Sismos na Venezuela de 2026
Este artigo ou se(c)ção trata de um sismo recente. |
Cidadãos venezuelanos conduzindo operações de busca e resgate em edifícios destruídos e colapsados em La Guaira | |
| Epicentro | 24 km a ENE de San Felipe, Iaracui; 16 km a SO de Morón, Carabobo |
|---|---|
| Profundidade | 21,9 km e 10 km |
| Magnitude | 7,2 e 7,5 Mw MW |
| Intensidade máx. | IX (desastroso) - X (destruidor) |
| Data | 24 de junho de 2026 22h04min33s e 22h05min11s UTC 18h04min33s e 18h05min11s (VET, UTC−4) |
| Vítimas | Pelo menos 4 118 mortos e 12 666 feridos;[1][2] 15 866 pessoas desalojadas[3] |
Sismos na Venezuela de 2026 foram dois sismos de forte magnitude ocorridos em sucessão em 24 de junho de 2026, no centro-norte da Venezuela. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o primeiro ocorreu às 22h04min33s UTC, a 24 km a leste-nordeste de San Felipe, no estado de Iaracui, e teve magnitude de momento de 7,2 e profundidade de 21,9 km. O segundo, de magnitude 7,5 e a 10 km de profundidade, ocorreu 38 segundos depois, a 16 km a sudoeste de Morón, no estado de Carabobo.[4][5]
Os abalos foram sentidos em Caracas, em diversas regiões venezuelanas, na Colômbia e no norte do Brasil. Em Bogotá e Bucaramanga, foram relatadas evacuações preventivas de alguns edifícios. No Brasil, moradores de Manaus relataram ter sentido o tremor, enquanto em Belém ocorreram evacuações preventivas de prédios em alguns bairros.[6][7][8][9]
Em 10 de julho, o balanço oficial vítimas foi actualizado para 4 118 mortos e 12 666 feridos.[1][2] No último balanço governamental detalhado sobre os danos, divulgado em 29 de junho, 15 866 pessoas tinham ficado desalojadas e 855 edifícios tinham sido avaliados como danificados, dos quais 189 colapsaram totalmente.[3]
Em 28 de junho, a plataforma promovida pela oposição registava pouco menos de 50 000 pessoas sem contacto, número inferior aos cerca de 55 000 registados no dia anterior. A agência distinguiu esses registos do balanço governamental, que se referia a centenas de pessoas desaparecidas ou soterradas. Os números da plataforma não equivalem, portanto, a uma contagem oficial de desaparecidos, podendo incluir pessoas incomunicáveis devido às falhas de rede, registos duplicados ou casos ainda não verificados individualmente.[10] Em 1 de julho, a Reuters referiu ainda uma lista informal amplamente utilizada que registava 40 567 pessoas dadas como desaparecidas, sem a apresentar como balanço oficial.[11]
Contexto tectónico
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O norte da Venezuela situa-se numa fronteira tectónica complexa entre a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana. De acordo com a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (FUNVISIS), a interacção entre estas placas origina uma ampla zona de falhas activas no norte do país.[12]
O movimento relativo entre ambas as placas é oblíquo e a deformação não se concentra numa única falha, distribuindo-se por uma larga faixa de estruturas activas, incluindo falhas de desligamento lateral e estruturas compressivas.[13]
Entre os principais sistemas de falhas quaternárias do norte e noroeste venezuelano encontram-se os sistemas Boconó–San Sebastián–El Pilar e Oca–Ancón. A cartografia do USGS identifica numerosas falhas activas ou potencialmente activas, tanto no território continental como na margem marítima adjacente.[13]
Segundo Feliciano De Santis, presidente da Sociedade Geológica Venezuelana e professor da Universidade Central da Venezuela, as falhas activas do norte do país são predominantemente transcorrentes, pelo que os grandes sismos tendem a ter períodos de recorrência mais longos do que em zonas de subducção. O geólogo afirmou que cerca de 80% da população venezuelana vive sobre as falhas transcorrentes mais activas e que as principais cidades se situam junto à fronteira entre as placas Sul-Americana e das Caraíbas.[14]
Sismos
[editar | editar código]O Serviço Geológico dos Estados Unidos classificou os dois eventos principais como um dupleto sísmico, isto é, uma sequência de dois sismos fortes ocorridos próximos no tempo e no espaço. Segundo o organismo, o primeiro abalo, de magnitude 7,2, constituiu um sismo premonitório ou evento precursor, seguido 38 segundos depois pelo sismo principal, de magnitude 7,5.[15][16] Nas primeiras horas após o evento, várias agências noticiosas referiram para o primeiro abalo uma magnitude preliminar de 7,1 e uma profundidade de cerca de 13 km; o catálogo do USGS passou, contudo, a identificá-lo como de magnitude 7,2 e profundidade de 21,9 km.[4][6][17]

Após os sismos, o sistema norte-americano de alerta de tsunamis emitiu inicialmente comunicações para Porto Rico e as Ilhas Virgens, bem como advertências sobre possíveis ondas perigosas para ilhas do Caribe Holandês, incluindo Aruba, Curaçau e Bonaire. O alerta foi retirado cerca de uma hora depois, quando o sistema concluiu que já não subsistia ameaça de tsunami para as regiões abrangidas.[6]
A actividade de réplicas prolongou-se nos dias seguintes. Na manhã de 25 de junho, Delcy Rodríguez informou que tinham sido registadas cerca de 30 réplicas desde os dois sismos principais; às 9h29, a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (FUNVISIS) elevou o número para 38, indicando que a mais recente ocorrera a 8 km a oeste de Naiguatá, com magnitude de 2,5. Mais tarde, Jorge Rodríguez declarou que o total se aproximava de 140.[18][19][20][21] Em 26 de junho, Rodríguez afirmou que tinham sido registadas 214 réplicas e que dezenas de pessoas tinham sido resgatadas com vida dos escombros.[22]
No mesmo dia, às 18h02 e 18h16 (VET), ocorreram dois outros abalos no centro-norte do país. O primeiro, de magnitude 2,9, foi localizado a 17 km a noroeste de San Felipe. Para o segundo, junto à costa do estado de Aragua, a FUNVISIS indicou magnitude 4,9, profundidade de 4,6 km e epicentro a 50 km a noroeste de La Victoria, enquanto o USGS divulgara inicialmente uma magnitude preliminar de 5,4 e uma localização aproximada 44 km a norte de Maracay. O abalo foi sentido em Aragua, Carabobo, Miranda, La Guaira e no Distrito Capital, incluindo Caracas e Maracay, sem danos ou vítimas imediatamente comunicados.[23][24]
Em 27 de junho, as réplicas continuavam a ser sentidas em Caracas e nas zonas mais afectadas, incluindo uma de magnitude 4,8, cuja hora e localização precisa não foram indicadas pela fonte.[25] No mesmo dia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Espanha referiu que já tinham sido registadas cerca de 430 réplicas; em 28 de junho, Jorge Rodríguez elevou o total para 512.[26][27]
Em 29 de junho, a FUNVISIS registou duas réplicas no estado de La Guaira. A primeira, às 7h01, teve magnitude 4,2, profundidade de 2,9 km e epicentro a 10 km a leste de La Guaira; o USGS estimou a magnitude em 4,6, enquanto o Serviço Geológico Colombiano indicou 5,1. A segunda, às 7h19, teve magnitude 2,7, profundidade de 5 km e epicentro a 10 km a sudeste de La Guaira. Segundo Jorge Rodríguez, não foram comunicados danos adicionais após o primeiro abalo.[28][29] Mais tarde, Rodríguez referiu 609 réplicas desde os sismos principais; em 30 de junho, o total subira para 689.[30][31] Numa síntese divulgada em 2 de julho, a EFE indicou que o número de réplicas tinha ultrapassado 780. A FUNVISIS comunicara quase 20 abalos no dia anterior; o mais forte teve magnitude 3,6, ocorreu às 6h28 e foi localizado a cerca de 50 km da costa de Miranda.[32]
| Sismo | Hora (UTC) | Hora local (VET) | Magnitude | Profundidade | Localização aproximada | Mapa de intensidade estimada |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Primeiro | 22h04min33s | 18h04min33s | 7,2 Mw | 21,9 km | 24 km a ENE de San Felipe, Iaracui | |
| Segundo | 22h05min11s | 18h05min11s | 7,5 Mw | 10 km | 16 km a SO de Morón, Carabobo |
Estimativa de impacto
[editar | editar código]O sistema Prompt Assessment of Global Earthquakes for Response (PAGER), do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), classificou o evento com alerta vermelho, indicando a probabilidade de numerosas vítimas, danos extensos e desastre de alcance generalizado.[33]
Uma avaliação preliminar da NASA, baseada em imagens de radar dos satélites Sentinel-1 da Agência Espacial Europeia, estimou que 58 870 edifícios tinham sido danificados ou destruídos na região afectada.[29] Em 29 de junho, uma análise do programa Copernicus identificou 434 edifícios totalmente colapsados e outros 1 304 potencialmente danificados na área afectada pelos sismos.[34]
Segundo estimativa divulgada pelo USGS e noticiada pelo El País, havia uma probabilidade de 42% de o número de mortos ficar entre 10 000 e 100 000 pessoas, 33% de ficar entre 1 000 e 10 000, 17% de ultrapassar 100 000 e 8% de ficar entre 100 e 1 000. A estimativa económica preliminar apontava para perdas equivalentes a 1% a 7% do produto interno bruto venezuelano. Estas estimativas são probabilísticas e destinam-se ao apoio às operações de emergência, não constituindo um balanço oficial de vítimas nem uma previsão definitiva da evolução do desastre.[4][35]
A Organização Internacional para as Migrações estimou que 6,76 milhões de pessoas poderiam ter sido afectadas pelos sismos, incluindo cerca de dois milhões em Caracas, num cálculo preliminar destinado a orientar a resposta humanitária. Uma análise inicial de imagens de satélite, realizada com o Microsoft AI for Good Lab, indicou que 31,5% dos edifícios de Catia La Mar poderiam ter sofrido danos, correspondendo a cerca de 100 edifícios; por assentar em modelização remota, esta estimativa não corresponde a um levantamento oficial de campo.[36]
Em 26 de junho, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estimou preliminarmente, com base numa avaliação por satélite do sistema RAPIDA, danos físicos directos de 6,7 mil milhões de dólares norte-americanos, equivalentes a cerca de 6% do produto interno bruto venezuelano. A estimativa indicou um intervalo entre 4,7 e 8,7 mil milhões de dólares e foi impulsionada sobretudo por perdas em habitação e activos económicos; não incluiu danos nas infra-estruturas, perturbações económicas mais amplas nem custos de reconstrução a longo prazo.[37] Segundo estimativa preliminar do PNUD divulgada pela Agência Venezuelana de Notícias, os sismos geraram cerca de 1,2 milhões de toneladas de escombros no estado de La Guaira. Cerca de 915 mil toneladas correspondiam a estruturas danificadas e 332 mil a bens domésticos; Catia La Mar, Caraballeda e Urimare eram as zonas com maior impacto estimado. O cálculo, elaborado com a ferramenta Rapida a partir de imagens de satélite, inteligência artificial e dados de engenharia, permanecia sujeito a actualização.[38]
Em 2 de julho, a empresa de modelação de riscos Verisk estimou que as perdas económicas provocadas pelos sismos ultrapassariam 10 mil milhões de dólares. A empresa situou os danos mais severos na região metropolitana de Caracas e no estado de La Guaira, onde estimou que cerca de 1 400 edifícios tinham sido destruídos. A Verisk advertiu que a estimativa das perdas seguradas apresentava incerteza acima do habitual, devido à inflação elevada, à baixa penetração de seguros e às particularidades do mercado venezuelano, incluindo as sanções. Esta estimativa de perdas económicas não é directamente comparável à avaliação RAPIDA do PNUD, centrada nos danos físicos directos.[39]
Cronologia
[editar | editar código]A cronologia seguinte resume os principais acontecimentos registados desde os sismos de 24 de junho de 2026:
| Data | Hora local (VET) | Evento | Fonte |
|---|---|---|---|
| 24 de junho | 18h04min33s | Ocorreu o primeiro sismo, de magnitude 7,2, com epicentro a 24 km a leste-nordeste de San Felipe, no estado de Iaracui. | [4] |
| 24 de junho | 18h05min11s | Ocorreu o segundo sismo, de magnitude 7,5, com epicentro a 16 km a sudoeste de Morón, no estado de Carabobo. | [5] |
| 24 de junho | Fim da tarde | Foram relatadas evacuações preventivas em Caracas, noutras regiões venezuelanas, na Colômbia e no norte do Brasil. | [6][7][8][9] |
| 24 de junho | Fim da tarde / noite | Surgiram os primeiros relatos de colapsos e danos graves em edifícios de Caracas, incluindo em Altamira e Los Palos Grandes. | [17][6][40] |
| 24 de junho | Noite | O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, foi encerrado devido a danos na infra-estrutura e ao cancelamento das operações aéreas. | [41] |
| 24 de junho | Noite | Delcy Rodríguez declarou emergência nacional, anunciou a suspensão das aulas, do Metro de Caracas, dos serviços ferroviários e das actividades não essenciais, e pediu que a população evitasse edifícios afectados. | [33][42] |
| 25 de junho | Madrugada | Prosseguiram operações de busca e salvamento em edifícios colapsados em Caracas, incluindo em Chacao, Altamira e Los Palos Grandes. | [33][42] |
| 25 de junho | Não divulgada | Delcy Rodríguez actualizou o balanço provisório para pelo menos 164 mortos e 971 feridos e informou que tinham sido registadas cerca de 30 réplicas desde os dois sismos principais. | [18] |
| 25 de junho | 08h27 | Uma réplica de magnitude 3,3, com profundidade de 5 km e epicentro a 16 km a leste de Los Teques, foi sentida em Caracas e no estado de Miranda. | [43] |
| 25 de junho | 09h29 | A FUNVISIS informou ter registado 38 réplicas desde o dupleto sísmico. | [20] |
| 25 de junho | Após as 13h | O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, elevou o balanço provisório para pelo menos 188 mortos, 1 520 feridos e 157 desaparecidos. O Governo informou igualmente que mais de 200 pessoas sob os escombros tinham sido localizadas, mais de 2 200 famílias tinham sido afectadas e que 250 estruturas tinham sofrido danos ou sido destruídas. | [44][16] |
