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The Guardian

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Para outros significados, veja The Guardian (desambiguação).
The Guardian
PeriodicidadeDiário
FormatoStandard (1821–2005)
Berlinense (2005–2018)
Tabloide (desde 2018)
SedeKings Place, Londres
PaísReino Unido
Fundação5 de maio de 1821 (205 anos)
Fundador(es)John Edward Taylor
ProprietárioGuardian Media Group
EditoraGuardian Media Group
Editor-chefeKatharine Viner
Orientação políticaCentro-esquerda[1][2][3]
IdiomaInglês
Circulação105.134
Publicações irmãsThe Observer (1993–2025)
The Guardian Weekly
ISSN0261-3077
OCLCOCLC 60623878
Websitetheguardian.com

The Guardian é um jornal diário britânico. Foi fundado em Manchester em 1821 como The Manchester Guardian e adotou o nome atual em 1959,[4] antes de transferir sua operação para Londres. Com o periódico irmão The Guardian Weekly, integra o Guardian Media Group, pertencente à Scott Trust Limited.[5] O truste foi criado em 1936 para "garantir para sempre a independência financeira e editorial do The Guardian e proteger a liberdade jornalística e os valores liberais do The Guardian contra interferência comercial ou política".[6] Em 2008, o truste foi transformado em uma sociedade limitada cuja constituição procurou manter as mesmas salvaguardas concebidas pelos criadores do Scott Trust. Os lucros são reinvestidos no jornalismo do grupo, em vez de distribuídos a proprietários ou acionistas.[6] O jornal é um dos periódicos de referência do Reino Unido.[7][8]

A editora-chefe Katharine Viner sucedeu Alan Rusbridger em 2015.[9][10] Desde 2018, as principais seções da edição impressa são publicadas em formato tabloide. Em julho de 2021, último mês para o qual os números foram divulgados, a tiragem diária da edição impressa era de 105.134 exemplares.[11] O jornal também é publicado na internet, com edições para o Reino Unido, Estados Unidos, lançada em 2011, Austrália, lançada em 2013, Europa e uma edição internacional.[12] O site possui seções dedicadas a Mundo, Europa, Estados Unidos, Américas, Ásia, Austrália, Oriente Médio, África, Nova Zelândia,[13] Desigualdade e Desenvolvimento Global. A edição impressa sai de segunda-feira a sábado. Entre 1993 e 2025, The Observer foi seu periódico irmão aos domingos.

Seus leitores se concentram, em geral, na esquerda dominante do espectro político britânico.[14][15] Em uma pesquisa da Ipsos MORI de setembro de 2018 sobre a confiança do público em veículos específicos na internet, The Guardian obteve a maior pontuação entre as marcas de notícias digitais, com 84% de seus leitores concordando que "confiam no que [veem] nele".[16] Um relatório de dezembro de 2018 sobre uma pesquisa da Publishers Audience Measurement Company apontou a edição impressa do jornal como a de maior confiança no Reino Unido entre outubro de 2017 e setembro de 2018. O jornal também foi o mais lido entre as chamadas marcas britânicas de notícias de qualidade, contando as edições digitais. O grupo incluía ainda The Times, The Daily Telegraph, The Independent e i. Embora a circulação impressa do The Guardian estivesse em queda, o relatório calculou que suas notícias, incluindo as publicadas na internet, alcançavam mais de 23 milhões de adultos britânicos por mês.[17]

Entre os furos jornalísticos do periódico esteve o escândalo de grampos telefônicos da News International, revelado em 2011, em especial a invasão do telefone de Milly Dowler, adolescente inglesa assassinada.[18] A investigação levou ao fechamento do News of the World, então o jornal dominical de maior venda do Reino Unido e um dos periódicos de maior circulação da história.[19] Em junho de 2013, The Guardian publicou a revelação sobre a coleta secreta, pelo governo de Barack Obama, de registros telefônicos da Verizon,[20] e depois revelou a existência do programa de vigilância PRISM a partir de documentos fornecidos pelo denunciante e ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden.[21] Em 2016, o jornal liderou uma investigação sobre os Panama Papers, que expôs as relações do então primeiro-ministro David Cameron com contas bancárias offshore. Foi escolhido quatro vezes como "jornal do ano" nos British Press Awards, a mais recente em 2023.[22]

História

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De 1821 a 1972

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Primeiros anos

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Prospecto do Manchester Guardian, 1821

The Manchester Guardian foi fundado em Manchester em 1821 pelo comerciante de algodão John Edward Taylor, com o apoio do Little Circle, um grupo de empresários protestantes não conformistas.[23] O primeiro número saiu em 5 de maio de 1821, por coincidência no dia da morte de Napoleão, depois que a polícia fechou o mais radical Manchester Observer, jornal que apoiara os manifestantes do massacre de Peterloo.[24] Taylor era hostil aos reformistas radicais. Escreveu: "Eles apelaram não à razão, mas às paixões e ao sofrimento de seus compatriotas enganados e crédulos, de cuja indústria mal recompensada extraem para si os meios de uma existência abundante e confortável. Eles não labutam nem fiam, mas vivem melhor do que aqueles que o fazem."[25] Quando o governo fechou o Manchester Observer, os defensores dos proprietários das fábricas ficaram em posição dominante.[26]

O jornalista Jeremiah Garnett juntou-se a Taylor na criação do jornal, e todos os integrantes do Little Circle escreveram artigos para a nova publicação.[27] O prospecto anunciava que o jornal "defenderia zelosamente os princípios da liberdade civil e religiosa [...] apoiaria calorosamente a causa da reforma [...] procuraria auxiliar na difusão de princípios justos de economia política e [...] apoiaria, sem referência ao partido de que partissem, todas as medidas úteis".[28] Em 1825, fundiu-se com o British Volunteer e passou a chamar-se The Manchester Guardian and British Volunteer, nome usado até 1828.[29]

O jornal operário Manchester and Salford Advertiser chamou o Manchester Guardian de "a prostituta imunda e o parasita sujo da pior parcela dos proprietários de fábricas".[30] O Manchester Guardian costumava rejeitar as reivindicações trabalhistas. A respeito do projeto de lei das dez horas de 1832, questionou, diante da concorrência estrangeira, se "a aprovação de uma lei que decretasse positivamente a destruição gradual da manufatura de algodão neste reino seria um procedimento muito menos racional".[31] O jornal tratava as greves como obra de agitadores externos: "se for possível chegar a um acordo, a ocupação dos agentes do sindicato acaba. Eles vivem da discórdia [...]".[32]

Em março de 2023, uma análise acadêmica encomendada pelo Scott Trust concluiu que John Edward Taylor e nove de seus onze financiadores tinham relações com o comércio atlântico de escravizados por meio de seus interesses na indústria têxtil de Manchester.[33]

Escravidão e Guerra Civil Americana

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O jornal se opunha à escravidão e defendia o livre-comércio. Um editorial de 1823 sobre a persistente "crueldade e injustiça" contra pessoas escravizadas nas Índias Ocidentais, anos depois da proibição britânica do tráfico em 1807, pedia equilíbrio entre os interesses e reivindicações dos proprietários e os de seus escravizados oprimidos.[34] Recebeu favoravelmente a Lei de Abolição da Escravatura de 1833 e aceitou o aumento da indenização aos proprietários, porque "a culpa pela escravidão recai muito mais sobre a nação" do que sobre indivíduos. O êxito da lei, escreveu, estimularia a emancipação em outros países escravistas e evitaria "o risco iminente de um desfecho violento e sangrento".[35] O jornal, porém, era contrário a restrições comerciais contra países que ainda não haviam abolido a escravidão.[36]

Nos Estados Unidos, a questão produziu tensões na linha editorial.[37] Quando o abolicionista George Thompson percorreu o país, o jornal escreveu que "[a] escravidão é um mal monstruoso, mas a guerra civil não é um mal menor. Não procuraríamos abolir nem mesmo a primeira sob o risco iminente da segunda". Defendeu que os Estados Unidos indenizassem os proprietários pela libertação das pessoas escravizadas[38] e pediu ao presidente Franklin Pierce que solucionasse a "guerra civil" de 1856, o saque de Lawrence, provocado por leis pró-escravidão impostas pelo Congresso.[39]

Em 1860, The Observer reproduziu uma notícia que dizia que o recém-eleito presidente Abraham Lincoln se opunha à abolição da escravidão.[40] Em 13 de maio de 1861, pouco depois do início da Guerra Civil Americana, o Manchester Guardian retratou os estados do Norte principalmente como responsáveis por impor um pesado monopólio comercial à Confederação. O jornal argumentava que, se o Sul pudesse comerciar diretamente com a Europa, "não estaria distante o dia em que a própria escravidão cessaria". Perguntou, por isso: "Por que o Sul deveria ser impedido de libertar-se da escravidão?"[41] William Ewart Gladstone, dirigente do Partido Liberal, também defendia essa perspectiva.[42]

Estátua de Abraham Lincoln em Manchester, com trechos da carta dos trabalhadores e da resposta de Lincoln na base

