Tsunâmi


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Tsunâmi[1][nota 1] (em japonês: 津波 AFI: [t͡sɯᵝnämi],[2] lit. "onda de porto") ou maremoto[nota 2] (do latim: mare, mar + motus, movimento) é uma série de ondas de água causada pelo deslocamento de um grande volume de um corpo de água, como um oceano ou um grande lago. Tsunâmis são uma ocorrência frequente no oceano Pacífico: aproximadamente 195 eventos desse tipo já foram registrados. Devido aos imensos volumes de água e energia envolvidos, tsunâmis podem devastar regiões costeiras.
Sismos, erupções vulcânicas e outras explosões submarinas (detonações de artefatos nucleares no mar), deslizamentos de terra e outros movimentos de massa, impactos e outros distúrbios acima ou abaixo da água têm o potencial para gerar um tsunâmi.
O historiador grego Tucídides foi o primeiro a relacionar um tsunâmi a sismos submarinos,[3][4] mas a compreensão da natureza do tsunâmi permaneceu incipiente até o século XX e ainda é objeto de pesquisa. Muitos textos antigos geológicos, geográficos e oceanográficos referem-se a tsunâmis como ondas sísmicas do mar.
Algumas condições meteorológicas, tais como depressões atmosféricas profundas que provocam ciclones tropicais, podem gerar uma tempestade chamada meteotsunâmi, com a elevação do nível de grande massa de água a vários metros acima do normal. A elevação vem da grande redução da pressão atmosférica no centro da depressão em relação ao seu entorno. Atingindo a costa podem assemelhar-se (embora não o sejam) a tsunâmis, inundando vastas áreas de terra. Uma onda desse tipo inundou a Birmânia (Mianmar), em maio de 2008.
Etimologia
[editar | editar código]O termo "tsunâmi" provém do japonês, através da junção de "porto" (tsu, 津) e "onda" (nami, 波),[5] Embora a versão estrangeira da palavra ainda seja muito usada (caso em que deve ser destacada do texto, seja com aspas, seja colocando-a em itálico), os dois dicionários mais vendidos respectivamente no Brasil e em Portugal, o Dicionário Aurélio e o Dicionário da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico[6] da Porto Editora,[1] já trazem a forma aportuguesada, tsunâmi, acentuada conforme o acordo ortográfico da língua portuguesa.[1]
Características
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As ondas geradas por ventos corriqueiros e ondas de gravidade têm um comprimento de onda (comprimento entre as cristas) de cerca de 100 metros e uma altura de alguns centímetros. Entretanto, um tsunâmi em alto mar tem um comprimento de onda de cerca de 200 km. Essa onda pode viajar a mais de 800 km/h, mas devido ao seu grande comprimento de onda, seu período (intervalo de tempo entre a passagem de uma crista e outra no mesmo local) pode durar de 20 a 30 minutos, e a amplitude de onda pode não passar de um metro.[7] À medida que o tsunâmi se aproxima da costa e as águas se tornam rasas, o empolamento da onda comprime a própria onda e sua velocidade diminui para menos de 80 km/h. Seu comprimento de onda diminui para menos de 20 km e sua amplitude cresce significativamente, produzindo uma onda claramente visível. Com o advento do tsunâmi sobre águas cada vez mais rasas, a velocidade da onda diminui pouco a pouco, podendo desacelerar para menos de 20 quilômetros por hora. Seu comprimento de onda pode diminuir para apenas alguns metros e sua amplitude pode alcançar mais de 10 metros; a altura da onda pode variar dependendo da intensidade do tsunâmi e do relevo da plataforma continental. Exceto para os tsunâmis muito grandes, a onda, ao se aproximar, não quebra, mas assemelha-se a um macaréu de grande velocidade.[8]