| 25 de junho | Tarde | Jorge Rodríguez informou que tinham sido registadas cerca de 140 réplicas desde o dupleto sísmico. | [21] |
| 25 de junho | Noite | O ministro da Saúde, Carlos Alvarado, elevou o balanço provisório para pelo menos 235 mortos e 4 300 feridos, mantendo-se oficialmente reportadas 157 pessoas desaparecidas. | [45] |
| 26 de junho | Manhã | Delcy Rodríguez elevou o balanço provisório para pelo menos 589 mortos e 2 980 feridos. Indicou também que dezenas de pessoas tinham sido resgatadas com vida e que tinham sido registadas 214 réplicas. | [46][22] |
| 26 de junho | Tarde | Jorge Rodríguez elevou o balanço provisório para pelo menos 920 mortos e 3 360 feridos. Indicou também que 172 pessoas continuavam presas sob os escombros, que 3 007 tinham sido afectadas e que 383 edifícios, 13 hospitais, 25 centros comerciais e 1 002 outras estruturas tinham sofrido danos. | [46][47] |
| 26 de junho | 18h02 e 18h16 | Ocorreu um sismo de magnitude 2,9 a noroeste de San Felipe, seguido de outro junto à costa de Aragua. A FUNVISIS atribuiu ao segundo magnitude 4,9 e profundidade de 4,6 km; o USGS divulgara inicialmente magnitude preliminar de 5,4. O abalo foi sentido em Caracas, Maracay e outros estados do centro-norte venezuelano, sem danos ou vítimas imediatamente comunicados. | [23][24] |
| 27 de junho | 15h20 | Ocorreu uma réplica de magnitude 4,8, com epicentro no mar, a cerca de 30 km a noroeste de El Limón, no estado de Aragua, e profundidade de 10 km. O abalo foi sentido em Caracas, sem danos imediatamente comunicados. | [48] |
| 27 de junho | Não divulgada | As autoridades venezuelanas elevaram o balanço nacional para pelo menos 1 430 mortos e 3 238 feridos. | [49] |
| 28 de junho | Não divulgada | Jorge Rodríguez elevou o balanço nacional para pelo menos 1 450 mortos e 3 150 feridos. Indicou igualmente que 12 721 famílias tinham sido afectadas, 774 edifícios tinham sido afectados ou colapsado — 189 com danos totais e 585 com danos parciais — e 38 hospitais tinham sofrido danos. | «Última hora del terremoto en Venezuela, en directo» (em espanhol). El País. 28 de junho de 2026. Consultado em 28 de junho de 2026. Cópia arquivada em 1 de julho de 2026 |
| 29 de junho | 07h01 | A FUNVISIS registou uma réplica de magnitude 4,2, com profundidade de 2,9 km e epicentro a 10 km a leste de La Guaira. O USGS estimou a magnitude em 4,6 e o Serviço Geológico Colombiano em 5,1; não foram comunicados danos adicionais. | [28][29] |
| 29 de junho | 07h19 | A FUNVISIS registou uma segunda réplica, de magnitude 2,7 e profundidade de 5 km, com epicentro a 10 km a sudeste de La Guaira. | [28] |
| 29 de junho | Não divulgada | Jorge Rodríguez elevou o balanço oficial para 1 719 mortos e 5 034 feridos, 15 866 desalojados, 855 edifícios danificados dos quais 189 colapsaram totalmente. | [3] |
| 30 de junho | Não divulgada | Jorge Rodríguez elevou o balanço oficial para 1 943 mortos e 10 571 feridos. Informou igualmente que 6 461 pessoas tinham sido resgatadas e que tinham sido registadas 689 réplicas desde os sismos de 24 de junho. |
[31] |
| 1 de julho | 18h00 | A presidente interina Delcy Rodríguez decretou sete dias de luto nacional, a partir das 18h, em homenagem às vítimas dos sismos.[50] | [50] |
| 1 de julho | Não divulgada | Foi divulgado um novo balanço oficial de 2 295 mortos e 11 267 feridos. | [2] |
| 2 de julho | Manhã | Hernán Alberto Gil Flores foi resgatado com vida das ruínas do centro comercial Galerías Playa Grande, em Playa Grande, no estado de La Guaira, depois de permanecer soterrado desde os sismos de 24 de junho. | [51][52] |
Impacto
[editar | editar código]Caracas e Grande Caracas
[editar | editar código]Em Caracas, foram evacuados edifícios residenciais, comerciais e de escritórios. A Associated Press relatou o colapso de edifícios e habitações na capital, bem como paredes derrubadas, colunas de pó e danos visíveis em diversos bairros.[17]
A Reuters registou fachadas danificadas, fissuras em paredes, vidros partidos e interrupções de electricidade e de acesso à Internet em sectores de Caracas; foram também relatados danos em edifícios de Valência.[6]
Segundo um primeiro levantamento do jornal venezuelano El Pitazo, registaram-se danos em estruturas nos bairros de Altamira, Los Palos Grandes, Sebucán, Los Ruices, Santa Rosa de Lima, Los Símbolos, La Candelaria, La Pastora e Catia. O levantamento, ainda preliminar, contabilizou seis estruturas afectadas, com os casos mais graves em Altamira, Los Palos Grandes e Playa Grande, no estado de La Guaira, e referiu também um incêndio de grandes proporções noutro edifício.[53]
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, confirmou posteriormente o desabamento de edifícios em Los Palos Grandes e Altamira e informou que várias estruturas deveriam ser inspeccionadas devido a fissuras.[40]
Em La Silsa, no bairro de Catia, no município Libertador, foram registadas cerca de 350 habitações afectadas pelos sismos. Foram relatadas fissuras em pisos e paredes, nas escadarias comunitárias, na rua principal e na infraestrutura da igreja de San Juan María Vianney; as zonas mais afectadas seriam o Tercer Plan e a rua Ezequiel Zamora. Segundo uma moradora, cerca de 45 casas na rua Ezequiel Zamora tinham recebido pedidos de desocupação devido a comprometimento estrutural. Moradores organizaram um acampamento de emergência nas instalações desportivas do sector Río H e iniciaram a construção de um centro de recolha e abrigo solidário nos terrenos da antiga empresa Leche La Silsa. Como medida preventiva, foi suspensa a circulação de veículos pesados nas ruas afectadas, incluindo a linha local de jipes, permanecendo autorizadas apenas motocicletas.[54]
A Efecto Cocuyo noticiou danos em Los Palos Grandes, Altamira e San Bernardino.[55]
Em Baruta, foram assinalados danos na zona de Las Minas. Ocorreram ainda quedas de elementos de paredes na Galerías Ávila, fissuras e desprendimentos de reboco em La California Norte e danos num edifício de San Bernardino.[56] O autarca de Baruta, Darwin González, confirmou três mortos após o colapso de duas habitações no sector de Las Minas. No município de Los Salias, no estado de Miranda, foi confirmada uma morte depois de o piso de um estacionamento ter cedido; a Rodovia Pan-Americana ficou igualmente interrompida por um deslizamento de terra.[57]

Em El Paraíso, as Residências San Judas Tadeos, na zona de Las Fuentes, colapsaram totalmente. Na manhã de 25 de junho, bombeiros retiraram com vida uma menina dos escombros e transportaram-na para um hospital; não foi divulgado um balanço oficial de vítimas do conjunto residencial.[58] O edifício Rita, em San Bernardino, foi igualmente relatado como totalmente colapsado.[21]
O Centro Português de Caracas foi temporariamente encerrado após terem sido observadas gretas no pavimento do terceiro andar e em algumas paredes, bem como uma fissura no chão da zona das piscinas.[59]
Imagens e relatos recolhidos por agências noticiosas mostraram paredes inteiras abatidas, deixando mobiliário exposto para a rua, e colunas de poeira em pelo menos dois bairros da capital. Equipas de emergência foram vistas a entrar nos escombros de um edifício colapsado.[6][17]
Ocorreram também danos no Hospital de Clínicas Caracas: um corredor ficou sem iluminação, com painéis do tecto pendurados por cabos e fragmentos de reboco espalhados pelo chão. Segundo um funcionário citado pela Reuters, foi pedido ao pessoal que reforçasse o turno nocturno para atender a possível entrada de feridos.[6]
O sismo interrompeu uma partida da Liga Mayor de Béisbol Profesional entre os Marineros e os Senadores, no Estádio Universitário de Caracas. Jogadores e espectadores deslocaram-se para o relvado como medida preventiva; a partida e os restantes encontros agendados para aquela tarde foram suspensos.[60]
O jornal espanhol El País relatou o colapso de uma das duas torres de um conjunto residencial de 14 pisos em Los Palos Grandes. Segundo um residente citado pelo jornal, moradores e equipas de resgate retiraram cinco pessoas e um animal de estimação dos escombros.[35]
A alcaldesa de Caracas, Carmen Meléndez, informou que a cidade contabilizava pelo menos 25 mortos, enquanto continuavam as operações de busca e salvamento em edifícios colapsados.[61]
Chacao
[editar | editar código]No município de Chacao, o autarca Gustavo Duque informou inicialmente que quatro edifícios colapsaram em Altamira e Los Palos Grandes e que 18 pessoas tinham sido resgatadas com vida até à noite de 24 de junho. Entre as estruturas destruídas estava o edifício Petunia I, na Primeira Transversal de Los Palos Grandes. Os edifícios Don Pepe, San Felipe I, Obelisco, Sayonara e Nora apresentaram danos estruturais graves e foram evacuados preventivamente.[62] Durante as operações nocturnas de resgate, pelo menos cinco pessoas foram retiradas das Residencias Obelisco, em Altamira, não tendo sido informado o seu estado clínico. No edifício Petunia I, pelo menos 17 residentes foram transportados para a Clínica Ávila.[63]
Em 1 de julho, o autarca Gustavo Duque elevou para mais de 50 o número de mortos no município de Chacao, mantendo em 26 o número de pessoas resgatadas com vida. As buscas continuam activas no edifício Petunia I, tendo sido encerradas as operações no local onde se erguia o edifício Obelisco.[64] Em 2 de julho, Duque actualizou para 62 mortos e 28 pessoas resgatadas com vida o balanço atribuído às operações nos edifícios Don Pepe, Petunia 2 e Obelisco.[65]
Na fase inicial das operações, mais de 500 funcionários de organismos de resgate, segurança e protecção civil estavam mobilizados em Chacao. As praças de Los Palos Grandes e Altamira foram habilitadas como pontos de encontro e apoio à população, com água, assistência médica, paramédicos e instalações sanitárias, nomeadamente para familiares sem contacto com os moradores das zonas afectadas.[62]
Património religioso e artístico
[editar | editar código]As avaliações dos danos em edifícios religiosos e no património artístico da Igreja Católica permaneceram em curso, dificultadas por falhas de electricidade e de comunicações.[66][67]
Em Caracas, o arcebispo Raúl Biord informou que a Catedral de Caracas e cerca de uma dezena de paróquias tinham sofrido danos estruturais. A igreja e a casa paroquial de Pagüita colapsaram; o pároco escapou sem ferimentos. A Igreja de São José de Ñaraulí, na Avenida Fuerzas Armadas, sofreu o colapso do teto da nave direita.[67][68] A igreja de São José, pertencente à paróquia homónima, completara 130 anos em 2019 e era considerada por moradores locais uma das edificações de valor arquitectónico da zona.[69]
Foram igualmente relatados danos estruturais importantes na igreja de Sarría, o templo mais antigo da congregação salesiana no país. O arcebispo referiu que os danos nos templos e no património artístico estavam entre as perdas materiais em avaliação.[67][70]
Segundo informação atribuída ao serviço de imprensa da Arquidiocese de Caracas, sofreram ainda afectações estruturais a Basílica de La Candelaria, a Catedral de Nossa Senhora de Copacabana, em Guarenas, e as igrejas de San Luis Gonzaga, em Chuao; San Juan María Vianney, em La Silsa; San José del Ávila; Nossa Senhora da Encarnação, em El Valle; Sagrado Coração de Jesus, em La Hoyada; Nossa Senhora do Carmo, em Catia; e Nossa Senhora das Mercês, em Altagracia.[68]
A Igreja de Nossa Senhora de Coromoto, na Avenida Las Fuentes, em El Paraíso, sofreu danos estruturais. Não foram relatados feridos no templo, cuja missa tinha terminado pouco antes dos sismos.[58]
O arcebispo percorreu também a igreja de São Bernardino de Siena durante as inspecções aos templos mais afectados, embora a informação então divulgada não especificasse a natureza dos danos naquele edifício.[68]
Estado de La Guaira
[editar | editar código]Nas horas seguintes aos sismos, a presidente encarregada Delcy Rodríguez declarou o estado de La Guaira como zona de desastre. No final de 25 de junho, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, informou que mais de 100 edifícios tinham colapsado no estado, identificando Caraballeda e Catia La Mar como as áreas mais afectadas.[71] Cabello anunciou também o reforço das operações com mais de 100 unidades de maquinaria pesada e a mobilização prevista de 11 500 efectivos da Guarda Nacional, Forças Armadas, polícia e Exército.[71]
Entre as estruturas gravemente afectadas no estado estavam o Eduard's Hotel Boutique, descrito como quase completamente destruído, a Academia Naval da Venezuela e vários edifícios altos em Catia La Mar.[19] O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, afirmou que o hotel era propriedade de madeirenses e que havia pessoas no interior no momento do colapso.[72]
A 26 de junho, a Associated Press identificou o estado de La Guaira como o mais duramente afectado pelos sismos. A Reuters informou que, na cidade de La Guaira, pelo menos 100 edifícios, incluindo prédios residenciais altos, tinham colapsado.[73][46] No mesmo anúncio, Rodríguez determinou a militarização do estado de La Guaira, com o objectivo declarado de facilitar a deslocação das forças no terreno, desobstruir as vias e organizar a distribuição de alimentos e água. Segundo a Reuters, tinham já sido distribuídas 2 600 toneladas de alimentos no estado.[22][46] No balanço divulgado por Jorge Rodríguez, 243 pessoas tinham sido resgatadas no estado de La Guaira, uma das zonas mais atingidas pelos sismos.[74]