A Guerra Civil dividiu a opinião britânica, inclusive dentro dos partidos políticos, e o Manchester Guardian também oscilou. O jornal apoiara outros movimentos de independência e entendia que deveria defender também o direito de autodeterminação da Confederação. Criticou a Proclamação de Emancipação de Lincoln por não libertar todos os escravizados dos Estados Unidos.[42] Em 10 de outubro de 1862, escreveu: "É impossível lançar qualquer censura sobre um homem tão evidentemente sincero e bem-intencionado como o sr. Lincoln, mas também é impossível não sentir que foi um dia ruim para os Estados Unidos e para o mundo quando ele foi escolhido presidente dos Estados Unidos."[43] O bloqueio da União já provocava sofrimento em cidades britânicas dependentes do algodão. Liverpool, entre outros lugares, apoiava a Confederação, assim como "a opinião dominante em todas as classes" em Londres. Em 31 de dezembro de 1862, trabalhadores do algodão reuniram-se no Free Trade Hall, em Manchester, e aprovaram uma resolução declarando "repulsa à escravidão dos negros na América e à tentativa dos proprietários rebeldes de escravos do Sul de organizar, no grande continente americano, uma nação cuja base fosse a escravidão". Na reunião, afirmou-se ainda que "um editorial do Manchester Guardian tentara dissuadir os trabalhadores de se reunirem com tal propósito". O jornal publicou a notícia e a carta dos trabalhadores a Lincoln,[44] enquanto reclamava que "a principal ocupação, se não o principal objetivo da reunião, parece ter sido atacar o Manchester Guardian".[43] Lincoln respondeu agradecendo aos trabalhadores por seu "sublime heroísmo cristão", e navios americanos levaram suprimentos de auxílio à Grã-Bretanha.[44]

O jornal registrou o choque causado na comunidade pelo assassinato de Lincoln em 1865 e encerrou sua narrativa dizendo que "[a] despedida de sua família do presidente moribundo é triste demais para ser descrita".[45] Em um editorial que passou a ser visto como mal avaliado, escreveu: "[d]e seu governo nunca poderemos falar senão como uma sequência de atos repugnantes a qualquer verdadeira noção de direito constitucional e liberdade humana", acrescentando que "sem dúvida é lamentável que ele não tenha tido a oportunidade de provar suas boas intenções".[42]

Martin Kettle escreveu no The Guardian, em fevereiro de 2011, que o jornal sempre odiara a escravidão, mas duvidava que a União a odiasse no mesmo grau. Para Kettle, o periódico entendia que a União havia tolerado tacitamente a escravidão ao proteger os estados escravistas do Sul de uma condenação que mereciam, criticava a proclamação de Lincoln por não repudiar inteiramente a escravidão no país e censurava o presidente por sua disposição de negociar com o Sul enquanto a escravidão permanecia em discussão.[42]

C. P. Scott

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C. P. Scott em 1919

C. P. Scott levou o jornal a um público nacional. Foi editor por 57 anos, a partir de 1872, e tornou-se proprietário em 1907, ao comprar o periódico do espólio do filho de Taylor. Sob Scott, a linha editorial moderada tornou-se mais radical. O jornal apoiou William Gladstone quando os liberais se dividiram em 1886 e se opôs à Segunda Guerra dos Bôeres, em desacordo com a opinião popular.[46] Scott apoiava o sufrágio feminino, mas criticava as ações diretas das sufragistas.[47] "A posição realmente ridícula é que o sr. Lloyd George luta para conceder o voto a sete milhões de mulheres e as militantes quebram as janelas de pessoas inocentes e interrompem reuniões de sociedades beneficentes em uma tentativa desesperada de impedi-lo." Scott considerava a "coragem e dedicação" das sufragistas "dignas de uma causa melhor e de uma liderança mais sensata".[48] Sua crítica foi interpretada como expressão de um desprezo então difundido por mulheres que "transgrediam as expectativas de gênero da sociedade eduardiana".[47]

Scott encarregou J. M. Synge e o amigo dele, Jack Yeats, de produzir textos e desenhos sobre as condições sociais do oeste da Irlanda. O material saiu em 1911 no volume Travels in Wicklow, West Kerry and Connemara.[49]

A amizade de Scott com Chaim Weizmann teve participação no processo que levou à Declaração Balfour. Em 1948, The Manchester Guardian apoiou o recém-criado Estado de Israel.[50]

A propriedade do jornal passou em junho de 1936 ao Scott Trust, batizado em homenagem ao último proprietário, John Russell Scott, que foi o primeiro presidente do truste. A mudança assegurou a independência do periódico.[51][6]

De 1930 a 1967, uma cópia especial de arquivo de todos os números diários foi guardada em 700 caixas de zinco. Elas foram encontradas em 1988, quando os arquivos do jornal foram depositados na John Rylands University Library, da Universidade de Manchester, no campus de Oxford Road. A primeira caixa continha os jornais publicados em agosto de 1930 em estado impecável. O encanador do jornal fabricava uma caixa por mês para que os exemplares fossem guardados. As outras 699 não foram abertas e voltaram para o depósito na garagem do The Guardian, porque faltava espaço na biblioteca.[52]

Guerra Civil Espanhola

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Tradicionalmente próximo do Partido Liberal, de centro a centro-esquerda, e sustentado por uma base de leitores não conformistas no norte da Inglaterra, o jornal ganhou circulação nacional e respeito entre setores da esquerda durante a Guerra Civil Espanhola, de 1936 a 1939. George Orwell escreveu em Homenagem à Catalunha, de 1938: "Entre nossos jornais maiores, o Manchester Guardian é o único que me deixa com maior respeito por sua honestidade".[53] Ao lado do liberal News Chronicle, do Daily Herald, próximo ao Partido Trabalhista, do comunista Daily Worker e de jornais semanais e dominicais, apoiou o governo republicano contra os nacionalistas insurgentes do general Francisco Franco.[54]

Pós-guerra

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A. P. Wadsworth, então editor do jornal, detestava o dirigente da esquerda trabalhista Aneurin Bevan, que em um discurso falara em livrar-se da "praga Tory" e dos "pregadores do ódio de seu séquito". O jornal incentivou seus leitores a votar nos conservadores na eleição geral de 1951 e a retirar do poder o governo trabalhista de Clement Attlee.[55]

The Manchester Guardian opôs-se com firmeza à intervenção militar durante a Crise de Suez de 1956: "O ultimato anglo-francês ao Egito é um ato de insensatez, sem justificativa alguma que não a conveniência imediata. Ele despeja gasolina sobre um incêndio crescente. Não há como saber que tipo de explosão virá depois."[56][57]

Em 24 de agosto de 1959, The Manchester Guardian passou a se chamar The Guardian. A mudança acompanhava o espaço cada vez maior ocupado no jornal por assuntos nacionais e internacionais.[58] Em setembro de 1961, The Guardian, até então impresso apenas em Manchester, começou a ser impresso em Londres.[59] Nesta Roberts foi nomeada a primeira editora de notícias do jornal em Londres e tornou-se a primeira mulher a ocupar esse cargo em um jornal nacional britânico.[60]

De 1972 a 2000

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The Troubles

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No início do conflito conhecido como The Troubles, na Irlanda do Norte, The Guardian apoiou a intervenção do Estado britânico para conter os confrontos entre católicos irlandeses e lealistas do Ulster.[61] Depois da Batalha de Bogside, em 1969, entre moradores católicos de Derry e a Royal Ulster Constabulary, o jornal pediu que as Forças Armadas britânicas fossem enviadas à região. Argumentou que os militares apresentariam "uma face mais imparcial da lei e da ordem" do que a polícia.[62] O Exército foi mobilizado a partir de 1969.

Em 30 de janeiro de 1972, soldados do 1.º Batalhão do Regimento de Paraquedistas abriram fogo contra uma marcha da Northern Ireland Civil Rights Association e mataram catorze pessoas no episódio conhecido como Domingo Sangrento. The Guardian reagiu afirmando que "nenhum dos lados pode escapar da condenação [...] Os organizadores da manifestação, entre eles a srta. Bernadette Devlin, desafiaram deliberadamente a proibição das marchas. Sabiam que não seria possível impedir o lançamento de pedras e os disparos de franco-atiradores, e que o IRA poderia usar a multidão como escudo."[63] O jornal acrescentou: "É certamente verdade que os cordões do Exército suportaram uma descarga irresponsável de pedras, barras de aço e outros projéteis. Isso ainda não justifica abrir fogo com tamanha liberalidade."[63]

Depois do Domingo Sangrento, John Widgery foi nomeado para presidir o tribunal que investigaria as mortes. O Tribunal Widgery, como ficou conhecido, absolveu em grande parte a conduta dos soldados envolvidos.[64][65] Em 20 de abril de 1972, The Guardian publicou um editorial favorável às conclusões, afirmando que "o relatório de Widgery não é unilateral".[66] Sobre a introdução da detenção sem julgamento na Irlanda do Norte, escreveu: "A detenção sem julgamento é odiosa, repressiva e antidemocrática. Na situação irlandesa existente, por mais lamentável que seja, ela também é inevitável [...] Retirar os líderes, na esperança de que o ambiente possa se acalmar, é uma medida para a qual não existe alternativa evidente."[67]

Sarah Tisdall

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Em 1983, o jornal ficou no centro de uma controvérsia envolvendo documentos sobre a instalação de mísseis de cruzeiro no Reino Unido, vazados ao The Guardian pela funcionária pública Sarah Tisdall. O jornal acabou cumprindo uma ordem judicial que exigia a entrega dos documentos às autoridades, o que resultou em uma pena de seis meses de prisão para Tisdall.[68] "Ainda me culpo", disse Peter Preston, editor do The Guardian naquele período, embora sustentasse que o jornal não tivera escolha por acreditar "no Estado de direito".[69] Em 2019, ao discutir Julian Assange e a proteção de fontes jornalísticas, John Pilger criticou Preston por ter traído Tisdall ao decidir não ir para a prisão "por um princípio fundamental de proteção de uma fonte".[70]

The Observer

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O Guardian Media Group comprou o jornal dominical The Observer em junho de 1993, depois que uma oferta concorrente do The Independent foi rejeitada.[71] A compra estendeu as publicações do grupo aos sete dias da semana. O Observer continuou como jornal separado, com sua própria equipe editorial e seus próprios jornalistas, embora seu conteúdo digital passasse gradualmente a integrar a presença do The Guardian na internet. O periódico foi vendido à Tortoise Media, em uma operação que passou a vigorar em abril de 2025.