O aumento do nível das águas causado pelo tsunâmi é medido em metros acima do nível do mar.[8] Um grande tsunâmi pode apresentar uma sequência de várias ondas que chegam durante um período de minutos a horas, sendo que o tempo entre uma onda e outra pode variar significativamente. A primeira onda a chegar à praia pode não trazer um significativo aumento do nível das águas, pois esta perde energia ao encontrar com águas mais rasas. As ondas subsequentes são beneficiadas pelo aumento do nível do mar, podendo alcançar com mais impacto as regiões costeiras.[9]
Causas
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Um tsunâmi pode ser gerado quando os limites de placas tectônicas convergentes ou destrutivas movem-se abruptamente e deslocam verticalmente a água sobrejacente. É muito improvável que esses movimentos possam formar-se em limites divergentes (construtivo) ou conservativos das placas tectônicas. Isso ocorre porque esses limites em geral não perturbam o deslocamento vertical da coluna de água. Sismos relacionados à zona de subducção geram a maioria dos tsunâmis. Pesquisadores em 2017 descobriram que o movimento horizontal do fundo do mar inclinado durante um terremoto subaquático pode dar a tsunâmis um impulso crítico. Os cientistas assumiam anteriormente que o movimento vertical sozinho contribuía com a maior parte da energia de um tsunâmi.[10][11]
Alarmes, avisos e previsões
[editar | editar código]Regiões com alto risco de tsunâmi normalmente usam sistemas de alerta de tsunâmi para avisar a população antes que a onda alcance a terra. Na costa oeste dos Estados Unidos, que é propensa a tsunâmis no Oceano Pacífico, sinais de alerta indicam rotas de evacuação. No Japão, a comunidade é bem-informada sobre terremotos e tsunâmis, e ao longo da costa japonesa os sinais de alerta de tsunâmi são lembretes dos perigos naturais, juntamente com uma rede de sirenes de alerta, normalmente no topo de penhascos das colinas próximas.[12]
Perturbações ionosféricas
[editar | editar código]Os distúrbios ionosféricos podem ser usados como um sistema de alarme.[13]
A presença precoce (60 minutos antes da chegada do tsunâmi) de TIDs na ionosfera a 10° à frente da frente da onda do tsunâmi os torna um importante observável para a detecção de tsunâmi no campo distante. Pode complementar os sistemas de alerta precoce de tsunâmi existentes a um custo baixo.[14][15][16]
Possível reação animal
[editar | editar código]Alguns zoólogos levantam a hipótese de que algumas espécies de animais têm a capacidade de sentir as ondas subsônicas de Rayleigh de um terremoto ou tsunâmi. Se correto, monitorar seu comportamento pode fornecer um aviso prévio de terremotos e tsunâmis. No entanto, as evidências são controversas e não são amplamente aceitas. Existem afirmações infundadas sobre o terremoto de Lisboa de que alguns animais escaparam para terras mais altas, enquanto muitos outros animais nas mesmas áreas se afogaram. O fenômeno também foi notado por fontes da mídia no Sri Lanka no terremoto de 2004 no Oceano Índico.[17][18]
Tsunâmis históricos
[editar | editar código]Santorini (II milênio a.C.)
[editar | editar código]A erupção minoica, também chamada Erupção de Tera ou Erupção de Santorini, foi uma catastrófica erupção vulcânica pliniana com Índice de Explosividade Vulcânica (IEV) de 6 ou 7 e uma Densidade Lítica Equivalente (DLE) de 60 km³, que se estima ter ocorrido em meados do II milênio a.C., entre 1 650 e 1 450 a.C.[19][20][21][22] A erupção foi um dos maiores eventos vulcânicos na Terra registrados na história. A erupção devastou Santorini, incluindo o assentamento minoico de Acrotíri, bem como as comunidades agrícolas e áreas em ilhas próximas e na costa de Creta.
A erupção parece ter inspirado certos mitos gregos (como a Titanomaquia), da mesma forma que a destruição de Acrotíri quiçá deu a base ou inspirou a história platônica de Atlântida. Outrossim, são creditadas à erupção mudanças climáticas que afetaram culturas na China. A erupção causou tumulto no Egito e um tsunâmi que enfraqueceu os minoicos, que poucos séculos depois, c. 1 420 a.C., foram dominados pelos micênicos.