Uma análise de imagens de satélite divulgada em 28 de junho identificou pelo menos uma dúzia de pontos com edifícios desabados ao longo da faixa costeira entre Catia La Mar e Caraballeda. As imagens mostraram vários edifícios destruídos junto à praia de Puerto Viejo e seis torres de apartamentos colapsadas em Playa Grande, confirmando a concentração dos danos nesses sectores. Em Macuto, a mesma análise identificou mais de uma dúzia de edifícios completamente destruídos.[75]
Na noite de 26 de junho, as autoridades restringiram o acesso a La Guaira, afirmando que a afluência espontânea de veículos e pessoas dificultava a circulação de ambulâncias, bombeiros, protecção civil e forças de segurança. Os voluntários passaram a ter de se registar no Poliedro de Caracas, ser identificados de acordo com a respectiva área de experiência e receber uma credencial com código QR antes de participar nas operações de apoio.[76][77] Em 27 de junho, Delcy Rodríguez declarou que 14 000 militares e agentes da polícia se encontravam destacados no estado de La Guaira para patrulhamento e medidas sanitárias. A Reuters noticiou que o bloqueio da ligação rodoviária entre La Guaira e Caracas continuava em vigor e que a passagem era condicionada à apresentação de credencial para quem não integrasse equipas oficiais de busca e salvamento.[78] No mesmo dia, a Reuters registou a utilização de maquinaria pesada em sectores de Caraballeda e Los Corales, embora moradores continuassem a relatar diferenças no ritmo da resposta entre as áreas afectadas.[78] Uma reportagem posterior descreveu congestionamentos recorrentes na estrada entre Caracas e La Guaira, provocados pela chegada simultânea de veículos de socorro, carregamentos civis, maquinaria pesada e pessoas que procuravam familiares. A saturação da via dificultou a circulação de ambulâncias e outros meios de emergência antes do reforço dos controlos de acesso.[79]
Em 2 de julho, o Ministério das Relações Interiores, Justiça e Paz especificou que o dispositivo de 14 000 militares e agentes policiais estava distribuído entre La Guaira e pontos críticos de Caracas e Aragua. Segundo o ministério, o objectivo era controlar os acessos rodoviários e dar prioridade às operações de socorro técnico, no quadro dos planos de segurança revistos durante o período de luto nacional.[80]

Segundo Aleixo Vieira, coordenador conselheiro das Comunidades Madeirenses, que esteve nas imediações do Eduard's Hotel Boutique, as operações de resgate junto ao edifício envolviam voluntários, militares, agentes da polícia e trabalhadores da unidade hoteleira. Os destroços eram removidos com meios manuais, incluindo pás e picaretas, devido ao receio de que a utilização de maquinaria pesada pudesse atingir possíveis sobreviventes soterrados.[81]
Na manhã de 25 de junho, reportagens locais em Catia La Mar descreveram danos extensos em edifícios, falta de electricidade e de sinal telefónico, condicionamentos nos acessos e moradores a tentarem resgatar sobreviventes entre os escombros. Foi igualmente relatado um incêndio no mercado municipal da localidade.[82] O Estádio de Beisebol Jorge Luis García Carneiro, em La Guaira, foi convertido em abrigo temporário e centro de atendimento para pessoas afectadas pelos sismos.[83]
Na segunda noite após os sismos, pessoas que tinham perdido as casas ou receavam regressar a edifícios fissurados permaneceram em acampamentos improvisados em parques, separadores de auto-estradas e instalações desportivas. Persistiam falhas de electricidade e de comunicações em vários sectores. O jornal El País noticiou ainda saques em zonas comerciais de Catia La Mar, bem como relatos semelhantes nos sectores de Caribe e Caraballeda.[84]
Em Tanaguarena, quatro membros da banda de rap-rock Vanderdis morreram quando se encontravam a ensaiar no edifício Costanar II, em frente ao Club Caraballeda, em consequência do colapso de estruturas durante os sismos.[85] Em Tanaguarena e no sector Caribe, reportagens locais descreveram sobreviventes soterrados durante várias horas, operações manuais de remoção de escombros e carência de maquinaria, pessoal especializado e comunicações. No edifício Rosemay, perto de uma loja Farmatodo, cerca de 20 moradores conseguiram sair dos pisos superiores durante a noite, embora continuassem a ouvir-se pedidos de socorro entre os escombros.[86]
Património religioso e edifícios de culto
[editar | editar código]A Igreja de São Sebastião de Maiquetía, construída em 1843 sobre as ruínas da antiga igreja paroquial destruída pelo sismo de 1812, é Monumento Histórico Nacional desde 1960. Uma análise de imagens de satélite divulgada após os sismos identificou a perda da fachada do templo.[87][75]
O bispo Pablo Modesto González Pérez comunicou que muitas paredes do seminário diocesano tinham ruído e que várias igrejas do estado tinham sofrido danos importantes. Diversas paróquias acolheram temporariamente pessoas que não podiam regressar às suas casas, enquanto as Cáritas diocesanas iniciaram o levantamento de danos e necessidades e abriram pontos de recolha de bens sob coordenação nacional.[66][70]
Em Caraballeda, o templo evangélico Luz del Mundo, ainda em construção, ficou destruído após o colapso da cobertura durante uma celebração religiosa. Todos os fiéis presentes saíram com vida; quatro mulheres foram retiradas por um pastor e outro membro da congregação pouco antes de o tecto ceder por completo.[88]
Aeroporto de Maiquetía
[editar | editar código]No Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, registaram-se danos graves na infra-estrutura, incluindo a queda de partes do tecto de corredores do terminal, apagões e danos em áreas de circulação de passageiros.[41]
Segundo informações divulgadas pela Unión Radio e citadas pelo El País, foram também danificados alguns passadiços pedonais do estacionamento, estruturas da auto-estrada de acesso a Caracas e os balcões da Conviasa, que ficaram cobertos de pó e destroços.[41]
Os danos obrigaram ao encerramento do aeroporto, à suspensão das operações aéreas e ao cancelamento dos voos enquanto decorriam avaliações estruturais. À data dos primeiros levantamentos, não havia balanço oficial de feridos nas instalações aeroportuárias.[41] Em consequência do encerramento, a Iberia, a Air Europa, a Plus Ultra Líneas Aéreas, a Copa Airlines e a Avianca suspenderam voos de e para Caracas em 24, 25 e 26 de junho. A Avianca cancelou quatro ligações na rota Bogotá–Caracas–Bogotá em 25 de junho e anunciou opções de remarcação, alteração de rota ou reembolso para passageiros afectados.[89]
Segundo informação atribuída ao Instituto Nacional de Aeronáutica Civil pela presidente da Associação de Linhas Aéreas da Venezuela, os restantes aeroportos internacionais venezuelanos mantinham-se operacionais, sendo Maiquetía a única excepção.[90]
Em 26 de junho, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou que os Estados Unidos enviariam equipas de resgate e que o Pentágono apoiaria a recuperação do aeroporto danificado.[46]
Um avião Airbus A330 da Força Aérea Espanhola, que transportava equipas de resgate e ajuda humanitária, teve de aterrar no Aeroporto de Valência por o Aeroporto de Maiquetía continuar inoperacional. Os socorristas seguiram por via terrestre para La Guaira.[91]
No final de 26 de junho, a Iberia mantinha suspensas as ligações a Caracas até 1 de julho, enquanto a Air Europa e a Plus Ultra tinham cancelado voos pelo menos até 28 de junho. Segundo a associação venezuelana de companhias aéreas, Maiquetía era o único aeroporto internacional do país que continuava inoperacional. A Iberia anunciou que reavaliaria a situação a partir de 1 de julho.[92]
Em 26 de junho, o Instituto Nacional de Aeronáutica Civil informou que a pista 10R/28L permanecia temporariamente encerrada, nos termos do NOTAM A0266/26, desde 25 de junho às 15h28 UTC até 2 de julho às 23h59 UTC. O organismo indicou que o aeroporto continuava sujeito a restrições temporárias e apenas recebia voos não comerciais.[93]
Apesar de as operações comerciais continuarem restringidas e de a pista principal 10R permanecer em reparação pelo menos até 2 de julho, uma pista do Aeroporto Internacional Simón Bolívar encontrava-se operacional em 27 de junho para voos de socorro. Por essa via chegaram equipas de resgate dos Estados Unidos, do México e de El Salvador, enquanto técnicos norte-americanos apoiavam os trabalhos de reparação da infraestrutura aeroportuária.[94][95] Em 28 de junho, uma das pistas do aeroporto encontrava-se operacional, enquanto equipas norte-americanas trabalhavam na reparação da via de circulação danificada.[96]
Outras regiões da Venezuela
[editar | editar código]O sismo foi sentido, além de Caracas, nos estados de Bolívar, Aragua, Falcón, Anzoátegui, Lara, Táchira, Sucre, Delta Amacuro, Monagas, Miranda, Guárico, Barinas, Portuguesa, Cojedes, Zulia e Iaracui, entre outros. Em diversas localidades, moradores saíram para as ruas após os abalos.[97] Segundo o ministro do Interior, Diosdado Cabello, registaram-se também desabamentos ou danos relevantes em Trujillo e Carabobo.[35]
Em Aragua, a torre quatro da urbanização Bosque Lindo, em Turmero, colapsou totalmente, tendo os edifícios adjacentes apresentado fissuras de risco. Em Choroní, foram relatados colapsos de habitações e deslizamentos na estrada para a Colónia Tovar.[98] Em 29 de junho, segundo o Governo de Aragua, mais de 30 equipas de várias instituições foram mobilizadas na Colónia Tovar para remover escombros e desobstruir as vias de ligação a Caracas, Miranda e Puerto Maya. Avaliações preliminares nos sectores de Portachuelo, Bucaral e Alto Fogón apontaram para cerca de 20 famílias que perderam totalmente as habitações nos dois primeiros sectores; em Alto Fogón, uma casa foi destruída e três sofreram danos estruturais. As autoridades declararam não ter registado mortes na localidade.[99]

Em Iaracui, falhas de electricidade afectaram comunidades e postos de combustível, e interromperam as comunicações. Jornalistas locais relataram pessoas feridas pela queda de paredes e fissuras em edifícios comerciais e residenciais, mas não tinha sido divulgado um balanço oficial no estado. Pelas 19h45, tinham sido restabelecidos os circuitos do Hospital Central de San Felipe, do aeroporto e do sector Higuerón.[100] No dia seguinte, a governação estadual informou que o fornecimento eléctrico funcionava apenas a cerca de 40% da capacidade. O Hospital Central de San Felipe tinha sido evacuado durante os sismos, depois de terem sido observadas fissuras e desprendimentos parciais no edifício.[98]
Carabobo
[editar | editar código]Em Naguanagua, no estado de Carabobo, foi relatado o colapso de um edifício.[101]
Em Morón, perto do epicentro, várias casas colapsaram e os moradores ficaram sem abastecimento de água e electricidade. Cerca de 200 famílias de um complexo residencial danificado retiraram os bens que conseguiam recuperar, enquanto algumas aguardavam a abertura de abrigos pelo Governo.[102] Mais tarde, o governador Rafael Lacava confirmou dez mortes no estado: nove no município de Juan José Mora, sobretudo em Morón, e uma em Puerto Cabello. Lacava informou igualmente que cinco edifícios na zona costeira deveriam ser evacuados preventivamente.[103]
Falcón
[editar | editar código]No estado de Falcón, o balanço regional divulgado em 27 de junho apontava para pelo menos oito mortos, cinco desaparecidos e 35 feridos atendidos no hospital de Tucacas, todos em condição estável, após o colapso total do edifício de cinco pisos do conjunto turístico La Mar Suite, em Tucacas. Pelo menos duas pessoas foram resgatadas com vida dos escombros.[104] Em Boca de Aroa, no município Silva, bombeiros do estado de Falcón iniciaram inspecções de risco estrutural em pelo menos 25 edifícios e várias habitações, para elaborar um diagnóstico das condições das construções. A informação não comunicou danos ou colapsos confirmados na localidade.[105]
Em Tucacas, no município Silva, uma equipa de 12 elementos da Protecção Civil do estado de Lara participou nas operações de busca, avaliação estrutural e remoção controlada de escombros no edifício Residencias Bahía. Segundo o balanço divulgado pela agência estatal venezuelana, duas pessoas foram retiradas com vida, enquanto o colapso parcial e os danos graves no imóvel causaram 12 mortos e 33 feridos.[106]
Guarenas e Guatire
[editar | editar código]No eixo urbano de Guarenas e Guatire, no estado de Miranda, foram relatados danos em diversas urbanizações. Em Nueva Casarapa, edifícios apresentavam fissuras profundas nas fachadas, derrocadas parciais de paredes e acumulações de escombros, com os pisos inferiores descritos como os mais afectados. Registaram-se igualmente falhas de electricidade, gás e água, levando residentes a pernoitar em parques de estacionamento por receio de réplicas.[107]
Segundo a reportagem local, verificaram-se danos também em Terrazas del Este, Ciudad Casarapa, Castillejo, Parque Alto e El Marqués. À data da notícia, moradores de Nueva Casarapa aguardavam uma inspecção técnica formal das autoridades para determinar a habitabilidade dos edifícios.[107]
Em Guatire, um prédio pertencente a um madeirense colapsou completamente, segundo o deputado madeirense Carlos Fernandes.[108]
Em 1 de julho, estavam destacadas permanentemente 14 equipas de atendimento e inspecção em Guarenas, compostas por engenheiros, bombeiros, Protecção Civil, socorristas e pessoal técnico. As autoridades indicaram como prioritários os sectores de Oropeza Castillo, Trapichito, Vicente Emilio Sojo, Terrazas del Este e Nueva Casarapa, devido a danos em edifícios e serviços básicos.[109]