Suposta infiltração da inteligência russa

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Em 1994, o desertor da KGB Oleg Gordievsky chamou Richard Gott, editor literário do Guardian, de "agente de influência". Gott negou ter recebido dinheiro, mas reconheceu que almoçara na embaixada soviética e recebera benefícios da KGB em viagens ao exterior. Ele deixou o cargo.[72]

Gordievsky comentou a respeito do jornal: "A KGB adorava The Guardian. Ele era visto como altamente suscetível à infiltração."[73]

Jonathan Aitken

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Em 1995, o programa World in Action, da Granada Television, e The Guardian foram processados por difamação pelo ministro Jonathan Aitken. Os dois veículos haviam afirmado que Mohamed Al Fayed, proprietário da Harrods, pagara a hospedagem de Aitken e da esposa no Hôtel Ritz de Paris, o que equivaleria a um suborno. Aitken declarou em público que lutaria com "a simples espada da verdade e o confiável escudo do jogo limpo britânico".[74] O processo seguiu adiante e, em 1997, The Guardian apresentou provas de que era falsa a afirmação de Aitken de que sua esposa pagara a hospedagem.[75] Em 1999, Aitken foi preso por perjúrio e obstrução da justiça.[76]

The Connection

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Em maio de 1998, uma sequência de investigações do Guardian mostrou que o documentário da ITV The Connection, produzido pela Carlton Television e muito premiado, havia sido em grande parte fabricado.

O documentário dizia ter filmado uma rota até então desconhecida de contrabando de heroína da Colômbia para o Reino Unido. Uma investigação interna da Carlton concluiu que as acusações do The Guardian eram em grande medida corretas, e a Independent Television Commission aplicou à emissora uma multa recorde de 2 milhões de libras por violações das regras britânicas de radiodifusão.[77] O caso provocou um debate intenso sobre a precisão dos documentários televisivos.[78][79] Em junho de 1998, The Guardian mostrou novas fabricações em outro documentário da Carlton feito pelo mesmo diretor.[80]

Guerra do Kosovo

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O jornal apoiou a intervenção militar da OTAN na Guerra do Kosovo, em 1998 e 1999. The Guardian afirmou que "a única conduta honrosa para a Europa e os Estados Unidos é usar a força militar".[81] Um artigo de Mary Kaldor recebeu o título "Bombas, já! Mas, para salvar civis, também precisamos mandar alguns soldados."[82]

Desde 2000

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A repórter sênior Esther Addley, do The Guardian, entrevista o ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, para uma reportagem relacionada a Julian Assange, em 2014

No início dos anos 2000, The Guardian contestou judicialmente o Act of Settlement de 1701 e o Treason Felony Act de 1848.[83][84] Em outubro de 2004, publicou no guia de entretenimento uma coluna humorística de Charlie Brooker cuja última frase foi interpretada por alguns como um chamado à violência contra o presidente americano George W. Bush. Depois da controvérsia, Brooker e o jornal pediram desculpas e disseram que "os comentários finais pretendiam ser uma piada irônica, não um chamado à ação".[85]

Depois dos atentados de 7 de julho de 2005 em Londres, The Guardian publicou em suas páginas de comentários um artigo de Dilpazier Aslam, muçulmano britânico de 27 anos e estagiário de jornalismo de Yorkshire.[86] Aslam era integrante do Hizb ut-Tahrir, grupo islamista, e havia publicado textos em seu site. O jornal afirmou que não sabia da filiação quando ele se candidatou ao estágio, embora integrantes da equipe tenham tomado conhecimento depois que começou a trabalhar.[87] O Ministério do Interior britânico dizia que o "objetivo final" do grupo era estabelecer um Estado islâmico, ou califado, por meios não violentos. The Guardian pediu a Aslam que deixasse a organização. Como ele se recusou, foi demitido.[88]

No começo de 2009, o jornal abriu uma investigação tributária sobre grandes empresas britânicas[89] e publicou um banco de dados com os impostos pagos pelas empresas do FTSE 100.[90] Documentos internos relacionados às estratégias de elisão fiscal do Barclays Bank foram retirados do site depois que o banco obteve uma ordem judicial de proibição de publicação.[91] As reportagens do periódico expuseram a dimensão do escândalo dos grampos telefônicos do News of the World. A revista Intelligent Life, do The Economist, comentou:

Assim como Watergate está para o The Washington Post, e a talidomida para o The Sunday Times, os grampos telefônicos certamente estarão para o The Guardian: um momento definidor de sua história.[92]

Cobertura do conflito israelo-palestino

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Nas últimas décadas, The Guardian recebeu acusações de parcialidade em suas críticas às políticas do governo de Israel[93] e também de parcialidade contra os palestinos.[94] Em dezembro de 2003, a colunista Julie Burchill mencionou uma "parcialidade impressionante contra o Estado de Israel" entre os motivos para deixar o jornal e trabalhar no The Times.[95]

Um editorial de 2002 condenou o antissemitismo e defendeu o direito do jornal de criticar políticas e ações do governo israelense. O texto dizia que era um erro tratar esse tipo de crítica como inerentemente antijudaica.[96] Harriet Sherwood, editora de assuntos internacionais e depois correspondente do jornal em Jerusalém, também rejeitou a acusação de viés contra Israel e afirmou que o objetivo era cobrir os diferentes pontos de vista do conflito israelo-palestino.[97]

Em 6 de novembro de 2011, Chris Elliott, editor dos leitores, escreveu que "repórteres, articulistas e editores do Guardian precisam ser mais vigilantes quanto à linguagem que usam ao escrever sobre judeus ou Israel". Ele mencionou casos recentes em que o jornal recebera reclamações sobre termos empregados para falar de judeus ou de Israel. Em nove meses, Elliott considerara procedentes reclamações sobre a linguagem de determinados artigos vista como antissemita. Os textos foram alterados e receberam notas sobre as mudanças.[98]

O manual de estilo do The Guardian chamava Tel Aviv de capital de Israel em 2012. O grupo de monitoramento HonestReporting apresentou uma queixa à Press Complaints Commission depois que o jornal publicou uma correção pedindo desculpas por ter chamado Jerusalém "erroneamente" de capital de Israel. A comissão inicialmente decidiu a favor do The Guardian, mas voltou atrás. O jornal reconheceu que estava errado ao chamar Tel Aviv de capital.[99][100][101] O jornal explicou depois: "Em 1980, o Knesset israelense promulgou uma lei que designava a cidade de Jerusalém, incluindo Jerusalém Oriental, como capital do país. Em resposta, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a resolução 478, censurando a 'mudança no caráter e status da Cidade Santa de Jerusalém' e pedindo que todos os Estados-membros com missões diplomáticas na cidade as retirassem. A ONU reafirmou essa posição em ocasiões posteriores, e quase todos os países têm suas embaixadas em Tel Aviv. Embora fosse correto publicar uma correção para deixar claro que a designação de Jerusalém como capital de Israel não é reconhecida pela comunidade internacional, aceitamos que é errado afirmar que Tel Aviv, o centro financeiro e diplomático do país, é a capital. O manual de estilo foi alterado."[102]

Em 11 de agosto de 2014, a edição impressa publicou, durante o conflito entre Israel e Gaza, um anúncio de defesa de Israel com Elie Wiesel e a frase "Os judeus rejeitaram o sacrifício de crianças há 3.500 anos. Agora é a vez do Hamas." O The Times decidira não publicar a peça, que já havia saído em grandes jornais americanos.[103] Uma semana depois, Chris Elliott escreveu que o jornal deveria ter recusado a linguagem do anúncio e negociado sua redação com o anunciante.[104]

Em outubro de 2023, The Guardian informou que não renovaria o contrato do cartunista Steve Bell depois que ele apresentou uma charge de Benjamin Netanyahu com a camisa aberta, luvas de boxe e um bisturi diante do contorno pontilhado da Faixa de Gaza em seu abdômen. A legenda dizia: "Moradores de Gaza, saiam agora." Algumas pessoas entenderam a imagem como referência à "libra de carne" de Shylock, personagem de Shakespeare, o que provocou acusações de antissemitismo.[105] Bell disse ter se inspirado na charge "Johnson's Scar", de David Levine, feita nos anos 1960 sobre o presidente americano Lyndon B. Johnson e a Guerra do Vietnã.[106][107]

