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Confrontos entre Hezbollah e Israel em 2026

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Confrontos entre Hezbollah e Israel em 2026
Guerra do Irã em 2026
Data2 de março de 2026 – presente
LocalNorte de Israel e Líbano
SituaçãoEm andamento
  • Em 16 de março, após duas semanas de bombardeios, Israel inicia uma grande operação militar terrestre no sul do Líbano.[1]
Beligerantes
 Israel  Hezbollah
Movimento Amal
Irã
Comandantes
Benjamin Netanyahu Naim Qassem
Mohammad Raad
Baixas
2 soldados mortos[2]
15 soldados feridos[3][4]
~100 Merkavas destruídos[5]
350+ membros do Hezbollah mortos[6]

Em 2 de março de 2026, durante a guerra em curso com o Irã entre Israel e os Estados Unidos, o Hezbollah, um aliado iraniano e proxy no Líbano, começou a lançar ataques com mísseis contra Israel em retaliação pelo assassinato do líder supremo iraniano Ali Khamenei. Em resposta, Israel iniciou ataques contra Beirute, capital libanesa. O episódio representa uma grande escalada no amplo conflito regional no Oriente Médio.[7]

O governo libanês condenou publicamente os ataques do Hezbollah contra Israel, alegando que estes colocavam em risco e minavam o Estado libanês. Tomou medidas para proibir as atividades militares do Hezbollah, instou o grupo a colocar as suas armas sob controlo governamental e a cessar os ataques não autorizados a partir do território libanês. O governo libanês condenou também a ocupação planeada e os ataques de Israel contra civis.[8][9] O Irão exigiu o fim dos ataques israelitas no Líbano como condição para um cessar-fogo mais alargado. Em Abril, foi acordado um cessar-fogo temporário entre o Irão e os EUA-Israel, e o Hezbollah afirmou ter também interrompido os seus ataques. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o cessar-fogo não se aplicava ao Líbano, contradizendo o Irão e o mediador paquistanês Shehbaz Sharif. Horas após o anúncio do cessar-fogo, Israel lançou os seus maiores ataques aéreos da guerra, matando mais de 250 pessoas.[10]

Antecedentes

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Após o início da Guerra de Gaza em outubro de 2023, Israel e a milícia xiita libanesa Hezbollah entraram em confronto, como parte de um período mais longo de hostilidades entre ambos desde a fundação do grupo em 1982. O Hezbollah lançou ataques contra Israel por um ano após os ataques de 7 de outubro em solidariedade a militantes palestinos. Em resposta, Israel invadiu o sul do Líbano em outubro de 2024, retirando-se após um cessar-fogo mediado pelos EUA no fim de novembro, mas não antes de matar o líder do Hezbollah, o clérigo Hasan Nasrallah. Entre novembro de 2024 e março de 2026, contudo, ocorreram diversas violações do cessar-fogo, com Israel ainda lançando ataques quase diários contra o Líbano um ano após o acordo.[11]

Em 28 de fevereiro de 2026, Estados Unidos e Israel iniciaram uma campanha conjunta de ataques contra o Irã, culminando uma crise geopolítica iniciada no começo do ano. O Hezbollah condenou os ataques, afirmando: “estamos confiantes de que o inimigo americano e israelense receberá um grande golpe e colherá apenas fracasso de sua agressão tirânica e criminosa”.[12] Durante a campanha, ataques israelenses mataram o Líder Supremo do Irã Ali Khamenei; após a confirmação iraniana de sua morte em 1.º de março, o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, decidiu retaliar e “cumprir nosso dever de confrontar a agressão”, afirmando que o Hezbollah não deixaria “o campo de honra e resistência”.[13]

Em 2 de março, o Hezbollah lançou vários foguetes contra o norte de Israel, a primeira vez que o fazia desde o cessar-fogo de 2024, visando um local de defesa antimísseis ao sul de Haifa. As Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram ter interceptado um foguete originado do Líbano, deixando vários outros caírem em áreas abertas.[14]