Santorini é formada por um grupo circular de ilhas que pertencem ao arquipélago das Cíclades. O arquipélago faz parte do arco insular do Egeu, formado pela subducção da placa africana com o sistema de trincheiras marinhas helênicas situadas ao sul de Creta. Estudos geológicos indicam que, ao menos, 12 fases eruptivas ocorreram nos últimos milhões de anos. Pela erupção, Santorini, que era uma grande ilha circular, teve sua topografia alterada (seu planalto central colapsou e gerou a caldeira moderna), bem como surgiram fontes hidrotermais e grandes jazidas minerais (cobre, cobalto, manganês, ferro, zinco, níquel, chumbo).[23] Hoje, Santorini é formado por um arquipélago de três ilhas (Tera, Terásia e Aspronisi) e há Nova e Velha Caméni, formadas sobre a caldeira graças a eventos vulcânicos dos últimos 2000 anos.[24]
Portugal (1755)
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O Sismo de Lisboa de 1755, também conhecido como o Grande Terramoto de Lisboa de 1755 (português europeu) ou Grande Terremoto de Lisboa de 1755 (português brasileiro), atingiu a Península Ibérica e o noroeste de África na manhã de sábado, de 1 de novembro de 1755, Dia de Todos-os-Santos, por volta das 9h40, hora local. Em combinação com os inúmeros incêndios subsequentes e um maremoto (tsunâmi), o sismo causou a destruição quase por completo da cidade de Lisboa e das suas áreas adjacentes, atingindo ainda grande parte de Setúbal, do litoral do Alentejo e do Algarve. Os sismólogos estimam que o sismo de Lisboa teve uma magnitude de 7,7 ou superior na escala da magnitude de momento (Mw), com o seu epicentro no Oceano Atlântico, a cerca de 200 km (110 milhas náuticas; 120 milhas) a oeste-sudoeste do Cabo de São Vicente, um cabo na região do Algarve, e a cerca de 290 km (160 milhas náuticas; 180 milhas) a sudoeste de Lisboa.[25][26][27][28][29][30][31]
Cronologicamente, foi o terceiro sismo de grande escala conhecido a atingir a cidade (após o Sismo de Lisboa de 1356 e o Sismo de Lisboa de 1531). As estimativas apontam para um número de pessoas mortas entre as 30.000 e as 40.000 em Lisboa e entre as 50.000 e as 60.000 no restante território de Portugal. Outras 10.000 pessoas podem ter morrido em Marrocos e 5.000 pessoas em Espanha.[25][26][27][28][29][30][31][32][33][34][35]
O terramoto acentuou as tensões políticas em Portugal, teve um enorme impacto socioeconómico no século XVIII e perturbou profundamente o Império Português. Foi um dos sismos mais mortíferos da História, marcando o que alguns historiadores designam de pré-história da Época Moderna. O evento foi amplamente discutido e analisado pelos filósofos do Iluminismo europeu, como Voltaire, e inspirou importantes desenvolvimentos na teodiceia e na filosofia do sublime. Como o primeiro sismo estudado cientificamente quanto aos seus efeitos numa grande área, levou ao nascimento científico da sismologia moderna e da engenharia sísmica.[25][26][27][28][29][30][31][32][33][34][35]
Krakatoa (1883)
[editar | editar código]A ilha-vulcão de Krakatoa, na Indonésia, explodiu com fúria devastadora em 1883. Várias ondas-tsunâmis geraram-se a partir da explosão, algumas atingindo os 40 metros acima do nível do mar. Foram observadas ao longo do Oceano Índico e Pacífico, na costa ocidental dos Estados Unidos, América do Sul, e mesmo perto do Canal da Mancha. Nas costas das ilhas de Java e Sumatra, a inundação entrou vários quilômetros adentro, causando inúmeras vítimas, o que influenciou a desistência da população em reabitar a costa, e subsequente êxodo para a selva. Atualmente, esta zona é designada por reserva natural Ujung Kulon. O vulcão se desintegrou totalmente e, desde 1927, no mesmo local do Krakatoa, surgiu o Anak Krakatau (filho de Krakatoa), que cresce cerca de cinco metros por ano, hoje alcançando 800 metros de altura e frequentemente ativo.[36]