Condado de Clark

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Em agosto de 2004, durante a eleição presidencial americana, o suplemento diário G2 lançou uma experiência de envio de cartas a eleitores do condado de Clark, em Ohio, um condado de tamanho médio num estado eleitoralmente disputado. O editor Ian Katz comprou por 25 dólares uma lista de eleitores do condado e pediu aos leitores que escrevessem às pessoas marcadas como indecisas, transmitindo uma visão internacional da eleição e a importância de votar contra o presidente George W. Bush.[108] Katz reconheceu mais tarde que não acreditara nos democratas que advertiam que a campanha beneficiaria Bush, e não seu adversário John Kerry.[109] O jornal encerrou a "Operação Condado de Clark" em 21 de outubro de 2004, depois de publicar uma coluna com respostas, quase todas indignadas, sob o título "Dear Limey assholes".[110] Alguns comentaristas sugeriram que a rejeição pública à campanha favoreceu a vitória de Bush no condado.[111]

Edições internacionais

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Em 2007, o jornal lançou Guardian America, uma tentativa de aproveitar seu grande público de internet nos Estados Unidos, que passava de 5,9 milhões de leitores. A empresa contratou Michael Tomasky, ex-editor do American Prospect, colunista da revista New York e colaborador da New York Review of Books, para dirigir o projeto e contratar repórteres americanos e editores de internet. O site reunia notícias do The Guardian dirigidas a leitores americanos, como matérias sobre os Estados Unidos e o Oriente Médio.[112]

Tomasky deixou o posto de editor do Guardian America em fevereiro de 2009 e passou as funções de edição e planejamento a outros funcionários dos Estados Unidos e de Londres. Continuou como colunista e blogueiro e recebeu o título de editor geral.[113]

Em outubro de 2009, a empresa abandonou a página inicial do Guardian America e passou a enviar os visitantes para a seção de notícias dos Estados Unidos no site principal.[114] No mês seguinte, demitiu seis funcionários americanos, um repórter, um produtor multimídia e quatro editores de internet. A decisão ocorreu enquanto a Guardian News and Media revia sua estratégia americana em meio a cortes de custos no grupo.[115] Nos anos seguintes, o jornal contratou comentaristas de assuntos americanos como Ana Marie Cox, Michael Wolff, Naomi Wolf, Glenn Greenwald e Josh Treviño, ex-redator de discursos de George W. Bush.[116][117] O primeiro texto de Treviño no blog foi um pedido de desculpas por uma postagem controversa no Twitter, de junho de 2011, a respeito da segunda flotilha de Gaza. A contratação trouxera o episódio novamente à atenção pública.[118]

Guardian US foi lançado em setembro de 2011 sob a direção de Janine Gibson e substituiu o antigo Guardian America.[119] Depois de um período em que Katharine Viner foi editora-chefe nos Estados Unidos antes de assumir toda a Guardian News and Media, seu ex-vice, Lee Glendinning, foi nomeado para dirigir a operação americana no início de junho de 2015.[120]

O jornal lançou edições digitais australiana e "internacional" em 2013 e 2015. Em setembro de 2023, criou uma edição europeia, parte da intenção de ser "ainda mais europeu em sua perspectiva, não menos" depois do Brexit. Dez jornalistas e quatro colunistas foram contratados de início. Um ano depois, o público europeu havia crescido 15%, e Irlanda, Alemanha, França, Espanha e Países Baixos formavam os maiores públicos da edição.[121]

Impedido de noticiar o Parlamento

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Em outubro de 2009, The Guardian informou estar proibido de noticiar um assunto parlamentar, uma pergunta publicada numa ordem de trabalhos da Câmara dos Comuns e que deveria ser respondida por um ministro naquela semana.[122] O jornal escreveu que estava "proibido de dizer a seus leitores por que o jornal está impedido, pela primeira vez de que se tem memória, de noticiar o Parlamento. Obstáculos jurídicos, que não podem ser identificados, envolvem procedimentos, que não podem ser mencionados, em nome de um cliente que deve permanecer secreto. O único fato que The Guardian pode informar é que o caso envolve os advogados londrinos Carter-Ruck." Acrescentou que a situação parecia "colocar em questão os privilégios que garantem a liberdade de expressão estabelecidos pela Declaração de Direitos de 1689".[123]

A única pergunta parlamentar que mencionava Carter-Ruck naquele período havia sido apresentada pelo deputado Paul Farrelly e se referia a ações judiciais do Barclays e da Trafigura.[124][125] A parte relativa à Carter-Ruck tratava da ordem de setembro de 2009 que proibia a publicação de um relatório interno de 2006[126] sobre o despejo de resíduos tóxicos na Costa do Marfim. O caso envolvia uma ação coletiva que a empresa só resolveu em setembro de 2009, depois que The Guardian publicou alguns e-mails internos da companhia de commodities.[127] A proibição foi levantada no dia seguinte, quando a Carter-Ruck a retirou antes que The Guardian pudesse contestá-la no Tribunal Superior.[128] Alan Rusbridger atribuiu o recuo rápido da firma às publicações no Twitter,[129] conclusão também apresentada por uma reportagem da BBC.[130]

Vazamentos de Edward Snowden e intervenção do governo britânico

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Em junho de 2013, o jornal revelou a coleta secreta de registros telefônicos da Verizon pelo governo de Barack Obama[20][131] e depois a existência do programa de vigilância PRISM, com base em documentos fornecidos pelo ex-prestador de serviços da NSA Edward Snowden.[21] The Guardian disse que um DSMA-Notice havia sido enviado a editores e jornalistas em 7 de junho, depois da primeira reportagem sobre os documentos de Snowden. O jornal afirmou que o mecanismo estava sendo usado numa "tentativa de censurar a cobertura das táticas de vigilância empregadas pelas agências de inteligência do Reino Unido e dos Estados Unidos".[132]

O secretário do Gabinete britânico, Jeremy Heywood, entrou em contato com o jornal seguindo instruções do primeiro-ministro David Cameron e do vice-primeiro-ministro Nick Clegg e ordenou que os discos rígidos que continham as informações fossem destruídos.[133] Em julho de 2013, agentes do GCHQ visitaram os escritórios do The Guardian e supervisionaram a destruição dos discos rígidos com material obtido de Snowden.[134] O jornal afirmou que aceitou destruir os discos para evitar uma ação judicial ameaçada pelo governo, que poderia impedir a publicação de matérias sobre a vigilância americana e britânica contida nos documentos.[135]

Em junho de 2014, The Register informou que os dados que o governo tentara suprimir com a destruição dos discos estavam relacionados à localização de uma instalação de monitoramento da internet classificada acima de "ultrassecreta", em Seeb, Omã, e ao envolvimento direto da BT e da Cable & Wireless na interceptação de comunicações pela internet.[136] Julian Assange criticou o jornal por não publicar todo o material enquanto teve oportunidade.[137] Rusbridger inicialmente trabalhou com os documentos sem supervisão do governo, mas depois procurou as autoridades e estabeleceu uma relação contínua com o Ministério da Defesa. A cobertura prosseguiu porque os dados já haviam sido copiados para fora do Reino Unido. Em 2014, Guardian US recebeu o Prêmio Pulitzer de Serviço Público pelas reportagens.[138] Rusbridger e editores-chefes que o sucederam passaram a integrar o conselho do sistema DSMA-Notice do governo.[139]

Tratamento de Julian Assange

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The Guardian publicou os telegramas diplomáticos dos Estados Unidos e os arquivos da Baía de Guantánamo em colaboração com Julian Assange e o WikiLeaks.[140] Quando parte dos telegramas diplomáticos apareceu na internet sem as supressões destinadas a proteger dados sensíveis, o WikiLeaks culpou os jornalistas David Leigh e Luke Harding por publicarem, no livro WikiLeaks: Inside Julian Assange's War on Secrecy, a chave de criptografia usada nos arquivos.[141] The Guardian responsabilizou Assange pela divulgação dos telegramas sem as supressões.[142]

Glenn Greenwald, antigo colaborador do jornal, acusou The Guardian de publicar afirmações falsas sobre Assange numa matéria referente a uma entrevista concedida ao italiano La Repubblica. O texto do Guardian dizia que Assange elogiara Donald Trump, criticara Hillary Clinton e tinha "há muito uma relação próxima com o regime de Putin". Greenwald escreveu: "Este artigo trata de como essas afirmações falsas [do Guardian], fabricações, na verdade, foram espalhadas por toda a internet por jornalistas, levando centenas de milhares de pessoas, se não milhões, a consumir notícias falsas."[143] O jornal alterou depois a matéria para retirar a afirmação sobre uma relação de Assange com o governo russo.[144] Enquanto Assange permanecia na embaixada equatoriana, The Guardian publicou artigos que sustentavam a existência de uma relação entre ele e o governo russo.[140]