Vítimas e resposta de emergência
[editar | editar código]Em 25 de junho, Delcy Rodríguez actualizou o balanço provisório para pelo menos 164 mortos e 971 feridos. Não foi divulgado um balanço nacional completo desagregado por estado ou município, embora autoridades locais tenham confirmado vítimas em alguns concelhos da Grande Caracas.[57] Na mesma actualização, Rodríguez informou que pelo menos dez edifícios tinham colapsado na Grande Caracas e anunciou a criação de um fundo inicial de 200 milhões de dólares, proveniente de recursos venezuelanos depositados no Fundo Monetário Internacional, para a reconstrução de infra-estruturas, hospitais e habitações afectadas; foi igualmente anunciado um fundo adicional destinado ao apoio directo às vítimas.[18][110] Num balanço posterior, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, elevou o número provisório de vítimas para pelo menos 188 mortos, 1 520 feridos e 157 desaparecidos. Informou igualmente que mais de 2 200 famílias tinham sido afectadas e que cerca de 200 pessoas continuavam sob os escombros. O levantamento incluiu 250 edifícios afectados, sobretudo em Caraballeda e Playa Grande, oito hospitais — alguns dos quais evacuados —, 20 centros comerciais e 68 outras infra-estruturas, perfazendo 346 estruturas danificadas.[111] Mais tarde, Jorge Rodríguez actualizou o balanço para pelo menos 920 mortos e 3 360 feridos, referindo ainda 172 pessoas presas sob os escombros e 3 007 pessoas afectadas.[46][47] As equipas de emergência prosseguiram as operações de busca e salvamento em edifícios colapsados durante a noite.[33]
Nas primeiras horas após os sismos, o autarca de Chacao, Gustavo Duque, declarou que dois edifícios ou estruturas tinham colapsado no município, que pelo menos 16 pessoas ficaram feridas e que havia mortes, sem indicar o número de vítimas mortais.[6] Duque informou igualmente que uma pessoa tinha morrido no município e que 22 pessoas tinham sido transportadas para hospitais.[19] Mais tarde foram relatados no município pelo menos quatro edifícios colapsados, dezenas de resgatados e centenas de funcionários em trabalhos de socorro.[33]
No balanço de 26 de junho, foram registados danos em 383 edifícios, 13 hospitais, 25 centros comerciais e 1 002 outras estruturas.[112] No dia seguinte, as autoridades actualizaram o balanço nacional para pelo menos 1 430 mortos e 3 238 feridos.[25] No balanço divulgado nesse mesmo dia, Jorge Rodríguez informou que o número de mortos subira para 1 450 e o de feridos para 3 150; comunicou igualmente 12 721 famílias afectadas, 774 edifícios afectados ou colapsados — 189 com danos totais e 585 com danos parciais — e 38 hospitais afectados.[113] Em 1 de julho, o balanço oficial foi actualizado para 2 295 mortos e 11 267 feridos.[2]
Resgates
[editar | editar código]Durante o fim de semana de 27 e 28 de junho, pelo menos 33 pessoas foram resgatadas com vida, segundo dados governamentais citados pela Reuters. Em 28 de junho, equipas francesas e norte-americanas retiraram com vida um pai e o filho dos escombros de um edifício colapsado em La Guaira, quatro dias após os sismos.[114]
Em 29 de junho, equipas de salvamento da Venezuela, do México e de El Salvador resgataram com vida Aaron Levi, de 21 anos, em La Guaira, depois de 106 horas soterrado. Segundo Delcy Rodríguez, a operação de salvamento durou 43 horas.[3] No mesmo dia, o Governo venezuelano anunciou o resgate de um menor das ruínas de um edifício no sector Caribe, em La Guaira. A informação foi divulgada mais de 120 horas após os sismos, sem que tivesse sido indicada a hora exacta do salvamento.[115] Jorge Rodríguez elevou o balanço nacional para 1 719 mortos e 5 034 feridos, referindo igualmente 15 866 pessoas desalojadas e 855 edifícios danificados, dos quais 189 tinham colapsado totalmente.[3] Segundo o mesmo balanço, 22 619 pessoas tinham recebido atendimento na rede hospitalar, em hospitais de campanha e em postos de triagem instalados nas regiões mais afectadas.[116] Em 30 de junho, Jorge Rodríguez actualizou o balanço nacional para 1 943 mortos e 10 571 feridos e informou que 6 461 pessoas tinham sido resgatadas desde os sismos.[31]
Em 30 de junho, socorristas jordanos retiraram com vida Klieber Moran dos escombros do edifício Los Corales Garden 1, no estado de La Guaira, seis dias após os sismos. As autoridades venezuelanas divergiram sobre a idade da criança, indicada como dois ou três anos, que foi transportada para tratamento médico em Caracas.[117] No mesmo dia, equipas de resgate do Equador e dos Estados Unidos suspenderam, em Macuto, as operações para retirar uma mãe e os seus três filhos de um edifício de nove andares, após mais de 40 horas sem receberem novos sinais de vida. O coordenador residente da ONU na Venezuela, Gianluca Rampolla, declarou que, em coordenação com as autoridades locais, estavam a ser adquiridos 10 mil sacos mortuários; a medida não constituía um balanço oficial de mortos.[118]
Em 2 de julho, equipas de resgate retiraram com vida Hernán Alberto Gil Flores das ruínas do centro comercial Galerías Playa Grande, em Playa Grande, no estado de La Guaira, oito dias após os sismos. Gil ficara soterrado no parque de estacionamento subterrâneo do edifício, tendo as equipas trabalhado durante mais de 100 horas em condições de instabilidade estrutural para o alcançar.[51][52]
Abrigos e acampamentos
[editar | editar código]Nos primeiros dias após os sismos, a Câmara Municipal de Caracas habilitou quatro abrigos temporários — no Complexo Cultural e Desportivo Guayana Esequiba, em San Bernardino, no Estádio Chato Candela, na paróquia 23 de Enero, na sede do Instituto Nacional de Desportos, em El Paraíso, e em instalações dos Ipostel, na paróquia San Juan — enquanto o estado de La Guaira abriu inicialmente 11 abrigos em escolas e outros espaços sem danos.[119][120] Em balanços posteriores, Jorge Rodríguez referiu 15 abrigos de maior dimensão em La Guaira e 50 acampamentos provisórios em Caracas; posteriormente, o Governo indicou 14 abrigos em La Guaira e 55 distribuídos entre Caracas e Miranda.[30][121] Em 2 de julho, o El País referiu a existência de 69 abrigos na zona de desastre e citou o último balanço governamental, segundo o qual 15 866 pessoas tinham perdido tudo e outras 28 380 não podiam regressar às respetivas casas, apesar de estas continuarem de pé.[122]
As instalações desportivas passaram igualmente a ser utilizadas como espaços de acolhimento e recolha de ajuda, incluindo o Estádio Polidesportivo José María Vargas, em La Guaira, e a Cancha Deportiva de Paz, em Playa Grande, adaptada para acolher famílias da urbanização Hugo Chávez.[123] Na Escola República do Panamá, em La Guaira, voluntários — muitos também desalojados — organizaram o acolhimento de mais de 350 pessoas e registavam as respetivas moradas anteriores, ferimentos e necessidades. A organização Plan International alertou para carências de privacidade, espaços seguros para crianças e instalações de higiene em vários abrigos do estado.[11] O Governo anunciou ainda acompanhamento psicológico diário, inicialmente em 13 acampamentos de La Guaira e posteriormente na Grande Caracas, bem como a preparação da linha gratuita 0800AYUDA01 para pessoas afectadas fora dos abrigos.[124]
A Defensoria del Pueblo informou ter inspeccionado 36 acampamentos transitórios na Área Metropolitana de Caracas e noutras regiões, avaliando alojamento, acesso a serviços básicos, reunificação familiar e risco de despejos arbitrários.[125] Paralelamente, dioceses e paróquias funcionaram como centros de recolha e acompanhamento das comunidades afectadas; a Cáritas Venezuela comunicou o envio de mais de 321 camiões de assistência humanitária em três dias para La Guaira, Caracas, Carabobo e Falcón.[126] Em Mérida, a Protecção Civil regional abriu um registo e serviço de atendimento para residentes com familiares afectados, destinado a facilitar o contacto, a reunificação e a orientação especializada.[127]
Resposta sanitária
[editar | editar código]Em 30 de junho, a Organização Mundial da Saúde informou que, numa avaliação de 21 unidades de saúde, pelo menos três estavam criticamente danificadas e outras seis encontravam-se danificadas ou apenas parcialmente funcionais. A organização referiu sobrelotação, atrasos cirúrgicos e falta de profissionais de saúde materna em La Guaira, bem como risco de surtos de febre amarela e dengue entre os desalojados.[128] A UNICEF estimou que cerca de 680 mil crianças necessitavam de assistência humanitária em consequência dos sismos.[129]
Uma semana após os sismos, médicos alertaram para o risco crescente de infecções em ferimentos não tratados, agravado pelas condições sanitárias precárias nos abrigos e pela falta de acesso regular a água limpa. No Hospital del Oeste Dr. José Gregorio Hernández, em Caracas, faltavam parafusos e placas para cirurgias ortopédicas, bem como gazes medicamentosas; algumas intervenções eram realizadas em salas improvisadas, depois de partes do edifício terem ficado inacessíveis por suspeita de danos sísmicos. O director da organização Médicos Unidos da Venezuela declarou ainda existir escassez nacional de ambulâncias, pelo que muitos doentes chegavam aos hospitais em carrinhas de caixa aberta.[130] O director da organização Médicos Unidos da Venezuela alertou também para a possibilidade de uma nova pressão sobre os hospitais quando pessoas desalojadas, que tinham passado uma semana sem medicação para doenças crónicas, como asma, diabetes e hipertensão, procurassem atendimento.[131]
O Ministério da Saúde activou uma rede de 20 centros de saúde públicos e privados na Grande Caracas para prestar assistência médica e assegurar internamentos. A rede incluía oito hospitais públicos e 12 instituições privadas, no âmbito da resposta destinada ao Distrito Capital e aos estados de La Guaira, Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón.[132] Na manhã de 26 de junho, foi reportada sobrelotação no Hospital Domingo Luciani, em El Llanito, e carência de material médico básico para o atendimento dos feridos. A reportagem indicou pedidos de analgésicos, gazes, luvas, soluções intravenosas e outros insumos, bem como situações semelhantes no Hospital Pérez Carreño e no Hospital Ana Francisca Pérez de León.[133] Em 28 de junho, novas reportagens continuavam a descrever forte pressão assistencial sobre os hospitais de Caracas. No Hospital Domingo Luciani, áreas anteriormente encerradas foram reabertas para acolher feridos, enquanto alguns equipamentos de diagnóstico permaneciam inoperacionais. Familiares de internados relataram dificuldade em obter informação clínica e incerteza quanto ao encaminhamento dos doentes, muitos dos quais tinham sido transferidos de La Guaira para a capital.[134] Os Médicos Sem Fronteiras prepararam e distribuiram kits médicos de emergência por oito hospitais de Caracas e La Guaira, destinados a apoiar o tratamento de cerca de 3 500 doentes.[34]
Segundo o balanço de 28 de junho, 527 pessoas foram transferidas do estado de La Guaira para hospitais públicos e privados de Caracas.[135]
O Ministério do Poder Popular para a Saúde habilitou uma plataforma de localização de pacientes atendidos pela rede pública nacional, que permite procurar pessoas por número de identificação, nome ou apelido e identificar o estabelecimento hospitalar em que foram registadas.[136] Segundo o Registo Mestre de Pacientes, 6 206 pessoas afectadas pelos sismos tinham dado entrada em hospitais, clínicas e centros de atendimento. O levantamento indicou 1 322 pacientes no Hospital Miguel Pérez Carreño, 740 no Hospital Vargas, 610 no Hospital Domingo Luciani, 483 no Hospital José María Vargas de La Guaira e 408 no Hospital Ricardo Baquero González, entre outros estabelecimentos.[137]
Em 1 de julho, a presidente encarregada Delcy Rodríguez visitou um hospital de campanha instalado em La Guaira pela organização Samaritan's Purse. A unidade tinha capacidade para atender até 200 doentes por dia, dispondo de 64 camas de internamento, quatro de cuidados intensivos, seis de cuidados intermédios, duas salas de cirurgia e uma unidade de esterilização. Segundo a fonte oficial venezuelana, trabalhavam no local 90 médicos e enfermeiros, que atenderam cerca de 65 pessoas no dia anterior.[138]
Em 2 de julho, um hospital de campanha da Marinha do Brasil, instalado em cinco tendas junto ao litoral de La Guaira, tinha atendido 180 pessoas. A unidade inclui cuidados intensivos, bloco operatório, ortopedia, pediatria, medicina geral e farmácia.[51]
Medidas de emergência, realojamento e reconstrução
[editar | editar código]Rodríguez declarou emergência nacional, anunciou que as aulas e as actividades não essenciais ficariam suspensas até ao fim da semana e determinou a interrupção do Metro de Caracas e dos serviços ferroviários. Pediu igualmente que a população se mantivesse fora dos edifícios afectados devido ao risco de réplicas e novos colapsos.[33][42][110][139] Em 28 de junho, Delcy Rodríguez anunciou a prorrogação, por mais uma semana, da suspensão das aulas em todo o país.[140] Em 29 de junho, o Ministério da Educação venezuelano especificou que a medida vigoraria de 29 de junho a 5 de julho.[141]