Chile (1960)
[editar | editar código]Sismo de Valdivia de 1960, ou Grande Sismo do Chile (designado oficialmente Grande Terremoto de Valdivia de 1960), foi um sismo de magnitude de 9,5 MW[37] com epicentro próximo a Lumaco, província de Malleco, Região de Araucanía, ocorrido às 19h11 UTC (15h11 no horário local)[38] do dia 22 de maio de 1960. O epicentro foi 160km de Valdivia e a 570 km ao sul de Santiago com o hipocentro situado a uma profundidade de 33 km, sendo o mais violento sismo já registrado cientificamente. O sismo atingiu o grau 9 da escala Richter — uma magnitude considerada "Excepcional" — e uma intensidade XII na escala de Mercalli, o último grau da escala que corresponde à 'destruição total da paisagem' (Cataclismo).[39]
O sismo foi sentido em diferentes partes da Terra e produziu um tsunami que afetou diversas localidades ao largo do Oceano Pacífico, como Havaí e Japão e a erupção do vulcão Puyehue. Cerca de 5 700 pessoas perderam a vida e mais de 2 milhões ficaram feridas por causa desta catástrofe. Tsunamis produzidos pelo tremor causaram 62 mortes no Havaí e 31 nas Filipinas nas horas seguintes, e réplicas do primeiro abalo puderam ser sentidas por mais de um ano.[39] Os estragos chegaram a ameaçar seriamente a realização da Copa do Mundo FIFA de 1962, já programada para ocorrer no país.[40][41]
O número de vítimas e os prejuízos deste desastre nunca foram conhecidos com precisão. Diversas estimativas quanto ao número total de mortes diretamente associadas ao sismo e tsunamis foram publicadas, com a USGS a citar estudos e números de 2 231, 3 000, ou 5 700 mortes,[42] enquanto outras fontes usam estimativas de 6 000 mortes.[43] Várias fontes estimam o custo monetário entre 400 milhões e 800 milhões de dólares norte-americanos[42] (equivalentes a 2,9 e 5,8 bilhões de dólares aos custos de 2010, corrigidos pelo efeito da inflação).
Alasca (1964)
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O Sismo do Alasca de 1964, também conhecido como Grande Terremoto do Alasca, ocorreu no dia 27 de março daquele ano.[44] Por todo o centro-sul do Alasca, nos Estados Unidos, fissuras surgiram no solo, estruturas entraram em colapso e tsunamis resultantes do terremoto causaram cerca de 139 mortes.[45]
Com duração de quatro minutos e trinta e oito segundos, foi o mais forte terremoto já registrado na história da América do Norte (9,2 Mw[46]) e o segundo mais forte já registrado no mundo, só ficando atrás do Sismo de Valdívia de 1960, no Chile.[47] Na Enseada do Príncipe Guilherme, Porto Valdez sofreu um enorme deslizamento submarino, que resultou na morte de 30 pessoas e destruiu o porto e as docas da cidade, além dos navios que estavam atracados ali naquele momento. Perto dali, um tsunami de 8,2 metros destruiu a aldeia de Chenega, matando 23 das 68 pessoas que viviam ali; os sobreviventes foram para áreas elevadas. Os tsunamis pós-terremoto afetaram severamente Whittier (Alasca), Seward, Kodiak e outras comunidades do Alasca, além da população de Colúmbia Britânica, Washington, Oregon e Califórnia.[48] Tsunamis também causaram danos no Havaí e no Japão.