Em novembro de 2018, Luke Harding e Dan Collyns citaram fontes anônimas numa reportagem que afirmava que Paul Manafort, ex-chefe de campanha de Donald Trump, mantivera reuniões secretas com Assange dentro da embaixada do Equador em Londres em 2013, 2015 e 2016.[145] O nome de um terceiro autor, Fernando Villavicencio, foi retirado da versão na internet pouco depois da publicação. O título original era "Manafort held secret talks with Assange in Ecuadorian embassy". Algumas horas depois, foram acrescentadas ao título as palavras "sources say", e a reunião passou a ser descrita como "aparente".[146] Um repórter comentou: "Se estiver certo, pode ser o maior furo deste ano. Se estiver errado, pode ser o maior erro." Manafort e Assange disseram que nunca se encontraram, e Assange ameaçou processar o jornal.[147] Fidel Narváez, cônsul do Equador em Londres e funcionário da embaixada entre 2010 e julho de 2018, disse que Manafort não visitara Assange.[146]

Serge Halimi afirmou que Harding tinha uma queixa pessoal contra Assange e observou que o nome de Manafort não constava do livro de visitantes da embaixada, nem havia imagens dele entrando ou saindo de "um dos edifícios mais vigiados e filmados do planeta".[146] The Guardian não retirou a reportagem nem publicou um pedido de desculpas. Stella Moris, esposa de Assange, afirmou que o jornal falhou em sua responsabilidade para com ele e que sua "negligência criou um problema tão grande que, se Julian morrer ou for extraditado, isso manchará para sempre a reputação do Guardian".[140]

Joseph Mayton

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Em 2016, The Guardian retirou de seu site treze artigos do jornalista freelancer Joseph Mayton por acreditar que continham informações fabricadas. O periódico pediu desculpas aos leitores e às pessoas "cujas palavras foram apresentadas de forma incorreta ou falsificadas".[148]

Suposta porta dos fundos no WhatsApp

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Depois que uma reportagem de 13 de janeiro de 2017 afirmou que o WhatsApp tinha uma "porta dos fundos [que] permite espionar mensagens", mais de setenta criptógrafos profissionais assinaram uma carta aberta pedindo que The Guardian retirasse a matéria.[149][150] Em junho daquele ano, o editor dos leitores Paul Chadwick publicou um texto detalhando os problemas da reportagem original, que foi modificada para retirar as referências a uma porta dos fundos.[151][152]

Edição em espanhol

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Em janeiro de 2021, o portal mexicano La Lista começou a publicar conteúdo de The Guardian traduzido para o espanhol por meio de uma licença de três anos. O comunicado que anunciou a parceria mencionava que o jornal britânico criticava com frequência o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador.[153][154]

Ciberataque de 2022

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Em dezembro de 2022, foi divulgado que The Guardian sofrera um grande ciberataque contra seus sistemas internos, provavelmente por ransomware.[155][156] Os funcionários receberam instruções para trabalhar de casa e conseguiram manter as publicações no site apesar da perda de parte dos sistemas internos.[157] A edição impressa também continuou a ser produzida. Em 4 de janeiro de 2023, os funcionários no Reino Unido foram informados sobre uma violação de segurança, e a empresa notificou o Information Commissioner's Office como exige o RGPD. A equipe deveria continuar trabalhando de casa pelo menos até 23 de janeiro.[158] Em 11 de janeiro, o jornal confirmou que criminosos haviam acessado dados pessoais de todos os funcionários britânicos.[159]

Cyprus Confidential

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Em novembro de 2023, The Guardian participou da investigação Cyprus Confidential com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, Paper Trail Media e 69 parceiros de mídia, entre eles Distributed Denial of Secrets e o Organized Crime and Corruption Reporting Project. Mais de 270 jornalistas de 55 países e territórios participaram do trabalho.[160][161] A investigação examinou a rede financeira que apoiava o governo de Vladimir Putin, em grande parte por meio de relações com Chipre, e encontrou vínculos entre o país e figuras de alto escalão do Kremlin, algumas submetidas a sanções.[162][163] Autoridades, entre elas o presidente cipriota Nikos Christodoulides,[164] e parlamentares europeus[165] começaram a reagir às descobertas em menos de 24 horas,[164] com pedidos de reformas e abertura de investigações.[166][167]

Saída do X

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Em 13 de novembro de 2024, uma semana depois da eleição de Donald Trump para um segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, The Guardian anunciou que deixaria de publicar conteúdo em suas contas oficiais no X. O jornal citou o que via como quantidade excessiva de desinformação, teorias conspiratórias de extrema-direita e racismo na plataforma, em especial no período eleitoral.[168] Leitores continuariam podendo compartilhar matérias no X, e os jornalistas poderiam usá-lo "para fins de coleta de notícias".[169]

Venda do The Observer

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Em setembro de 2024, The Guardian revelou que negociava a venda do The Observer ao site de notícias Tortoise Media.[170][171] Jornalistas do Guardian Media Group aprovaram uma moção condenando a venda e um voto de desconfiança nos proprietários. Acusaram a direção de traição e manifestaram preocupação com a segurança financeira dos funcionários.[172][173] Em 6 de dezembro de 2024, depois de 48 horas de greve dos jornalistas, foi anunciado que o acordo com a Tortoise havia sido aprovado em princípio e seguiria adiante. O Scott Trust receberia uma participação acionária no comprador. O preço final da venda não foi divulgado.[174][175]

Guardian Media e Tortoise Media concluíram a venda em 18 de dezembro de 2024.[176][177] Um novo site do Observer entrou no ar em 25 de abril de 2025, e a primeira edição impressa sob a Tortoise saiu em 27 de abril.

Movimento antitrans no Reino Unido

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Em maio de 2026, um relatório da Amnesty International concluiu que The Guardian estava entre os principais jornais britânicos, ao lado de The Daily Telegraph, The Times e The Sunday Times e The Sun, envolvidos na formação do movimento antitrans no Reino Unido. O relatório examinou uma campanha de anos em que pessoas transgênero eram enquadradas como "envolvidas em controvérsia, exigentes ou agressivas e com propensão a se ofender", enquanto as vozes de pessoas trans recebiam menos espaço e figuras e grupos antitrans recebiam maior projeção.[178][179]

Publicação da história oficial

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Dois volumes da história oficial de The Guardian, pesquisados e escritos por Ian Mayes, haviam sido publicados até 2026.

Witness in a Time of Turmoil: Inside the Guardian's Global Revolution, Volume 1, 1986–1995 saiu em maio de 2025.[180][181] O historiador Joe Moran escreveu em uma resenha: "Cobrindo nove anos em mais de 300 páginas, este livro tem toda a abrangência de uma história oficial. [...] Mas Mayes anima sua narrativa o tempo todo com toques de humor e retratos atraentes de personagens."[182] O segundo volume, Witness in a Time of Trial: Inside the Guardian's Global Revolution Volume Two: 1995–2009, foi publicado em janeiro de 2026.[183]

Propriedade e finanças

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The Guardian integra o Guardian Media Group, que reúne jornais e outras operações de mídia. Entre seus produtos estão The Guardian Weekly e Theguardian.com. Até 2008, pertenciam ao Scott Trust, fundação criada em 1936 para proteger por tempo indeterminado a independência editorial e a saúde financeira do jornal, reduzindo sua vulnerabilidade a aquisições por grupos comerciais de mídia. No início de outubro de 2008, os ativos do Scott Trust foram transferidos para uma nova sociedade limitada, The Scott Trust Limited, e o truste original seria encerrado.[184] Liz Forgan, presidente do Scott Trust, assegurou aos funcionários que os objetivos da nova empresa permaneceriam os mesmos.

Sede do The Guardian em Londres

Desde 2003, The Guardian realiza uma auditoria anual social, ética e ambiental de sua conduta empresarial, examinada por um auditor externo independente.[185] O periódico também emprega um ombudsman interno, chamado "editor dos leitores", para lidar com reclamações e correções.

The Guardian e seus grupos controladores participam do Project Syndicate e intervieram em 1995 para manter o Mail & Guardian, da África do Sul. O Guardian Media Group vendeu a maior parte de sua participação no jornal sul-africano em 2002.[186]

The Guardian operou com prejuízo de forma recorrente até 2019.[187] A divisão de jornais nacionais do Guardian Media Group registrou prejuízo operacional de 49,9 milhões de libras em 2006, contra 18,6 milhões no ano anterior.[188] O jornal dependia, por isso, de subsídios cruzados provenientes de empresas lucrativas do grupo.