No anúncio de 28 de junho, Rodríguez afirmou que seria criada uma comissão para inspeccionar as habitações afectadas e uma comissão de alto nível para criar acampamentos transitórios destinados às pessoas que perderam a sua habitação e planear a construção de novas casas a curto prazo.[142] Em 29 de junho, durante a instalação do Estado-Maior encarregado da criação de acampamentos transitórios e do planeamento da construção de habitações, Delcy Rodríguez prometeu novas casas antes do fim do ano para as pessoas que perderam as suas. Indicou igualmente que engenheiros e arquitectos tinham sido destacados para avaliar a habitabilidade dos edifícios em La Guaira, Miranda e Caracas.[143]
Inspecções e medidas de segurança
[editar | editar código]Em paralelo, o comissário presidencial Francisco Garcés anunciou o início de um plano nacional de formação de engenheiros para efectuar inspecções pós-sísmicas às habitações afectadas. A iniciativa foi organizada com universidades nacionais, o Colégio de Engenheiros e outros organismos, prevendo prioridade para hospitais, instalações de bombeiros e protecção civil e abrigos transitórios.[144]
Em 29 de junho, o Corpo de Bombeiros de Caracas ordenou a suspensão total da utilização de elevadores em todos os edifícios da capital, como medida preventiva enquanto decorriam avaliações às estruturas após os sismos e as réplicas.[145]
Em 1 de julho, a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (Funvisis) e a Universidade Central da Venezuela iniciaram a formação de mais de 1 500 voluntários — entre engenheiros, arquitectos e estudantes finalistas — no procedimento oficial de inspecções pós-sísmicas. O primeiro workshop reuniu 200 engenheiros; 60 inspectores foram enviados para La Guaira e 25 para diferentes zonas de Caracas. As avaliações utilizam um sistema de classificação por cores: verde para habitabilidade imediata, amarelo para acesso restrito e vermelho para evacuação por danos importantes.[146]
Vítimas de relevância pública
[editar | editar código]Entre as vítimas mortais esteve Isabel Jara, delegada do Governo das Canárias na Venezuela. Jara morreu no colapso do edifício Costa Brava, onde residia, em La Guaira. O Governo das Canárias decretou três dias de luto oficial após a confirmação da sua morte.[147]
No futebol venezuelano, morreu Yimvert Berroterán, de 18 anos, jogador da Universidad Central de Venezuela e internacional pelas selecções jovens do país. Berroterán tinha participado no Campeonato Sul-Americano e no Campeonato Mundial de Futebol Sub-17, bem como no Torneio Maurice Revello de 2026 com a selecção sub-23. O seu corpo foi recuperado dos escombros de um edifício colapsado em La Guaira, quase dois dias após os sismos.[148]
Os sismos afectaram igualmente familiares de figuras do desporto venezuelano. Andrea Bello, mulher do futebolista Héctor Bello, morreu no colapso da residência da família. Segundo o relato divulgado pelo jogador, protegeu a filha de ambos, de um ano, que sobreviveu.[149] Deisy María Tovar de Hernández, mulher do antigo jogador da Major League Baseball Gorkys Hernández, morreu no colapso do Eduard's Hotel Boutique, em La Guaira; a morte foi anunciada pelo próprio Hernández.[150]
Mobilização da sociedade civil
[editar | editar código]Após os sismos, voluntários e organizações da sociedade civil organizaram caravanas para transportar alimentos, água, medicamentos, roupa e ferramentas para as zonas afectadas, sobretudo em La Guaira. Foram igualmente criadas redes informais para localizar pessoas sem contacto, transportar desalojados, distribuir refeições, prestar apoio psicológico e assinalar abrigos, centros de recolha e edifícios danificados.[151]
Em 1 de julho, a Governação de Barinas e as 12 prefeituras do estado informaram ter recolhido e enviado para a Zona Operativa de Defesa Integral de La Guaira 254 toneladas de alimentos e outros materiais destinados às famílias afectadas pelos sismos. Segundo a administração estadual, a recolha envolveu conselhos comunais, comunas, organizações sociais, produtores e representantes da União Nacional Campesina Ezequiel Zamora.[152]
Voluntários e moradores entrevistados pela imprensa relataram buscas manuais entre os escombros e criticaram o que consideraram uma resposta estatal insuficiente ou desigual em alguns sectores. As autoridades venezuelanas afirmaram, por sua vez, que a primeira fase da emergência se concentrava na avaliação dos danos, na localização de sobreviventes e nas operações de resgate nas zonas prioritárias; acrescentaram que a utilização de maquinaria pesada dependia de avaliação técnica prévia, devido ao risco para pessoas soterradas e para os socorristas.[151][153][154] Segundo o primeiro comandante dos Corpos Florestais, as equipas em La Guaira concentravam-se em Macuto e Catia La Mar, tratadas pelas autoridades como áreas prioritárias; moradores de Los Corales e Tanaguarena relataram que os seus sectores ainda não integravam a intervenção prioritária.[151]
Na Grande Caracas, cozinhas comunitárias, escolas de culinária e restaurantes prepararam milhares de refeições para desalojados, voluntários e equipas de resgate. Engenheiros e arquitectos organizaram também inspecções gratuitas a edifícios e formação à distância de voluntários, para ampliar a avaliação de danos e orientar moradores que receavam regressar a habitações fissuradas.[155]
| Região | Mortos | Feridos, desaparecidos / resgates | Danos principais | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Caracas | Pelo menos 25 (balanço comunicado pela alcaldesa) | Não divulgado | Operações de busca e salvamento ainda em curso em edifícios colapsados | [61] |
| Chacao | Pelo menos 62 (balanço publicado em 2 de julho, atribuído às operações nos edifícios Don Pepe, Petunia 2 e Obelisco) | Pelo menos 28 pessoas resgatadas com vida | Três edifícios residenciais colapsaram totalmente; outros 80 edifícios sofreram danos de gravidade variável. O primeiro balanço municipal referira quatro estruturas colapsadas em Altamira e Los Palos Grandes. | [62][156][157][65] |
| Baruta | 3 | Não divulgado | Colapso de duas habitações no sector de Las Minas | [57] |
| Los Salias | 1 | Não divulgado | Colapso do piso de um estacionamento; Rodovia Pan-Americana temporariamente interrompida por deslizamento de terra | [57] |
| La Guaira | Sem balanço regional consolidado divulgado | Sem balanço regional consolidado divulgado | Mais de 100 edifícios colapsados; Caraballeda e Catia La Mar entre as zonas mais afectadas; danos em Catia La Mar, encerramento do Aeroporto de Maiquetía, abrigos temporários e operações de resgate em curso | [71][82][41] |
| Falcón | Pelo menos 8 | 35 feridos; 5 desaparecidos |
Colapso total do edifício de cinco pisos do conjunto turístico La Mar Suite, em Tucacas; operações de busca e salvamento em curso; pelo menos duas pessoas resgatadas com vida | [104] |
| Iaracui | Não divulgado | Feridos relatados pela imprensa local | Falhas de electricidade e comunicações; danos em edifícios comerciais e residenciais | [100] |
| Carabobo | Pelo menos 10 (nove em Morón e uma em Puerto Cabello) | Pelo menos 15 feridos, segundo a imprensa local | Danos em Valência; colapso de um edifício em Naguanagua; evacuação preventiva de pacientes do Hospital Adolfo Prince Lara, em Puerto Cabello; Morón sem água e electricidade; evacuação preventiva de cinco edifícios costeiros; refinaria de El Palito sem danos imediatos relatados | [6][101][98][103] |
| Balanço nacional mais recente | Pelo menos 2 295 | 11 267 feridos; | 15 866 pessoas desalojadas; 855 edifícios danificados ou colapsados, dos quais 189 colapsaram totalmente | [2][3] |
Edifícios e estruturas com danos graves ou colapso confirmados
[editar | editar código]Em balanço divulgado em 30 de junho, Jorge Rodríguez informou que 158 dos 189 edifícios totalmente colapsados no país se localizavam no litoral central.[121]
A tabela seguinte reúne edifícios e outras estruturas para os quais foram publicados danos graves, colapsos ou operações de busca e salvamento:
| Estrutura | Local | Dano | Observações | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Edifício Petunia I | Los Palos Grandes, Chacao | Colapso total | Situado na Primeira Transversal de Los Palos Grandes | [62] |
| Residências Obelisco | Altamira, Chacao | Colapso total | Um dos três edifícios residenciais identificados pelo autarca Gustavo Duque como totalmente colapsados no município | [156] |
| Edifício Don Pepe | Chacao | Colapso total | Um dos três edifícios residenciais identificados pelo autarca Gustavo Duque como totalmente colapsados no município | [156] |
| Edifícios San Felipe I, Sayonara e Nora | Chacao | Danos estruturais graves | Evacuados preventivamente enquanto decorriam avaliações técnicas | [62] |
| Residências San Judas Tadeos | Las Fuentes, El Paraíso, Caracas | Colapso total | Uma menina foi resgatada com vida na manhã de 25 de junho; não foi divulgado balanço oficial de vítimas | [58] |
| Edifício Rita | San Bernardino, Caracas | Colapso total | Reportado pela imprensa local entre os edifícios destruídos na capital | [21] |
| Edifício Juvenal | San Bernardino, Caracas | Colapso total | Residência de seis pisos; moradores, voluntários e equipas de emergência procuraram sobreviventes entre os escombros. | [158] |
| Eduard's Hotel Boutique | La Guaira | Destruição quase total | Hotel junto à frente marítima; segundo Miguel Albuquerque, era propriedade de madeirenses e havia pessoas no interior no momento do colapso | [19][72] |
| Edifício Costa Brava | Los Corales, La Guaira | Colapso total | Prédio residencial reduzido a escombros; entre as vítimas mortais conta-se Isabel Jara, delegada do Governo das Canárias na Venezuela. | [91] |
| Academia Naval da Venezuela | Catia La Mar, La Guaira | Danos severos | Edifício institucional | [19] |
| Edifício Bahía Mar | Caraballeda, La Guaira | Destruído | A Reuters identificou o edifício como destruído; equipas de resgate receberam informações sobre moradores que permaneciam sem contacto. | [78] |
| Edifício Rosemay | Tanaguarena, La Guaira | Danos graves e pessoas soterradas | Pelo menos 20 moradores saíram dos pisos superiores durante a noite; no dia seguinte continuavam a ouvir-se pedidos de socorro entre os escombros. | [159] |
| Edifício Oromar | Tanaguarena, La Guaira | Colapso total | O edifício colapsou durante os sismos. Quatro imóveis da mesma rua ruíram e as equipas formais de busca chegaram ao Oromar apenas no quinto dia após o desastre. | [160] |
| Torres 33 e 34 B da Misión Vivienda | Tanaguarena, La Guaira | Danos graves e pessoas soterradas | Bombeiros, Protecção Civil e voluntários realizaram buscas para socorrer sobreviventes presos nas torres. | [159] |
| Misión Vivienda Los Cocos | Sector Caribe, La Guaira | Colapso de seis das oito torres e operações de busca | A Reuters descreveu o conjunto como composto por oito torres, seis das quais colapsaram. Em 30 de junho, as buscas prosseguiam junto do antigo edifício 27, com a participação da equipa mexicana Topos. Em 1 de julho, uma equipa civil de resgate, apoiada por alguns soldados, recuperou três corpos junto ao antigo campo de basquetebol do conjunto. | [118][11][159][159] |
| Urbanismo Hugo Chávez (Misión Vivienda) | Catia La Mar, La Guaira | Danos generalizados e colapsos | O El País descreveu um conjunto de 197 torres de quatro pisos, habitado por famílias reassentadas após a tragédia de 1999 ou provenientes de zonas de risco. Segundo uma moradora citada, todas as torres tinham sido afectadas, incluindo as que continuavam de pé. | [161] |
| Edifício residencial não identificado do Urbanismo Luisa Cáceres de Arismendi (Misión Vivienda) | La Guaira | Colapso total | Uma moradora, residente no 10.º piso, relatou que conseguiu escapar durante o colapso do edifício; a fonte não indica o número total de pisos. | [162] |
| Centro comercial Galerías Playa Grande | Playa Grande, La Guaira | Colapso do parque de estacionamento subterrâneo | Hernán Alberto Gil Flores foi resgatado com vida oito dias após os sismos, depois de permanecer soterrado no local. | [51][52] |
| Torre 4 das Residências Bosque Lindo | Turmero, Aragua | Colapso total | Torre de dez pisos. O balanço divulgado em 27 de junho indicava quatro mortos e uma pessoa resgatada com vida. | [163] |
| Conjunto turístico La Mar Suite | Tucacas, Falcón | Colapso total | Edifício de cinco pisos. Em 27 de junho, as autoridades comunicaram oito mortos, cinco desaparecidos e 35 feridos atendidos no hospital de Tucacas; pelo menos duas pessoas tinham sido resgatadas com vida. | [164] |
| Residencias Bahía | Tucacas, Falcón | Danos estruturais graves e colapso parcial | A Protecção Civil de Lara realizou buscas, avaliação estrutural e remoção de escombros. A AVN comunicou dois resgates com vida, 12 mortos e 33 feridos associados ao desabamento. | [106] |
| Edifício residencial não identificado | Guatire, Miranda | Colapso total | A fonte confirma o colapso e refere a ligação de um dos proprietários à Madeira, mas não identifica o edifício pelo nome. | [108] |
| Bloco 9 de Oropeza | Guarenas, Miranda | Colapso | O edifício de 16 apartamentos, afectado pelos sismos e já evacuado, colapsou completamente. | [165] |
Vulnerabilidade das construções
[editar | editar código]Especialistas consultados pelo jornal El País salientaram que a magnitude dos sismos, por si só, não explica a dimensão dos colapsos. Entre os factores relevantes apontados estiveram a reduzida profundidade dos abalos, a proximidade entre a fonte sísmica e zonas densamente povoadas, as características dos solos, os sistemas estruturais utilizados nos edifícios e o grau de exigência e fiscalização das normas de construção.[166]
