. ↑ Instituto Água e Terra (IAT) (2026). Qualidade das Águas Superficiais das Bacias Hidrográficas do Estado do Paraná (2016 a 2025) (PDF) (Relatório). IAT. 228 páginas. Consultado em 20 de outubro de 2026
  15. ↑ Lemos, Vinícius (17 de julho de 2019). «Vendedor cria barreira ecológica para retirar lixo e salvar rio em que aprendeu a nadar na infância». BBC News Brasil. Consultado em 20 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 8 de maio de 2026
  16. 1 2 3 Silva, Ana F. (30 de setembro de 2025). «Paranaense que iniciou sozinho projeto para limpar rio que passava nos fundos de casa tem ideia replicada no Pará e ganha destaque na COP30». G1. Consultado em 20 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2025
  17. ↑ Kowalski, Rodolfo Luis (31 de agosto de 2025). «Ecobarreira: criada em Curitiba há 10 anos, solução chega ao Pará para a COP30». Bem Paraná. Consultado em 20 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 1 de setembro de 2025
  18. ↑ Castro, Giovamna (19 de janeiro de 2024). «Conheça a história do vendedor de frutas que, sozinho, criou um projeto para despoluir um rio». Estadão. Consultado em 20 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 5 de abril de 2025
  19. ↑ Martins, João C. (9 de abril de 2024). «Câmara de Curitiba concede o título de Vulto Emérito a Diego Saldanha». Câmara de Curitiba. Consultado em 20 de outubro de 2026