Os prejuízos contínuos levaram o Guardian Media Group a vender sua divisão de mídia regional à concorrente Trinity Mirror em março de 2010. A operação incluiu o Manchester Evening News e rompeu a antiga relação empresarial entre aquele jornal e The Guardian. A venda buscava proteger os recursos destinados ao futuro do Guardian, em consonância com o objetivo do Scott Trust.[189]

Em junho de 2011, Guardian News and Media divulgou prejuízos anuais de 33 milhões de libras e anunciou que concentraria a cobertura noticiosa na edição digital, deixando mais comentários e reportagens especiais para a edição impressa. Surgiram também especulações de que The Guardian poderia tornar-se o primeiro jornal diário nacional britânico totalmente digital.[190][191]

Nos três anos encerrados em junho de 2012, o jornal perdeu cerca de 100 mil libras por dia, levando a revista Intelligent Life a perguntar se The Guardian poderia sobreviver.[192]

Entre 2007 e 2014, o Guardian Media Group vendeu seus negócios paralelos, entre eles jornais regionais e portais de classificados, e concentrou-se no The Guardian. As vendas permitiram acumular um fundo de 838,3 milhões de libras em julho de 2014, destinado a garantir a independência do jornal por prazo indeterminado. No primeiro ano, as perdas superaram as previsões e, em janeiro de 2016, a editora anunciou que reduziria em 20% seu quadro de funcionários e seus custos nos três anos seguintes.[193] O jornal também passou a solicitar contribuições diretas de leitores "para produzir o jornalismo independente de que o mundo precisa".[194]

O relatório anual de 2018 do Guardian Media Group, referente ao exercício encerrado em 1 de abril, mostrou que as edições digitais já respondiam por mais de metade da receita. O prejuízo das operações de notícias e mídia foi de 18,6 milhões de libras, 52% menor que os 38,9 milhões de 2017. Os custos haviam caído 19,1 milhões, em parte pela adoção do formato tabloide na edição impressa. O Scott Trust Endowment Fund valia 1,01 bilhão de libras, contra 1,03 bilhão no ano anterior.[195] No relatório seguinte, referente a 2018–2019, o grupo declarou lucro EBITDA de 800 mil libras antes de itens excepcionais e chegou ao equilíbrio financeiro em 2019.[196][197]

Para que a operação seja sustentável, o subsídio anual ao jornal precisa ficar dentro dos cerca de 25 milhões de libras gerados pelos investimentos do Scott Trust Endowment Fund.[198]

"Assinatura" por associação

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Em 2014, The Guardian lançou um programa de associação para leitores.[199] O sistema procurava reduzir os prejuízos sem criar uma barreira de pagamento, mantendo acesso aberto ao site. Os leitores podiam pagar mensalmente em três níveis diferentes.[200] Em 2018, o modelo já havia atraído mais de um milhão de assinaturas ou doações, e o jornal esperava atingir o equilíbrio em abril de 2019.[201]

Financiamento por fundações

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The Guardian Foundation no Senate House History Day, em 2019

Em 2016, a empresa criou nos Estados Unidos uma entidade filantrópica para arrecadar recursos de indivíduos, institutos de pesquisa e fundações empresariais.[202] Os doadores destinam as verbas a temas específicos. No ano seguinte, a organização já havia arrecadado 1 milhão de dólares de entidades como Humanity United, de Pierre Omidyar, Skoll Foundation e Conrad N. Hilton Foundation para reportagens sobre assuntos como escravidão moderna e mudança climática. The Guardian informou ter assegurado 6 milhões de dólares "em compromissos de financiamento de vários anos".[203]

O projeto derivou de relações de financiamento que o jornal já mantinha com as fundações Ford, Rockefeller e Bill & Melinda Gates.[204] A Fundação Gates destinara 5 milhões de dólares à organização[205] para a página Global Development.[206]

Em março de 2020, o jornal afirmava ser "a primeira grande organização global de notícias a instituir uma proibição total de receber dinheiro de empresas que extraem combustíveis fósseis".[207]

Posicionamento político e opinião editorial

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Fundado por comerciantes e negociantes do setor têxtil, The Guardian tinha nos primeiros anos a reputação de ser "um órgão da classe média",[208] ou, nas palavras de Ted, filho de C. P. Scott, "um jornal que continuará burguês até o fim".[209] Inicialmente próximo do Little Circle e do liberalismo clássico dos whigs e depois do Partido Liberal, passou por uma mudança política depois da Segunda Guerra Mundial e aproximou-se gradualmente do Partido Trabalhista e da esquerda.

O Scott Trust estabelece entre seus objetivos centrais "garantir a independência financeira e editorial do Guardian por tempo indeterminado, como um jornal nacional de qualidade sem filiação partidária e fiel à sua linha liberal".[6][210] A maior parte dos leitores encontra-se na esquerda dominante da política britânica. Uma pesquisa MORI realizada entre abril e junho de 2000 apontou que 80% dos leitores do Guardian votavam no Partido Trabalhista.[14] Outra pesquisa, feita em 2005, encontrou 48% de eleitores trabalhistas e 34% de eleitores liberais-democratas.[15] A expressão inglesa "Guardian reader" pode evocar o estereótipo de uma pessoa liberal moderna, de esquerda ou "politicamente correta".[211] Em 2022, Suella Braverman atribuiu protestos perturbadores aos "wokerati leitores do Guardian e comedores de tofu".[212]

Embora o jornal seja muitas vezes tratado como "inextricavelmente ligado" ao Partido Trabalhista,[210] três de seus quatro editorialistas aderiram ao mais centrista Partido Social-Democrata quando a legenda foi criada em 1981. O jornal apoiou com entusiasmo Tony Blair em sua campanha vitoriosa pela liderança trabalhista[213] e depois em sua eleição como primeiro-ministro.[214] Em 19 de janeiro de 2003, dois meses antes da invasão do Iraque, um editorial do Observer afirmou: "A intervenção militar no Oriente Médio traz muitos perigos. Mas, se quisermos uma paz duradoura, talvez seja a única opção. [...] A guerra contra o Iraque ainda pode não ocorrer, mas, conscientes da responsabilidade potencialmente terrível que recai sobre o governo britânico, nos vemos apoiando o compromisso existente com um possível uso da força."[215] The Guardian, porém, opôs-se à guerra, assim como o Daily Mirror e The Independent.[216]

Ian Katz, então editor de reportagens do Guardian, afirmou em 2004 que "não é segredo que somos um jornal de centro-esquerda".[217] Em 2008, a colunista Jackie Ashley disse que os colaboradores editoriais eram uma mistura de "libertários de centro-direita, verdes, blairistas, brownistas, trabalhistas mas menos entusiasmados com Brown etc.", e que o jornal era "claramente à esquerda do centro e vagamente progressista". Acrescentou que "podem ter certeza absoluta de que, na próxima eleição geral, a posição do The Guardian não será ditada pelo editor, muito menos por algum proprietário estrangeiro, até porque ajuda não termos nenhum, mas será resultado de um vigoroso debate dentro do jornal".[218] As páginas de comentários e opinião, embora recebam muitos autores de centro-esquerda, como Polly Toynbee, também publicaram vozes de centro-direita, entre elas Max Hastings e Michael Gove. Desde um editorial de 2000, The Guardian defende o fim da monarquia britânica.[219] "Escrevo para o Guardian", disse Max Hastings em 2005, "porque ele é lido pelo novo establishment", numa referência ao crescimento da presença do jornal.[220]

Antes da eleição geral de 2010, depois de uma reunião da equipe editorial,[221] o jornal declarou apoio aos Liberal Democratas, sobretudo pela posição do partido sobre a reforma eleitoral. Recomendou voto tático para impedir uma vitória conservadora sob o sistema eleitoral britânico de maioria simples.[222] Na eleição de 2015, voltou a apoiar o Partido Trabalhista. O editorial dizia que o país precisava de uma nova direção e que o Labour "fala com mais urgência que seus rivais sobre justiça social, enfrentamento do capitalismo predatório, investimento para crescimento, reforma e fortalecimento da esfera pública, lugar da Grã-Bretanha na Europa e desenvolvimento internacional".[223]

Ao discutir autocensura na mídia em março de 2011, o editor assistente Michael White escreveu: "Sempre percebi um desconforto liberal, de classe média, em buscar matérias sobre imigração, legal ou não, fraude no sistema de bem-estar social ou os hábitos tribais menos atraentes da classe trabalhadora, que é ainda mais fácil ignorar por completo. Pessoas das classes altas, inclusive membros da realeza, cristãos, em especial papas, governos de Israel e republicanos dos Estados Unidos são alvos mais simples."[224]

Em entrevista à NPR em 2013, Rory Carroll, correspondente do Guardian na América Latina, disse que muitos editores do jornal acreditavam, e ainda acreditavam, que deveriam apoiar Hugo Chávez "porque ele era um porta-estandarte da esquerda".[225]

Na eleição interna do Partido Trabalhista de 2015, The Guardian apoiou a candidata blairista Yvette Cooper e criticou o candidato de esquerda Jeremy Corbyn, que venceu a disputa.[226] A maioria dos colunistas era contrária a Corbyn, embora Owen Jones, Seumas Milne e George Monbiot tenham escrito textos favoráveis a ele. Apesar das críticas, o jornal apoiou o Partido Trabalhista sob a liderança de Corbyn nas eleições gerais de 2017[227] e de 2019. Nas duas eleições, aconselhou votos em outros partidos de oposição, como Liberal Democratas e Partido Nacional Escocês, em distritos onde os trabalhistas não tinham perspectiva real de vitória.[228]

No referendo de 2016 sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, o jornal apoiou a opção de permanecer no bloco.[229] Na eleição de 2019 para o Parlamento Europeu, pediu aos leitores que votassem em candidatos favoráveis à União Europeia, sem apoiar partidos específicos.[230]

Circulação e formato

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A circulação cresceu rapidamente nas primeiras décadas. Era de 4.700 exemplares em 1837 e chegara a 10.300 em 1854.[231]

Em dezembro de 2012, The Guardian tinha circulação diária média certificada de 204.222 exemplares, queda de 11,25% em relação a janeiro daquele ano. No mesmo período, The Daily Telegraph vendia 547.465 exemplares, The Times, 396.041, e The Independent, 78.082.[232] Em março de 2013, a média diária havia caído para 193.586.[233] A queda prosseguiu e a circulação chegou a 161.091 em dezembro de 2016, redução anual de 2,98%.[234] Em julho de 2021, estava em 105.134. Mais tarde naquele ano, a editora deixou de divulgar publicamente os dados.[235]

História da publicação

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Centro de visitantes e arquivo Newsroom do The Guardian, com uma antiga placa com o nome The Manchester Guardian

A primeira edição saiu em 5 de maio de 1821.[236] Naquele período, o jornal era semanal, publicado aos sábados e vendido por 7 pence. O imposto do selo sobre jornais custava 4 pence por folha e tornava antieconômica uma publicação mais frequente. Quando o imposto foi reduzido em 1836, o jornal acrescentou uma edição às quartas-feiras. Com a abolição do tributo em 1855, tornou-se diário e passou a custar 2 pence.