Em resposta, jatos israelenses bombardearam a capital libanesa Beirute às 3h da manhã (horário local),[15] emitindo ordens de evacuação a civis em 50 vilas no Sul do Líbano e no Vale do Beqaa.[16] O exército israelense afirmou ter realizado ataques “precisos e direcionados” contra “elementos terroristas seniores da organização terrorista Hezbollah na área de Beirute” e “um elemento terrorista central da organização terrorista Hezbollah no sul do Líbano”.[17] Relatos iniciais sugeriram que os alvos pretendidos eram Naim Qassem e Mohammad Raad.[18] Posteriormente, a Al Hadath relatou que o paradeiro de Raad era desconhecido e que seu corpo estava sendo procurado entre os escombros.[19][20]

Em 16 de março, as Forças de Defesa de Israel anunciaram o início de uma "operação terrestre direcionada contra alvos-chave" no sul do Líbano, com o objetivo de estabelecer "a área de defesa avançada". O Ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que tais operações continuarão até que o Hezbollah deixe de representar uma ameaça às comunidades israelenses no norte do país e descartou o retorno dos libaneses deslocados para suas casas no sul até então. Ele acrescentou que as operações serão semelhantes à invasão israelense da Faixa de Gaza, "assim como foi feito contra o Hamas em Rafah, Beit Hanoun e nos túneis terroristas em Gaza". O Secretário-Geral do Hezbollah, Naim Qassem, foi designado como alvo para eliminação.[1]

O Ministério da Saúde do Líbano informou pelo menos 31 mortos e 149 feridos nos ataques, sendo 20 mortos e 91 feridos nos subúrbios do sul de Beirute e 11 mortos e 58 feridos no sul do Líbano.[17] O deslocamento de civis foi significativo, com famílias fugindo das áreas do sul para cidades como Sidon.[7]

À tarde, as FDI anunciaram que o chefe do quartel-general de inteligência do Hezbollah, Hussein Makled, foi morto nos ataques noturnos em Beirute. A mídia local também relatou a morte do irmão do falecido Mohammad Hussein Fadlallah junto com sua esposa como resultado dos ataques em Haret Hreik.[21]

A 16 de março, foi reportado que o conflito já tinha deixado pelo menos 912 mortos e mais de dois mil feridos no Líbano. Além disso, mais de 800 000 libaneses abandonaram suas casas.[22]

Reações

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Em 2 de março de 2026, o primeiro-ministro libanês Nawaf Salam condenou os ataques com foguetes e drones do Hezbollah a partir do sul do Líbano, chamando-os de atos irresponsáveis fora da autoridade do Estado libanês que colocam em risco a segurança nacional. Embora tenha enfatizado que toda ação militar deve estar sob controle do governo, não declarou formalmente o Hezbollah ilegal, concentrando-se em impedir operações armadas não autorizadas.[23][24]

Após uma reunião emergencial do gabinete realizada no início do dia diante da escalada dos ataques, Salam anunciou a proibição total de todas as atividades militares do Hezbollah, exigindo que o grupo entregue suas armas ao Estado e se restrinja apenas a atividades políticas. Ele afirmou que decisões sobre guerra e paz pertencem exclusivamente ao Estado, rejeitando quaisquer ações não autorizadas a partir do território libanês, e pediu às forças de segurança que impeçam tais violações e prendam os responsáveis.[17]

A Agência Nacional de Notícias informou que o ministro da Justiça, Adel Nassar, solicitou ao procurador público junto ao Tribunal de Cassação, Jamal Hajjar, e ao comissário do governo no Tribunal Militar que encarregassem as forças de segurança de prender imediatamente os envolvidos no lançamento de foguetes do sul do Líbano contra Israel.[17]