Depois daquela data, nenhum outro terremoto de magnitude superior foi registrado. Por outro lado, o sismo do Alasca permitiu comprovar que os abalos sísmicos estão diretamente relacionados à movimentação das placas tectônicas - até aquela época, pouco se compreendia sobre a origem dos terremotos.[49]
Japão (1993)
[editar | editar código]Um devastador tsunâmi ocorreu na costa da ilha de Hokkaido, no Japão em 12 de Julho de 1993, como resultado de um terremoto, resultando na morte de 202 pessoas na ilha de Okushiri e no desaparecimento de um número indeterminado. Muitas cidades ao redor do Oceano Pacífico, principalmente no Japão e Havaí, possuem sistemas de alerta e evacuação em caso da ocorrência de tsunâmis. Os tsunâmis de origem vulcânica ou tectónica podem ser previstos pelos institutos sismológicos e o seu avanço pode ser monitorizado por satélites.[50]
Oceano Índico (2004)
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O sismo e tsunami do Oceano Índico de 2004 foi um terremoto/sismo submarino que ocorreu às 00h58min53 UTC de 26 de dezembro de 2004, com epicentro na costa oeste de Sumatra, na Indonésia. O tremor é conhecido pela comunidade científica como sismo de Sumatra-Andamão.[51][52]
O maremoto foi causado por uma subducção que desencadeou uma série de tsunamis devastadores ao longo das costas da maioria dos continentes banhados pelo Oceano Índico, o que causou a morte de estimadas 227 898 pessoas em 14 países diferentes e inundou comunidades costeiras com ondas de até 30 metros de altura.[53] Foi um dos mais mortais desastres naturais da história. Em número de vítimas, a Indonésia foi o país mais atingido, seguida por Sri Lanka, Índia e Tailândia.
Com uma magnitude entre 9,1 e 9,3, foi o maior terremoto já registrado em um sismógrafo. Este sismo teve a maior duração de falha já observada, entre 8,3 e 10 minutos. Isso fez com que o planeta inteiro vibrasse em um centímetro[54] e deu origem a outros terremotos em pontos muito distantes do epicentro, como o Alasca, nos Estados Unidos.[55] Seu hipocentro foi a cerca de 30 km de profundidade e o epicentro situou-se entre Simeulue e Samatra.[56]
Samoa (2009)
[editar | editar código]O sismo de Samoa de 2009 foi um sismo de magnitude 8,3 que afetou as Ilhas Samoa às 6h 48min 11s, hora local, de 29 de setembro de 2009 (17:48:11 UTC).[57]
O tremor gerou três tsunamis separados, dos quais o maior se elevou 1,6 m acima do nível do mar e foi registado com uma altura de 76 mm no ponto do epicentro. O epicentro fica próximo da Zona de subducção de Kermadec-Tonga no chamado «anel de fogo do Pacífico», onde as placas tectónicas se unem e é comum a atividade vulcânica e sísmica.
Japão (2011)
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Sismo e tsunâmi de Tohoku de 2011 ou sismo e tsunâmi de Sendai (designado oficialmente Grande Terremoto do Leste do Japão[58][59]) foi um sismo de magnitude de 9,1 MW[60] com epicentro ao largo da costa do Japão ocorrido às 14h46 JTC (02h46 no horário de Brasília) do dia 11 de março de 2011. O epicentro foi a 130 km da costa leste da península de Oshika, na região de Tohoku, com o hipocentro situado a uma profundidade de 24,4 km. O sismo atingiu o grau 7 — a magnitude máxima da escala de intensidade sísmica da Agência Meteorológica do Japão — ao norte da Prefeitura de Miyagi, grau 6 em outras prefeituras e 5 em Tóquio.[61][62]
O sismo provocou alertas de tsunâmi e evacuações na linha costeira japonesa do Pacífico e em pelo menos 20 países, incluindo toda a costa do Pacífico da América do Norte e América do Sul. Provocou também ondas de tsunâmi de mais de 10 m de altura, que atingiram o Japão e diversos outros países. No Japão, as ondas percorreram mais de 10 km de terra.[63][64][65]