Em outubro de 1952, o jornal começou a colocar notícias na primeira página, substituindo os anúncios que antes ocupavam aquele espaço. A. P. Wadsworth, então editor, escreveu: "Não é algo de que eu mesmo goste, mas parece ser aceito por todos os especialistas em jornais que é preferível estar na moda."[237]

Depois que o jornal anglicano The Guardian encerrou suas atividades em 1951, The Manchester Guardian retirou "Manchester" do título em 1959 e passou a se chamar simplesmente The Guardian.[238] Em 1964, a equipe editorial principal transferiu-se para Londres. A pauta regional perdeu espaço, e o jornal continuou a receber subsídios das vendas do mais popular e lucrativo Manchester Evening News. A situação financeira permaneceu frágil durante a década de 1970, e houve conversas para uma fusão com The Times.[239] No fim dos anos 1970 e começo dos anos 1980, sua posição editorial à esquerda estava consolidada. As páginas de opinião abrigaram debates ligados à criação do Partido Social-Democrata e às disputas internas do Partido Trabalhista, enquanto a cobertura de conflitos trabalhistas, entre eles a greve dos mineiros de 1984–1985, explicitava essa posição.[240]

Em 12 de fevereiro de 1988, The Guardian passou por uma ampla reformulação. Além da melhoria da tinta usada na impressão, o cabeçalho passou a combinar a palavra "The" em Garamond itálico com "Guardian" em Helvetica negrito. O desenho permaneceu até a reforma de 2005.

Em 1992, o jornal relançou sua seção de reportagens como G2, suplemento em formato tabloide. A solução foi imitada por outros jornais britânicos de formato standard e antecedeu a adoção de edições "compactas" e a mudança do próprio Guardian para o formato berlinense. Em 1993, o jornal recusou-se a participar da guerra de preços iniciada por Rupert Murdoch com The Times. Em junho daquele ano, comprou The Observer da Lonrho e passou a ter um jornal dominical com linha editorial próxima.[241]

A edição semanal internacional chama-se The Guardian Weekly, embora por alguns anos depois da transferência da edição principal para Londres ainda usasse o título Manchester Guardian Weekly. A publicação reúne material de outros jornais internacionais de orientação semelhante, entre eles Le Monde e The Washington Post. The Guardian Weekly também esteve ligado ao site Guardian Abroad, destinado a expatriados, lançado em 2007 e retirado do ar até 2012.

Mudança para o formato berlinense

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The Guardian é impresso inteiramente em cores[242] e foi o primeiro jornal do Reino Unido a usar o formato berlinense na seção principal, enquanto produzia seções e suplementos em tamanhos que iam do tabloide a páginas próximas de A4 e de A5.

Em 2004, The Guardian anunciou que passaria ao formato berlinense, também chamado de "midi",[243] semelhante ao empregado pelo alemão Die Tageszeitung, pelo francês Le Monde e por outros jornais europeus. Com 470 × 315 mm, o formato é um pouco maior que um tabloide tradicional. A mudança, planejada para o outono de 2005, ocorreu depois que The Independent e The Times começaram a publicar edições em formato tabloide ou compacto. Em 1 de setembro de 2005, o jornal anunciou que o novo formato estrearia em 12 de setembro.[244] The Observer adotou o formato em 8 de janeiro de 2006.

A mudança veio acompanhada de uma reformulação visual. Em 9 de setembro de 2005, o jornal mostrou a nova primeira página, lançada três dias depois. O projeto de Mark Porter trouxe um novo cabeçalho, o primeiro desde 1988. Paul Barnes e Christian Schwartz desenvolveram uma família tipográfica própria para a reforma. Com pouco mais de 200 fontes, o conjunto foi chamado de "um dos programas de tipografia personalizada mais ambiciosos já encomendados por um jornal".[245][246] Uma das fontes é Guardian Egyptian, tipografia com serifa slab usada em diferentes pesos para textos e títulos.

A mudança custou 80 milhões de libras à Guardian Newspapers e exigiu a instalação de novas impressoras no leste de Londres e em Manchester.[247] Antes da mudança, nenhuma gráfica britânica conseguia produzir jornais no formato berlinense. Havia ainda dificuldades porque uma das instalações era parcialmente controlada pela Telegraph Newspapers e pela Express Newspapers, que tinham contrato para utilizá-la até 2009. Outra gráfica era dividida com jornais locais tabloides do Guardian Media Group no noroeste da Inglaterra, que não queriam adotar o formato berlinense.

Recepção

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O novo formato teve recepção em geral favorável entre os leitores, que foram convidados a enviar comentários. A principal controvérsia envolveu a retirada da tira Doonesbury. O jornal recebeu milhares de ligações e mensagens reclamando da decisão e, em 24 horas, voltou atrás. A tira retornou na semana seguinte. Ian Katz, editor do suplemento G2 e responsável pela retirada, escreveu no blog dos editores: "Desculpem-me, mais uma vez, por eu ter deixado vocês, e as centenas de outros fãs que ligaram para nossa central ou escreveram ao endereço de comentários, tão irritados."[248] Alguns leitores, porém, reclamaram que o prazo de fechamento mais cedo da seção esportiva em cores prejudicava a cobertura de partidas de futebol encerradas tarde da noite nas edições destinadas a certas regiões do país.

O investimento foi acompanhado por crescimento da circulação. Em dezembro de 2005, as vendas médias diárias chegaram a 380.693 exemplares, quase 6% acima de dezembro de 2004.[249] Em dezembro de 2012, porém, a circulação havia caído para 204.222.[250] Em 2006, a Society for News Design, dos Estados Unidos, escolheu The Guardian e o diário polonês Rzeczpospolita como os jornais de melhor design do mundo, entre 389 inscritos de 44 países.[251]

Formato tabloide desde 2018

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Em junho de 2017, o Guardian Media Group anunciou que The Guardian e The Observer seriam relançados em formato tabloide no começo de 2018.[252] A data de lançamento foi marcada para 15 de janeiro de 2018. O grupo também assinou contrato com a Trinity Mirror, editora do Daily Mirror, Sunday Mirror e Sunday People, para terceirizar a impressão dos dois jornais.[253]

A mudança pretendia reduzir despesas ao permitir a impressão em um conjunto maior de gráficas. A terceirização para instalações da Trinity Mirror deveria economizar milhões de libras por ano. O plano fazia parte de um programa de três anos que previa cortar 300 empregos e eliminar os prejuízos até 2019.[252][1] O papel e a tinta permaneceram os mesmos, e o tamanho da fonte aumentou ligeiramente.[254]

Uma avaliação das reações dos leitores no fim de abril de 2018 apontou aumento das assinaturas depois da mudança de formato. Os editores ainda trabalhavam em aspectos que haviam gerado reclamações.[254]

Em julho de 2018, o cabeçalho do novo tabloide foi alterado para azul-escuro.[255]

Mídia online

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The Guardian e seu antigo periódico irmão aos domingos, The Observer, publicam suas notícias na internet com acesso gratuito às matérias recentes e a um arquivo de três milhões de textos. Um terço dos acessos ao site corresponde a material com mais de um mês.[256] Em maio de 2013, era o site de jornal mais popular do Reino Unido, com 8,2 milhões de visitantes únicos mensais, pouco à frente do Mail Online, com 7,6 milhões.[257] Em abril de 2011, MediaWeek o havia colocado como o quinto site de jornal mais popular do mundo.[258] Os jornalistas utilizam uma ferramenta de análise chamada Ophan, desenvolvida internamente, para acompanhar dados sobre matérias e público.[259] O número de leitores na internet havia caído acentuadamente em julho de 2021.[260]

O jornal lançou em 2009 um aplicativo para iOS.[261] A versão para Android chegou em 2011.[262] Em 2018, os aplicativos e o site para dispositivos móveis foram reformulados junto com o relançamento da edição impressa em tabloide.[263]

A seção Comment is Free reúne colunas de jornalistas do periódico, comentaristas regulares, convidados e respostas de leitores. Inclui os artigos de opinião da edição impressa e muitos textos publicados apenas na internet. Moderadores podem excluir comentários e banir usuários quando entendem que as regras foram ultrapassadas, sem direito a recurso. O jornal adotou uma política que chama de "aberta" para a distribuição de notícias e criou uma plataforma que permite a desenvolvedores externos usar seu conteúdo em aplicativos e também enviar conteúdo de terceiros à rede do Guardian.[264] O jornal também manteve fóruns conhecidos por combinar discussão política com humor. Eles foram encerrados em 25 de fevereiro de 2011 depois do acordo de um processo por difamação iniciado após meses de assédio a um ativista do Partido Conservador.[265][266] Os fóruns eram parodiados na coluna humorística Chatroom do suplemento G2, que fingia reproduzir trechos de uma sala de bate-papo em permachat.co.uk, endereço real que redirecionava para os fóruns do jornal.