No município de Chacao, o autarca Gustavo Duque declarou que os três edifícios residenciais colapsados eram construções antigas que não cumpriam os requisitos de protecção sísmica introduzidos após o sismo de Caracas de 1967, no contexto dos edifícios afectados no município.[156]
Os especialistas defendem que avaliações posteriores deverão comparar as estruturas que colapsaram com as que resistiram aos sismos, por forma a determinar os factores técnicos que contribuíram para as diferentes respostas dos edifícios.[166]
Durante as operações de emergência, o Colégio de Engenheiros da Venezuela, a Faculdade de Engenharia da Universidade Central da Venezuela e o Centro de Engenharia Sísmica organizaram brigadas de voluntários para inspeccionar estruturas danificadas, já mobilizadas, entre outros locais, em Chacao e Guarenas. Foi igualmente anunciado um diagnóstico posterior de hospitais, escolas, pontes, viadutos, instalações de tratamento de água, redes de energia e encostas.[167]
Uma análise inicial de imagens de satélite, recebida pela Organização Internacional para as Migrações em colaboração com o Microsoft AI for Good Lab, indicou que 31,5% dos edifícios de Catia La Mar poderiam ter sofrido danos. Por assentar em modelização remota, este valor não corresponde a um levantamento oficial de campo.[168]
A mesma reportagem recolheu avaliações de engenheiros que destacaram, entre os factores a investigar, a combinação de solos moles, edifícios altos, estruturas de betão mais antigas e pisos térreos abertos, como garagens, que podem favorecer colapsos progressivos. Estas considerações não permitem, contudo, atribuir a causa de cada desabamento a um único defeito construtivo nem identificar empreendimentos específicos.[169]
Comunicações
[editar | editar código]Foram relatadas dificuldades nos serviços de telefonia e dados móveis em Caracas, Miranda e La Guaira, que dificultaram o contacto entre familiares, incluindo venezuelanos residentes no exterior. Os problemas foram particularmente sentidos por utilizadores da Movistar, enquanto fontes da Digitel indicaram que a respectiva plataforma funcionava normalmente e sem falhas generalizadas.[170][6]
Como medida de emergência, a Movistar disponibilizou temporariamente chamadas de voz e mensagens SMS gratuitas aos seus clientes. A Digitel anunciou chamadas e SMS gratuitos durante 48 horas, em especial para utilizadores em Caracas, La Guaira, Morón, Valência, San Diego, Maracay, San Felipe e Barquisimeto. A Movilnet comunicou igualmente medidas especiais de apoio à conectividade, sem detalhar a sua duração ou alcance.[171] Em 28 de junho, a Movistar anunciou a activação gratuita de um serviço de mensagens de texto por satélite, em colaboração com a Starlink, para os seus assinantes no estado de La Guaira.[172] Em 25 de junho, a Starlink anunciou que disponibilizaria gratuitamente o seu serviço durante um mês aos utilizadores na Venezuela e que procurava instalar rapidamente terminais para restabelecer a conectividade nas zonas mais afectadas.[173] A Digitel e a Starlink Mobile activaram mensagens de texto por satélite gratuitas em La Guaira para aparelhos compatíveis com rede LTE. O serviço foi anunciado como utilizável em áreas exteriores sem cobertura móvel, sem saldo activo nem configuração manual.[174]
Em 29 de junho, a Movilnet instalou duas radiobases móveis com acesso Wi-Fi gratuito no estado de La Guaira, uma junto ao Karting La Guaira, em Caraballeda, e outra em Playa Grande. A empresa informou igualmente ter restabelecido o sinal em Pariata, Montesano, Casco Histórico, Punta de Mulatos e no Aeroporto Internacional Simón Bolívar.[175]
Em 1 de julho, a empresa estatal CANTV informou manter um destacamento técnico e operacional em La Guaira para restabelecer as redes de telecomunicações afectadas, instalar fibra óptica e reforçar a conectividade em locais prioritários. Os trabalhos abrangiam o posto de comando dos socorristas internacionais na Aduana Marítima, abrigos temporários no Bolipuerto de La Guaira, em Maiquetía, e no Estádio de Beisebol Jorge Luis García Carneiro, em Macuto, bem como centros educativos e comunitários em Catia La Mar.[176]
A Organização das Nações Unidas pediu o desbloqueio imediato do acesso à imprensa e às redes sociais na Venezuela, no contexto das dificuldades de comunicação e circulação de informação após os sismos.[177] A rede social X voltou a estar acessível na Venezuela em 25 de junho.[178] Em 29 de junho, o Governo venezuelano suspendeu por 48 horas o transporte organizado de jornalistas em autocarros para o estado de La Guaira. Segundo uma fonte próxima do Ministério da Comunicação citada pela EFE, a justificação seria o seguimento de uma recomendação sanitária, visando assegurar silêncio nas operações de busca e salvamento; o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa criticou a decisão, defendendo a necessidade de informação verificada e oportuna.[179]
A operadora portuguesa NOS disponibilizou chamadas gratuitas entre Portugal e a Venezuela, procurando facilitar o contacto entre familiares afectados pelos sismos.[180] A Cruz Vermelha Venezuelana activou o serviço de Restabelecimento do Contacto entre Familiares, destinado a venezuelanos no exterior que perderam comunicação com parentes no país. A organização abriu igualmente um registo prioritário de voluntários, especialmente entre profissionais e estudantes de saúde, psicólogos e paramédicos.[181]
Energia, portos e indústria
[editar | editar código]Ocorreram cortes de electricidade em vários sectores da Grande Caracas e do estado Miranda. A imprensa local registou interrupções em Caricuao, Las Acacias, El Paraíso, La Vega e Montalbán, em Caracas, e em San Antonio de los Altos, no estado Miranda.[182]
A presidente encarregada Delcy Rodríguez informou ainda de falhas no fornecimento de electricidade em Caracas e La Guaira e de afectações no abastecimento de água nessas duas entidades, bem como em Falcón, Miranda e Iaracui, embora tenha declarado que os serviços públicos mantinham continuidade em termos nacionais.[35]
Em 26 de junho, a falta de electricidade continuava a dificultar o transporte de feridos, o funcionamento de hospitais, a descarga de mercadorias importadas e a distribuição de ajuda humanitária. A refinaria de El Palito encontrava-se quase totalmente paralisada, enquanto o Complexo Petroquímico de Morón reiniciava operações lentamente. O porto de Puerto Cabello funcionava apenas de forma parcial e o porto de La Guaira permanecia encerrado.[183]
Embora algumas estradas tenham sido reabertas e o fornecimento eléctrico restaurado em parte do país, as zonas centrais mais próximas dos epicentros continuavam em grande medida sem electricidade em 26 de junho.[183] Em 27 de junho, Rodríguez afirmou que cerca de 60% do fornecimento eléctrico tinha sido restabelecido no estado de La Guaira e que prosseguiam os trabalhos para repor o abastecimento de água potável. A Reuters noticiou que o fornecimento regressava gradualmente à região afectada, mas sem indicar uma percentagem nacional de reposição.[184][78]
O Ministério do Transporte indicou que o porto de La Guaira seria utilizado como centro de operações da emergência, enquanto os restantes terminais marítimos nacionais continuavam em funcionamento.[185] A Reuters informou, contudo, que o porto permanecia encerrado às operações comerciais em 26 de junho, numa altura em que as falhas de electricidade continuavam a afectar a descarga de mercadorias e a distribuição de ajuda.[183]
Após reparações e verificações de segurança, o Porto de La Guaira retomou operações para receber ajuda humanitária. O USS Fort Lauderdale foi utilizado como plataforma de apoio à chegada e distribuição de carregamentos, em coordenação com as autoridades venezuelanas.[186]
Em 29 de junho, Delcy Rodríguez declarou que, no estado de La Guaira, o fornecimento de electricidade tinha sido restabelecido em 75%, o abastecimento de água em 68% e a rede viária em 90%.[187] No mesmo dia, um alto responsável da administração norte-americana declarou que uma equipa especializada de fuzileiros navais dos Estados Unidos trabalhava na reparação do porto de La Guaira, para permitir a chegada de abastecimentos por via marítima. O navio de transporte anfíbio USS Fort Lauderdale tinha igualmente atracado no porto.[188] No entanto, falhas no abastecimento de electricidade impediam o reinício da refinaria de El Palito, do Complexo Petroquímico de Morón e de outras unidades industriais da região central, embora a empresa estatal PDVSA afirme não prever escassez de combustíveis no mercado interno, uma vez que as refinarias das regiões oriental e ocidental podem satisfazer a procura, sendo que a produção e as exportações de petróleo continuavam normais.[3]
A PDVSA e a distribuidora privada Domegas iniciaram inspecções às condutas de gás que serviam cerca de 600 mil consumidores em Caracas, para detectar e reparar eventuais fugas. Segundo a Reuters, equipamento especializado para esse fim já tinha chegado ao país.[118]
Transportes e logística
[editar | editar código]Após os sismos, foram suspensos o Metro de Caracas, os serviços ferroviários, as aulas e as actividades não essenciais, tendo sido igualmente efectuados cortes preventivos de gás em edifícios afectados.[33] Para atenuar a suspensão temporária do Ferrocarril Ezequiel Zamora, o Ministério do Transporte Terrestre activou uma rota alternativa entre a estação de La Rinconada, em Caracas, e os Valles del Tuy, no estado de Miranda, com apoio do Instituto de Ferrocarriles do Estado, do Sistema Integral de Transporte Superficial, do Metrobús, da Fundação Fondo Nacional de Transporte Urbano e da Polícia Nacional Bolivariana.[189]
O Ministério do Transporte instalou uma sala situacional centralizada e deu prioridade operacional ao Distrito Capital e aos estados de La Guaira, Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón. Segundo o ministério, a Rodovia Pan-Americana, a auto-estrada Caracas–La Guaira e a Auto-estrada de Oriente mantinham-se transitáveis, embora a ligação Morón–Boca de Aroa estivesse limitada a uma faixa.[185] Em 28 de junho, foram reactivados os sistemas do Metro de Caracas, do Metro de Valência, do Metro de Maracaibo e do Instituto Nacional de Ferrocarriles del Estado, depois de avaliações às infra-estruturas, vias, túneis e sistemas electromecânicos; o Metro de Los Teques permaneceu suspenso para correcção de falhas identificadas após os sismos.[190][191][172] Após a réplica de 29 de junho, o Metro de Caracas voltou a suspender temporariamente o serviço comercial para realizar novas inspecções de segurança.[192]
No Metro de Los Teques, equipas de obras, manutenção e operações inspeccionaram túneis, estações, viadutos, sistemas eléctricos, saídas de evacuação e o troço entre Alí Primera e Las Adjuntas, realizando igualmente um teste de circulação; a TransMiranda assegurou o transporte de passageiros entre essas duas estações durante as avaliações.[193] O serviço comercial foi reactivado em 2 de julho.[194]
No Ferrocarril Ezequiel Zamora, entre Caracas e os Valles del Tuy, as equipas técnicas descartaram assentamentos ou outras anomalias que comprometessem a integridade estrutural da linha; foram detectadas apenas pequenas infiltrações nos túneis de Tazón e Sabaneta, tratadas como manutenção preventiva. A avaliação incluiu o Edifício 5 das oficinas de Charallave Norte, tendo sido estabelecido um intervalo preventivo de 30 minutos entre comboios; a estação Charallave Sur passou também a receber donativos destinados às famílias afectadas.[195]
Em La Guaira, a estrutura meridional da ponte de San Julián sofreu danos importantes e foi encerrada preventivamente, com o trânsito desviado para a ponte Osorio durante os trabalhos de reabilitação e dragagem.[196] As autoridades anunciaram igualmente inspecções aos viadutos da auto-estrada Caracas–La Guaira, incluindo a ponte de Caraballeda, a Avenida José María España, em Playa Grande, as pontes de La Llanada e La Lucha, bem como o túnel Boquerón I.[197] Em 1 de julho, o Ministério dos Transportes informou que 1 507 trabalhadores estavam destacados na recuperação de infra-estruturas. Num balanço actualizado divulgado em 2 de julho, o ministério afirmou que 58 pontes tinham sido avaliadas; apenas a ponte Sur-Caraballeda 2 continuava encerrada, enquanto as pontes Osorio e Caraballeda I se mantinham operacionais, sujeitas a manutenção preventiva e a trabalhos de dragagem do rio San Julián. A ponte La Lucha, em Catia La Mar, mantinha circulação parcialmente restringida durante a reabilitação.[198][199]
Segundo o mesmo balanço, a auto-estrada Caracas–La Guaira permanecia sob monitorização diária após inspecção de segurança, sem danos detectados nos túneis. Os deslizamentos na estrada velha Caracas–La Guaira e na via entre La Costa e Puerto Maya tinham sido removidos; na estrada para Chuspa e Chirimena, foram identificadas quatro falhas de berma a corrigir.[199][200]
Para assegurar o transporte de socorro, foram mobilizadas 33 unidades de transporte público para rotas hospitalares e eixos de maior procura, incluindo cinco destinadas aos hospitais de Lídice, El Algodonal, Pérez Carreño e El Llanito. No corredor La Guaira–Caracas foram disponibilizados 40 veículos todo-o-terreno e 40 autocarros, enquanto 15 autocarros asseguravam o transporte de equipas internacionais de resgate a partir da Base Aérea El Libertador, em Maracay. Foram ainda mobilizados 40 camiões pesados para o transporte de alimentos e material médico, e a sede do Ipostel acolheu mais de 2 000 pessoas afectadas.[185] Em 26 de junho, o Sistema Integral de Transporte Superficial activou uma rota entre Punta de Mulatos e Catia La Mar, manteve a ligação entre Caribe e Caracas e designou o Terminal de Oriente Antonio José de Sucre, na capital, como centro oficial de recolha de donativos.[201]