Ver também

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Referências

  1. 1 2 Fabian, Emanuel (16 de março de 2026). «IDF begins 'targeted ground operation' to expand south Lebanon buffer against Hezbollah». The Times of Israel (em inglês). ISSN 0040-7909. Consultado em 16 de março de 2026
  2. «Two IDF soldiers killed in Hezbollah ambush in Lebanon». The Jerusalem Post (em inglês). 8 de março de 2026. Consultado em 8 de março de 2026
  3. «Israel killed 200 Hezbollah fighters in Lebanon, IDF says». The Jerusalem Post (em inglês). 8 de março de 2026. Consultado em 8 de março de 2026
  4. «Update from Aaron Boxerman». The New York Times (em inglês). 4 de março de 2026. ISSN 0362-4331. Consultado em 4 de março de 2026
  5. «'Merkava massacre': Hezbollah destroys nearly 100 Israeli tanks—$6mn each—in weeks». Press TV. 27 de março de 2026. Consultado em 27 de março de 2026
  6. «IDF strikes Hezbollah terrorists carrying rockets into south Lebanon weapons depot». The Jerusalem Post (em inglês). 14 de março de 2026. Consultado em 14 de março de 2026
  7. 1 2 Ravid, Barak (2 de março de 2026). «Hezbollah launches missiles at Israel from Lebanon, Israeli military says». Axios (em inglês). Consultado em 2 de março de 2026
  8. Christou, William (2 de março de 2026). «Israel strikes Lebanon after Iran ally Hezbollah fires missiles over border». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 16 de março de 2026
  9. Sukarieh, Mayssoun (14 de março de 2026). «Lebanon's existential war with Israel is being fought from within». Mondoweiss (em inglês). Consultado em 16 de março de 2026
  10. «Israeli strikes pummel Lebanon, killing 250 in deadliest day of war». Reuters. Consultado em 9 de abril de 2026
  11. Roger Cohen; David Guttenfelder (26 de novembro de 2025). «'Imperial Israel' in the New Middle East». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 2 de março de 2026
  12. «Iran's weakened proxies condemn US-Israeli strikes without carrying out retaliatory attacks». CNN (em inglês). 28 de fevereiro de 2026. Consultado em 2 de março de 2026
  13. «Live updates: Trump says Iran operation could take "four weeks or less," 3 U.S. troops killed». CBS News (em inglês). 1 de março de 2026. Consultado em 2 de março de 2026
  14. Lehmann, Noam (2 de março de 2026). «Hezbollah confirms it fired rockets at Israel as 'revenge' for Khamenei». The Times of Israel (em inglês). ISSN 0040-7909. Consultado em 2 de março de 2026
  15. Christou, William (2 de março de 2026). «Israel strikes Hezbollah in Lebanon after Iran-allied group launches missiles over the border». The Guardian (em inglês)
  16. «Israel bombs Beirut after Hezbollah launches rocket attack». Al Jazeera (em inglês). Consultado em 2 de março de 2026
  17. 1 2 3 4 «Israel issues dozen evacuation orders to residents of Burj al-Barajneh, Bekaa and the South; threatens strikes on al-Qard al-Hassan | LIVE». L'Orient Today (em inglês). 2 de março de 2026. Consultado em 2 de março de 2026
  18. Lehmann, Noam (2 de março de 2026). «Head of Hezbollah parliamentary bloc said killed in IDF strike on Beirut». The Times of Israel (em inglês). ISSN 0040-7909. Consultado em 2 de março de 2026
  19. «"الحدث": البحث عن جثة نائب أمين عام حزب الله محمد رعد لا يزال مستمراً». MTV Lebanon (em inglês). Consultado em 2 de março de 2026
  20. «Hezbollah Parliamentary Chief Mohammad Raad Killed In Israeli Airstrikes On Beirut» (em inglês). Consultado em 2 de março de 2026
  21. «استشهاد شقيق الراحل السيد محمد حسين فضل الله وزوجته في الغارة الإسرائيلية على حارة حريك». Lebanon24 (em árabe). 1 de março de 2026. Consultado em 2 de março de 2026
  22. «Death toll from Israeli attacks on Lebanon rises to 912». Al Jazeera. 17 de março de 2026
  23. «« Rébellion » et « pure folie » : au Liban, les responsables condamnent en bloc les tirs du Hezbollah sur Israël». L'Orient-Le Jour (em francês). 2 de março de 2026. Consultado em 2 de março de 2026
  24. «PM Salam affirms no military action outside state authority in rebuke to Hezbollah». LBCIV7 (em inglês). Consultado em 2 de março de 2026