Em agosto de 2013, a Guardian Multimedia lançou, com a Arte, o programa de internet Thinkfluencer.[267]

Em 2004, o jornal também criou o site de relacionamentos Guardian Soulmates.[268] O serviço encerrou as atividades em 1 de julho de 2020 com a explicação: "O mundo dos encontros pela internet é muito diferente do que era quando lançamos nosso serviço, em julho de 2004. Há tantos aplicativos de relacionamento, tantas maneiras de conhecer pessoas, muitas delas gratuitas e muito rápidas."[269]

Uma versão americana do antigo site Guardian Unlimited, chamada Guardian America, tentou conquistar mais leitores dos Estados Unidos, mas foi abandonada em outubro de 2009.[114]

The Guardian lançou uma versão `.onion` de seu site na rede Tor em maio de 2022,[270] com auxílio de Alec Muffett.[271]

Em 2025, o jornal, em colaboração com a Universidade de Cambridge, implementou no aplicativo móvel um recurso de mensagens seguras para que fontes jornalísticas pudessem comunicar-se com a redação. As mensagens são disfarçadas entre outros dados trocados com milhões de usuários do aplicativo, ocultando de investigadores não só o conteúdo, mas também o fato de que existe uma comunicação. A medida foi concebida para proteger denunciantes que poderiam correr perigo caso autoridades descobrissem o contato.[272] O código-fonte foi publicado sob a licença Apache 2.0, acompanhado de documentação sobre seu funcionamento.[273]

O jornal entrou no mercado de podcasts em 2005 com uma série semanal de doze episódios apresentada por Ricky Gervais.[274] Em janeiro de 2006, o programa liderava o ranking de podcasts do iTunes, com dois milhões de downloads no mundo,[275] e estava previsto para entrar no Guinness Book of Records de 2007 como o podcast mais baixado.[276]

The Guardian produz podcasts regulares de seus jornalistas. Entre eles está Today in Focus, podcast diário de notícias lançado em 1 de novembro de 2018 e inicialmente apresentado por Anushka Asthana. A produção teve bom desempenho desde o lançamento[277] e tornou-se um dos podcasts mais baixados do Reino Unido.[277][278][279]

GuardianFilms

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Em 2003, The Guardian criou a produtora GuardianFilms, chefiada pela jornalista Maggie O'Kane. Grande parte do trabalho da empresa consiste em documentários para televisão. Entre suas produções estiveram Baghdad Blogger, de Salam Pax, feito para o Newsnight da BBC Two e parcialmente exibido em compilações da CNN International, além de Sex on the Streets e Spiked, produzidos para o Channel 4 britânico.[280]

GuardianFilms recebeu prêmios de televisão. Além de dois Amnesty International Media Awards, em 2004 e 2005, The Baghdad Blogger: Salam Pax recebeu um prêmio da Royal Television Society em 2005. Baghdad: A Doctor's Story ganhou o Emmy de melhor filme internacional de atualidades em 2007.[281] Em 2008, Inside the Surge, do fotojornalista Sean Smith, recebeu o prêmio da Royal Television Society de melhor filme internacional de notícias, a primeira vez que um jornal venceu essa categoria.[282][283] No mesmo ano, o site Katine recebeu um prêmio da One World Media por seu trabalho em novas mídias. Também em 2008, uma reportagem em vídeo feita secretamente pela GuardianFilms sobre manipulação de votos pelo partido ZANU-PF de Robert Mugabe durante a eleição do Zimbábue de 2007 venceu a categoria de melhor programa de notícias do ano nos Broadcast Awards.[281][284]

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O apelido The Grauniad, às vezes abreviado como "Graun", surgiu na revista satírica Private Eye.[285] A brincadeira fazia referência à antiga reputação do The Guardian por erros tipográficos frequentes, incluindo uma ocasião em que seu próprio nome apareceu como The Gaurdian.[286]

O primeiro número do jornal continha erros, entre eles um anúncio de que mercadorias seriam vendidas em breve em "atction", em vez de "auction". Os erros tipográficos tornaram-se menos frequentes depois do fim da composição por metal quente.[287] Keith Devlin, colaborador do jornal, propôs que o grande número de erros percebidos poderia estar relacionado mais à atenção dos leitores do que a uma frequência realmente maior de falhas.[288] O jornal foi impresso em Manchester até 1961, e as cópias transportadas de trem para Londres eram edições fechadas mais cedo e, portanto, mais sujeitas a erros, algo que pode ter reforçado essa imagem.[289][286] Quando John Cole foi nomeado editor de notícias por Alastair Hetherington em 1963, tornou mais profissional uma operação até então relativamente "amadora".[290]

Funcionários do The Guardian ou do The Observer foram retratados nos filmes The Fifth Estate (2013), Snowden (2016) e Official Secrets (2019). Paddy Considine interpretou um jornalista fictício do Guardian em The Bourne Ultimatum (2007), e Keira Knightley interpretou uma jornalista fictícia do periódico em The Woman in Cabin 10 (2025).

A expressão "Guardian reader" também é usada para caracterizar uma pessoa de opiniões progressistas, de esquerda ou "politicamente corretas".[211]

Recebidos

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The Guardian recebeu nos British Press Awards o prêmio de National Newspaper of the Year em 1998, 2005,[291] 2010[292] e 2013,[293] além de Front Page of the Year em 2002, pela primeira página "A declaration of war", de 12 de setembro de 2001.[291][294] Também dividiu o título World's Best-Designed Newspaper da Society for News Design em 2005, 2007, 2013 e 2014.[295]

Nos Press Awards de 2024, The Guardian e The Observer receberam seis prêmios. Em 2025, uma investigação do Guardian sobre o Mossad e a colunista Marina Hyde estiveram entre os vencedores. Nos Press Awards de 2026, Pippa Crerar, Simon Hattenstone, Malak A Tantesh, Pamela Duncan e Charlotte Edwardes venceram categorias individuais, Missing in the Amazon recebeu o prêmio de podcast de notícias e a primeira página "American Dread" venceu sua categoria.[296][297][298]

Jornalistas do Guardian receberam British Press Awards nas seguintes categorias:

  • Reporter of the Year: Nick Davies, 2000,[299] Paul Lewis, 2010,[300] Rob Evans e Paul Lewis, 2014.[301]
  • Foreign Reporter of the Year: James Meek, 2004,[302] e Ghaith Abdul-Ahad, 2008.[303]
  • Scoop of the Year: reportagem sobre a invasão do telefone de Milly Dowler, 2012.[304]
  • Young Journalist of the Year: Emma Brockes, 2001,[305] e Patrick Kingsley, 2013.[306]
  • Columnist of the Year: Polly Toynbee, 2007,[307] e Charlie Brooker, 2009.[308]
  • Critic of the Year: Marina O'Loughlin, 2015.[309]
  • Feature Writer of the Year: Emma Brockes, 2002,[305] Tanya Gold, 2009,[308] e Amelia Gentleman, 2010.[292]
  • Cartoonist of the Year: Steve Bell, 2003.[310]
  • Political Journalist of the Year: Patrick Wintour, 2006, e Andrew Sparrow, 2010.[292]
  • Science & Health Journalist of the Year: Sarah Boseley, 2016.[311]
  • Business & Finance Journalist of the Year: Ian Griffiths, 2005,[312] e Simon Goodley, 2014.[313]
  • Interviewer of the Year: Decca Aitkenhead, 2008.[314]
  • Sports Reporter of the Year: David Lacey, 1997 e 2002.[315]
  • Sports Photographer of the Year: Tom Jenkins, 2003, 2005, 2006 e 2015.[316]
  • Website of the Year: guardian.com/uk, 1999, 2001,[317] 2007,[318] 2008, 2015[319] e 2020.[320]
  • Digital Journalist of the Year: Dan Milmo, 2001,[321] Sean Smith, 2008,[322] e Dave Hill, 2009.[323]
  • Supplement of the Year: Guardian's Guides to..., 2007,[324] e Weekend Magazine, 2015.[325]
  • Special Supplement of the Year: World Cup 2010 Guide, 2010.[292]

Outros prêmios incluem:

  • Bevins Prize de jornalismo investigativo, Paul Lewis, 2010.[326]
  • Martha Gellhorn Prize for Journalism, Nick Davies, 1999, Chris McGreal, 2003, Ghaith Abdul-Ahad, 2005,[327] e Ian Cobain, 2009.[328]

A cobertura ambie