No estado de Zúlia, o Aeroporto Internacional La Chinita, em Maracaibo, foi disponibilizado para receber voos e carregamentos de ajuda humanitária, servindo também como ponto logístico ligado ao porto local e ao Panamá.[202] A Copa Airlines prorrogou até 15 de julho o calendário de voos entre a Cidade do Panamá e Valencia.[203] Em 1 de julho, as companhias nacionais retomaram voos comerciais no Aeroporto Internacional José Tadeo Monagas, em Maturín; a Conviasa retomou as operações nesse dia e a Rutaca previa fazê-lo na sexta-feira seguinte.[204]
Impacto em outros países
[editar | editar código]Na Colômbia, o sismo foi sentido em várias cidades, incluindo Bogotá e Bucaramanga, onde ocorreram evacuações preventivas. A Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres informou que não havia ameaça de tsunami para a costa colombiana do Caribe.[7] No Brasil, a imprensa registou relatos de tremor em Manaus. Em Belém e Macapá, moradores evacuaram preventivamente edifícios durante o abalo.[8][9][17]
A 8 de julho, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal actualizou para 100 o número de portugueses e lusodescendentes mortos nos sismos, e para 59 o número de desaparecidos.[205][206] Num balanço anterior, divulgado em 1 de julho, o MNE indicara que 65 das 75 vítimas então confirmadas tinham também nacionalidade venezuelana; entre elas encontravam-se 12 crianças e 63 adultos.[207] Numa compilação publicada pela Agence France-Presse ainda antes deste balanço, Portugal foi indicado como o país com o maior número de vítimas estrangeiras confirmadas.[208] Os consulados portugueses na Venezuela disponibilizaram números telefónicos de emergência para cidadãos portugueses e familiares afectados pelos sismos.[209] O governo português decretou um dia de luto nacional, a ser cumprido a 5 de julho, pelas vítimas dos sismos na Venezuela, em particular, «pelos cidadãos portugueses e luso-descendentes».[210]
Em 30 de junho, um avião KC-390 da Força Aérea Portuguesa aterrou em Figo Maduro com 13 cidadãos portugueses, dois italianos e dois franceses provenientes da Venezuela, sendo o primeiro grupo de portugueses repatriado após os sismos.[211]
Em 2 de julho, o Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol actualizou o balanço para 27 cidadãos espanhóis mortos, 137 desaparecidos e 11 pessoas ainda localizadas sob os escombros. A EFE informou também que 312 pessoas tinham sido evacuadas para Espanha, das quais 244 eram espanholas.[212]
No fim de 27 de junho, um avião Airbus A330 da Força Aérea Espanhola regressou à Base Aérea de Torrejón com 96 repatriados, dos quais 76 eram espanhóis e 20 possuíam outras nacionalidades. Os passageiros foram transportados de Caracas por via terrestre até à Base Aérea El Libertador, em Maracay, devido à suspensão ou ao desvio de voos comerciais após os danos no Aeroporto de Maiquetía.[213]
A Chancelaria da Colômbia informou que, segundo um relatório preliminar, 24 cidadãos colombianos poderiam ter morrido em consequência dos sismos, número que permanecia em verificação em coordenação com as autoridades venezuelanas.[214] Em actualização posterior, o embaixador da Colômbia na Venezuela, Milton Rengifo, informou que a embaixada contabilizava 23 cidadãos colombianos mortos e 60 famílias afectadas. Indicou igualmente que a sede consular em Caracas sofrera danos estruturais.[215]
O Governo do Chile confirmou a morte de quatro cidadãos chilenos nos sismos. Uma das vítimas identificadas, Erika Ramírez Moller, tinha dupla nacionalidade chileno-venezuelana e morreu em La Guaira; o marido foi resgatado com vida após permanecer soterrado durante mais de 30 horas.[216]
Segundo um alto responsável da administração norte-americana, três cidadãos dos Estados Unidos tinham morrido e 12 estavam desaparecidos após os sismos.[3]
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro confirmou a morte de uma cidadã e de um cidadão brasileiros na sequência dos sismos e informou que prestava assistência consular aos respectivos familiares.[217]
Segundo a Embaixada da China em Caracas, oito cidadãos chineses foram confirmados mortos nos sismos até às 17h locais de 27 de junho.[218]
A Itália confirmou a morte de um cidadão ítalo-venezuelano inscrito no AIRE na área de Vargas–La Guaira; uma cidadã ítalo-venezuelana encontrava-se hospitalizada com fracturas.[219]
Assistência internacional
[editar | editar código]Coordenação multilateral
[editar | editar código]Nações Unidas
[editar | editar código]A Organização das Nações Unidas coordenou com as autoridades venezuelanas a chegada de equipas internacionais de busca e salvamento urbano através do Grupo Consultivo Internacional de Operações de Busca e Resgate (INSARAG). Segundo fontes da OCHA citadas pela EFE, estavam mobilizadas ou a caminho 30 equipas estrangeiras, reunindo cerca de 1 600 efectivos e 100 cães de busca.[220] Em 2 de julho, a equipa das Nações Unidas para Avaliação e Coordenação de Catástrofes (UNDAC) informou à EFE que se encontravam no país 53 equipas internacionais de busca e salvamento, reunindo cerca de 3 000 socorristas. Segundo a organização, estas equipas tinham resgatado com vida 12 pessoas durante os seis dias anteriores de operações.[221]
O Programa Mundial de Alimentos lançou um apelo de 50 milhões de dólares para prestar assistência alimentar de emergência a até 500 mil pessoas durante três meses. A agência informou ter distribuído em La Guaira alimentos suficientes para um mês a 1 200 pessoas e instalado centros temporários de alimentação, acrescentando que poderia apoiar até um milhão de pessoas caso obtivesse financiamento suficiente.[118]
A 28 de junho, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estimou que 1,8 milhões de pessoas, entre elas 680 000 crianças, necessitavam de assistência humanitária em consequência dos sismos. A organização informou que uma primeira remessa aérea de 20 toneladas de material médico e de água e saneamento chegara a Valência em 27 de junho; juntamente com uma segunda remessa planeada, os fornecimentos deveriam permitir assistir mais de 100 000 pessoas.[222]
Em 30 de junho, chegou à Venezuela uma remessa da UNICEF com 47 toneladas de ajuda humanitária, incluindo kits de saúde de emergência, materiais para partos seguros, cuidados neonatais e prevenção e tratamento de doenças.[117]
Em 1 de julho, a Organização Pan-Americana da Saúde lançou um apelo de quase 24 milhões de dólares para financiar, durante seis meses, a resposta sanitária e a recuperação precoce na Venezuela. A organização estimou que a iniciativa poderia beneficiar directamente cerca de 700 mil pessoas nos municípios mais afectados, apoiando a continuidade dos serviços de saúde, vigilância epidemiológica, prevenção de surtos, medicamentos, vacinas, saúde mental e água e saneamento.[223]
Outros países e organizações
[editar | editar código]Na noite de 25 de junho e durante a manhã seguinte, começaram a chegar ao país equipas estrangeiras de busca e salvamento. Um contingente da República Dominicana foi o primeiro a alcançar La Guaira; segundo a Reuters, o México enviou 250 socorristas, El Salvador 188 e a Espanha quase uma centena, enquanto uma aeronave colombiana transportava 63 elementos de resgate. A Suíça e a Alemanha também enviaram equipas especializadas e equipamento de busca.[46] Na tarde de 26 de junho, 871 socorristas internacionais já se encontravam no país. Entre os contingentes chegados ou mobilizados estavam equipas do México, El Salvador, Espanha, Colômbia, Estados Unidos, Suíça, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Reino Unido, Qatar, República Checa, Jordânia, Chile e Equador.[46][220]
Em 27 de junho, o Governo venezuelano informou que cerca de 1 600 socorristas estrangeiros já tinham chegado ao país em 17 voos. Segundo a mesma actualização, aguardavam-se mais 25 voos de apoio nas 24 horas seguintes e outros dez países preparavam a participação nas operações de busca e salvamento.[78] Segundo a Organização das Nações Unidas, mais de 2 200 socorristas internacionais já tinham chegado à Venezuela até esse dia. A 28 de junho, Delcy Rodríguez declarou que 24 países tinham enviado 521 toneladas de materiais, 86 equipas cinotécnicas e mais de 2 741 elementos de busca, salvamento e apoio, já integrados nas operações venezuelanas.[96][224] Num balanço divulgado em 29 de junho nas redes sociais, Delcy Rodríguez declarou que a resposta internacional já reunia equipas de 30 países, 3 681 socorristas, 1 086 toneladas de abastecimentos, 27 veículos e 118 cães de busca.[188] Num balanço divulgado em 2 de julho, o Governo venezuelano declarou que estavam mobilizados 4 099 brigadistas estrangeiros, 153 cães de busca e 49 veículos de apoio nas zonas afectadas. Segundo a mesma informação, 17 832 voluntários venezuelanos participavam nas operações de emergência.[32] Em 2 de julho, a chancelaria venezuelana informou que o país já tinha recebido cerca de 2 000 toneladas de ajuda humanitária proveniente de outros países.[51]
Em 28 de junho, o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caraíbas (CAF) anunciou a criação de um fundo multidonante de até 200 milhões de dólares para apoiar a resposta de emergência, a recuperação e a reconstrução após os sismos.[225] Em 30 de junho, a CAF informou que contribuiria com um milhão de dólares como capital inicial do Fundo para a Recuperação e Reconstrução da Venezuela e recordou uma doação de 300 mil dólares em ajuda humanitária anunciada para a emergência.[226]
Em 2 de julho, o Banco Interamericano de Desenvolvimento anunciou um pacote de doações de pelo menos 1 milhão de dólares para assistência humanitária imediata e avaliação dos danos. Segundo o organismo, 350 mil dólares seriam disponibilizados directamente pelo banco, entre 300 mil e 400 mil por contribuições dos países membros e entre 100 mil e 200 mil através de uma campanha interna de trabalhadores; outros 150 mil dólares seriam destinados à avaliação de danos e perdas. A ajuda humanitária seria executada em coordenação com a Cáritas Venezuela e outras organizações multilaterais.[227]
O Papa Leão XIV autorizou uma contribuição inicial de 100 000 euros, canalizada pela Esmolaria Apostólica e pelas estruturas da Igreja Católica na Venezuela, para apoio às comunidades afectadas.[228] A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) destinou igualmente 100 000 euros de ajuda imediata para apoiar sacerdotes, religiosas e famílias afectadas, bem como a avaliação e a posterior recuperação das infra-estruturas eclesiásticas danificadas.[229]
Apoio das Américas
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Estados Unidos
[editar | editar código]Os Estados Unidos mobilizaram equipas de busca e salvamento, recursos médicos e ajuda humanitária por intermédio do Departamento de Estado, envolvendo igualmente o Departamento de Defesa no apoio imediato.[230][231] O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou depois um pacote de ajuda de 150 milhões de dólares. Cinquenta milhões seriam canalizados através de parceiros humanitários no terreno, incluindo a World Vision, a Organização Internacional para as Migrações e o Programa Alimentar Mundial, enquanto os restantes 100 milhões seriam destinados ao fundo comum para a Venezuela gerido pelo OCHA.[232] O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos flexibilizou temporariamente algumas sanções até 23 de outubro de 2026, para permitir transacções relacionadas com a assistência humanitária decorrente dos sismos que, de outro modo, estariam proibidas.[233] Em 27 de junho, um alto responsável do Departamento de Estado dos Estados Unidos indicou que duas equipas norte-americanas de busca e salvamento, de 80 elementos cada, com cães e equipamento pesado, já trabalhavam no país e tinham localizado sobreviventes. Estava igualmente prevista a mobilização de cerca de 250 socorristas civis adicionais. Um navio de transporte da Marinha dos Estados Unidos encontrava-se ao largo da costa venezuelana, preparado para receber sobreviventes evacuados por via aérea, enquanto as forças armadas norte-americanas coordenariam voos de socorro, hospitais móveis e material de emergência.[95][78]

Em 29 de junho, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que a assistência norte-americana à Venezuela superava 300 milhões de dólares, duplicando o compromisso anterior de 150 milhões. Segundo a actualização, os fundos destinavam-se a cuidados médicos de emergência, alimentação, água e saneamento, abrigo, protecção e logística. Os Estados Unidos tinham igualmente destacado quatro equipas urbanas de busca e salvamento, compostas por mais de 300 socorristas e quase 24 cães de busca.[234][188]
Em 30 de junho, o Comando Sul dos Estados Unidos instalou no Aeroporto Internacional Simón Bolívar um centro de coordenação da ajuda humanitária. A operação incluiu uma companhia logística do Corpo de Fuzileiros Navais, meios de transporte e ambulâncias, um ponto avançado de reabastecimento para quase 12 helicópteros, uma unidade médica expedicionária e o navio USS Fort Lauderdale, estacionado no Porto de La Guaira para apoiar a distribuição de ajuda, comunicações e assistência médica.[235]
Em 1 de julho, estavam na Venezuela mais de 900 militares norte-americanos, com cerca de 800 noutros pontos de apoio em Porto Rico e Curaçau. Segundo o comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, Francis Donovan, as forças norte-americanas participaram em buscas e salvamentos, ajudaram a repor as operações do aeroporto e mobilizaram meios aéreos e navais para permitir a entrada de ajuda humanitária. A missão incluía pelo menos quatro ou cinco drones MQ-9 Reaper e uma célula de integração de informações em Miami, para apoiar as autoridades venezuelanas na identificação de vias bloqueadas e edifícios danificados. Os militares também transportaram socorristas civis de Fairfax, que divulgaram o resgate de uma mãe e do seu bebé de nove meses.[236]
Em 2 de julho, a American Airlines entregou no Aeroporto Internacional Simón Bolívar uma doação de 4,1 toneladas de ajuda humanitária, composta por bens essenciais destinados à resposta à emergência.[237]
Outros países
[editar | editar código]O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o envio de uma missão de busca e salvamento integrada por 36 bombeiros especializados, quatro técnicos da Defesa Civil e quatro técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações, acompanhados de nove toneladas de equipamento. Foi igualmente anunciada a expedição posterior de material para um hospital de campanha, cem purificadores de água alimentados por energia solar, medicamentos e material médico para cirurgias.[217][238]
A Colômbia enviou a equipa de busca e salvamento urbano USAR COL-1, composta por mais de 60 elementos, quatro binómios caninos e 12 toneladas de equipamento, para apoiar as operações de busca. As autoridades colombianas indicaram que poderiam enviar apoio adicional de saúde e assistência humanitária conforme as necessidades identificadas pelas autoridades venezuelanas.[44]
O México enviou cinco geradores eléctricos, equipamento de telecomunicações, material da Cruz Vermelha e pessoal médico e técnico.[239] Em 1 de julho, o México enviou um novo contingente de 127 especialistas e sete cães de busca para reforçar as operações de localização e salvamento em edifícios colapsados, elevando para 250 o número total de integrantes da brigada mexicana destacada nas zonas afectadas.[240]
O Chile informou que organizava ajuda humanitária urgente e equipas de resgate.[228] O Ministério da Saúde chileno anunciou igualmente o envio de mais de 30 000 doses de vacinas contra a difteria e o tétano, enquanto uma equipa USAR de bombeiros chilenos foi mobilizada para colaborar nas buscas e na remoção de escombros.[216]
A Argentina enviou 34 elementos de equipas de busca, salvamento e saúde, cinco toneladas de material médico, dois cães de busca e especialistas em análise de água.[239]
O Panamá declarou que mobilizaria elementos do Sistema Nacional de Proteção Civil, enquanto a República Dominicana anunciou o envio de equipas das suas Forças Armadas especializadas em busca, resgate e resposta a emergências.[228]
O Uruguai enviou, em 4 de abril, um primeiro carregamento de 15 toneladas de suprimentos médicos, produtos sanitários e alimentos, transportados por uma aeronave da Força Aérea Uruguaia, com insumos fornecidos conjuntamente pelo governo uruguaio e por diversas organizações da sociedade civil, no âmbito de uma campanha de arrecadação.[241]
Apoio europeu
[editar | editar código]Após pedido formal de Caracas, a União Europeia activou o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia. Oito Estados-membros — Alemanha, Chéquia, Espanha, França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e Portugal — disponibilizaram mais de 520 operacionais.
Portugal mobilizou uma força conjunta de 64 elementos da Unidade Especial de Proteção e Socorro, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e do Instituto Nacional de Emergência Médica, transportada em dois aviões KC-390 da Força Aérea Portuguesa, bem como cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária. A base de operações da missão portuguesa seria instalada em Catia La Mar, no estado de La Guaira.[242][243] Também em 29 de junho, o Governo português anunciou que preparava a mobilização de recursos financeiros para apoiar a resposta humanitária, em articulação com as autoridades venezuelanas e com organizações presentes no terreno.[244]
A Espanha enviou uma equipa de 59 elementos da unidade USAR da Unidade Militar de Emergências, equipada com câmaras, sensores e oito unidades cinotécnicas. No mesmo voo seguiu uma equipa do ERICAM composta por 40 bombeiros especializados em estruturas colapsadas, profissionais do SUMMA 112 e pessoal da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, com material de primeiros socorros e de assistência humanitária.[91] Em 27 de junho, a equipa do ERICAM resgatou com vida uma mulher e os seus dois netos dos escombros de um edifício em La Guaira.[245] No mesmo dia, uma equipa da Unidade Militar de Emergências espanhola resgatou com vida uma pessoa que permanecera cerca de 72 horas sob os escombros na zona residencial de Vistamar, em La Guaira.[246] Em 28 de junho, uma equipa da Unidade Militar de Emergências espanhola retirou com vida uma segunda pessoa de uma zona residencial de Maiquetía, no estado de La Guaira.[247] Em 29 de junho, a Cruz Vermelha Espanhola anunciou que enviaria nessa semana equipamento para instalar uma clínica, provavelmente em La Guaira, destinada a reforçar o hospital de campanha já instalado. A organização informou igualmente que um carregamento de 17 toneladas proveniente do Panamá já tinha chegado ao país e que a Cruz Vermelha Venezuelana recebera mais de 2 000 pedidos de restabelecimento de contacto entre familiares.[248] Em 30 de junho, o Governo espanhol anunciou que o hospital de campanha da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e a equipa START partiriam para a Venezuela em 1 de julho, para reforçar a assistência médica de emergência e o pessoal de socorro já presente no país.[249]
Em 1 de julho, a Espanha enviou o hospital de campanha da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), acompanhado por mais de 40 profissionais de saúde e de emergência. A missão destinava-se a prestar cuidados médicos e apoio logístico, de água, energia e saneamento às populações afectadas.[250]
A França anunciou o envio imediato de 85 socorristas especializados em busca e salvamento e remoção de escombros. Os Países Baixos anunciaram igualmente o envio de uma equipa de resgate e equipamento, enquanto a União Europeia activou o sistema Copernicus para apoiar as operações de resposta.[238] Em 29 de junho, os Países Baixos enviaram de Curaçau para a Venezuela o navio da Marinha neerlandesa HNLMS Groningen, transportando alimentos, reservas de água e uma unidade de tratamento de água destinada a reforçar o abastecimento de água potável nas zonas afectadas.[251]
A Suíça mobilizou uma equipa de 80 especialistas, oito cães de busca e 18 toneladas de material de socorro, que partiu de Zurique em 26 de junho.[252] O Reino Unido anunciou dois milhões de libras esterlinas de ajuda e o envio de uma equipa de busca e salvamento de 68 elementos, incluindo seis cães especializados, equipada com drones para avaliar estruturas colapsadas.[253]
Em 28 de junho, a Agência Federal Alemã de Socorro Técnico (THW) informou que a sua unidade SEEBA, composta por 48 elementos e chegada ao aeroporto de Caracas na madrugada do dia anterior, iniciara buscas por pessoas soterradas. A equipa utilizava equipamentos de localização técnica e cães de busca e salvamento, trabalhando por turnos.[254] A 1 de julho, estava prevista a chegada de dois aviões alemães com 18 toneladas de ajuda, um hospital de campanha e 27 socorristas.[239]
A Itália mobilizou uma equipa médica, o Luxemburgo equipamento de telecomunicações, energia e abrigo, e o sistema Copernicus foi activado para cartografia de emergência.[92] Em 2 de julho, chegou ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar uma remessa de 13,3 toneladas de ajuda humanitária proveniente do Luxemburgo, coordenada com a União Europeia, incluindo um acampamento, uma central eléctrica, 16 geradores, ferramentas e 75 tendas familiares; dois socorristas luxemburgueses juntaram-se igualmente às operações de busca e salvamento.[255]
Em 29 de junho, a Comissão Europeia anunciou que a União Europeia disponibilizaria cinco milhões de euros de ajuda humanitária, destinada ao alojamento e aos cuidados de saúde das comunidades mais afectadas. Anunciou igualmente a organização de uma ponte aérea humanitária, cuja partida de Copenhaga estava prevista para os primeiros dias da semana, transportando cerca de 50 toneladas de materiais de abrigo, equipamento de água e saneamento e material educativo. Segundo a Comissão, 11 Estados-membros e um Estado participante apresentaram ofertas de equipas de busca e salvamento, equipas médicas e apoio de telecomunicações; no total, 14 países da União Europeia já tinham contribuído com meios ou conhecimentos técnicos. O sistema Copernicus já produzira 25 mapas e 13 imagens de 13 zonas de interesse.[256]
Apoio de outros países
[editar | editar código]Em 29 de junho, a China anunciou que enviaria ajuda material de emergência no valor de 100 milhões de yuanes, cerca de 12,8 milhões de euros, para apoiar as operações de salvamento e a reconstrução. Segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, os fornecimentos seriam enviados o mais rapidamente possível.[257] Segundo a embaixada chinesa em Caracas, a assistência material era adicional à ajuda financeira previamente anunciada. A representação diplomática informou também ter fornecido imagens de satélite das áreas afectadas, enquanto empresas e associações chinesas na Venezuela doaram maquinaria de construção, materiais médicos de emergência e equipas de apoio às buscas e salvamento.[258]
Segundo o Ministério venezuelano das Relações Exteriores, a Índia instalou em Caracas um hospital de campanha para atender vítimas dos sismos. Dois aviões C-17 da Força Aérea Indiana transportaram 36 toneladas de material médico e equipamento especializado de resgate; 41 profissionais de saúde foram destacados para operar a instalação.[192]
Reacções
[editar | editar código]Na altura dos sismos, o ex-presidente Nicolás Maduro encontrava-se detido numa prisão federal em Nova Iorque, após ter sido capturado por tropas dos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2026, sendo a presidência interina da Venezuela exercida por Delcy Rodríguez. Uma mensagem atribuída a Maduro e divulgada nas redes sociais apelou à união nacional, à serenidade e à solidariedade, afirmando que o país superaria a catástrofe com fé, disciplina e apoio mútuo.[259][260]
A dirigente da oposição venezuelana María Corina Machado manifestou solidariedade com as famílias afectadas e apelou à unidade. Edmundo González Urrutia, então no exílio, criticou as restrições ao acesso à informação, alegando que dificultavam o contacto de venezuelanos no estrangeiro com os seus familiares no país. Juan Guaidó manifestou igualmente esperança de que as pessoas necessitadas recebessem assistência rapidamente.[259]
Em 28 de junho, o Papa Leão XIV manifestou, durante a oração do Angelus, proximidade às vítimas dos sismos e agradeceu o trabalho dos socorristas e das demais pessoas envolvidas na assistência às comunidades afectadas.[261]
Em 1 de julho, Delcy Rodríguez decretou sete dias de luto nacional, a partir das 18h, em homenagem às vítimas dos sismos de 24 de junho.[50]
Protestos
[editar | editar código]Após os sismos, a resposta do Governo venezuelano foi criticada por moradores das áreas mais afectadas. A Associated Press noticiou que residentes de La Guaira manifestaram frustração e indignação com o nível de resposta nos primeiros dias, antes de as operações se tornarem mais organizadas com a chegada em massa de missões internacionais de salvamento.[262] A Reuters referiu que a demora no destacamento de maquinaria pesada e de equipas de busca e salvamento levou moradores a procurar familiares soterrados com as próprias mãos, pás e cordas.[263]
Durante uma visita de Delcy Rodríguez a um edifício residencial colapsado em Caracas, moradores vaiaram-na e criticaram a resposta governamental à catástrofe.[264] Em 28 de junho, moradores de Tanaguarena, em La Guaira, protestaram contra a falta de apoio às buscas e exigiram que militares presentes no local participassem na remoção dos escombros de um edifício colapsado; segundo a reportagem, os soldados passaram a integrar os trabalhos após o protesto.[265]
Também em El Junquito, a cerca de 33 km a oeste de Caracas, moradores relataram à Reuters escassez de assistência e de presença de autoridades. Alguns desalojados instalaram tendas num campo aberto, junto a edifícios danificados ou colapsados, enquanto agricultores e outros residentes distribuíam bens essenciais à comunidade.[3]
Em 1 de julho, voluntários entrevistados pela Reuters criticaram a lentidão e a insuficiência da resposta estatal em algumas zonas de La Guaira, enquanto representantes governamentais classificaram essas denúncias como desinformação. No mesmo contexto, o Ministério do Interior anunciou a detenção e afastamento de quatro agentes de criminalística do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC), investigados por alegada apropriação de bens encontrados nos escombros. A reportagem registou também testemunhos de residentes segundo os quais outros membros das forças de segurança participaram em operações de socorro.[266]
Ver também
[editar | editar código]Referências
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