De acordo com as autoridades, houve 19 759 mortes confirmadas e mais de 2 500 pessoas ainda desaparecidos.[66] O sismo causou danos substanciais ao Japão, incluindo a destruição de rodovias e linhas ferroviárias, assim como incêndios em várias regiões, e o rompimento de uma barragem. Aproximadamente 4,4 milhões de habitantes no nordeste do Japão ficaram sem energia elétrica, e 1,4 milhão sem água.[67] Muitos geradores deixaram de funcionar e pelo menos dois reatores nucleares foram danificados, o que levou à evacuação imediata das regiões atingidas enquanto um estado de emergência era estabelecido. A Central Nuclear de Fukushima I sofreu uma explosão aproximadamente 24 horas depois do primeiro sismo, e apesar do colapso da contenção de concreto da construção, a integridade do núcleo interno não teria sido comprometida.[68][69]
Terremotos ocorrem quase que diariamente no Japão, que se localiza na junção de várias placas tectônicas que estão em constante movimentoː[70] do Pacífico, norte-americana, Eurasiática e das Filipinas. Contudo, estima-se que a magnitude do sismo de Sendai faça deste o maior sismo já registrado no Japão e um dos sete maiores do mundo desde que os registros modernos começaram a ser compilados.[71][72][73][74]
Ilhas Salomão (2013)
[editar | editar código]Ocorreu na quarta-feira (horário local) com um terremoto de 8,0 graus na Escala Richter. Teve um epicentro de até 1 metro, deixando 9 pessoas mortas, entre elas uma criança do sexo masculino e quatro idosos. Logo depois, um dia após o tsunâmi, vários terremotos atingiram as Ilhas Salomão, com riscos de grandes tsunâmis. O último tremor de 6,1 graus ocorreu às 19h30 locais (06h03, horário de Brasília) a 10 km de profundidade e a 314 quilômetros da cidade de Kirakira.
Outros tsunâmis históricos
[editar | editar código]| Data | Magnitude | Alt. máx. | Mortes | Local |
|---|---|---|---|---|
| 2 de setembro de 1992 | 7,2 | 10 m | 170 | Nicarágua |
| 12 de dezembro de 1992 | 7,5 | 26 m | 1 000 | Ilha de Flores, Indonésia |
| 12 de julho de 1993 | 7,6 | 30 m | 200 | Hokkaido, Japão |
| 2 de junho de 1994 | 7,2 | 14 m | 220 | Java, Indonésia |
| 4 de outubro de 1994 | 8,1 | 11 m | 11 | Ilhas Curilas |
| 14 de Novembro de 1994 | 7,1 | 7 m | 70 | Mindoro, Filipinas |
| 21 de fevereiro de 1996 | 7,5 | 5 m | 12 | Peru |
| 17 de julho de 1998 | 7,0 | 15 m | 2 000 | Nova Guiné |
| 23 de junho de 2001 | 8,3 | 5 m | 50 | Peru |
| Oceano Índico 26 de dezembro de 2004 | 9,0 | 10 m | c. 230 000 | Oceano Índico |
| Japão 11 de março de 2011 | 9,0 | 10 m | c. 1 600 | Oceano Pacífico |
Outros tsunâmis ocorridos incluem os seguintes:
- Um dos piores desastres com tsunâmis arrasou vilas inteiras ao longo de Sanriku, Japão, em 1896. Uma onda com uma altura de mais de sete andares afogou 26 mil pessoas. Mais de trinta mil pessoas morreram em Java durante um tsunâmi causado por uma erupção vulcânica no ano de 1883, quando a pequena ilha vizinha de Krakatoa explodiu seu vulcão interior.
Ameaças futuras
[editar | editar código]Cumbre Vieja
[editar | editar código]Em 2001, cientistas previram que uma futura erupção do instável vulcão Cumbre Vieja em La Palma (uma ilha das Ilhas Canárias) poderia causar um imenso deslizamento de terra para dentro do mar. Nesse potencial deslizamento de terra, a metade oeste da ilha (pesando provavelmente 500 bilhões de toneladas) iria catastroficamente deslizar para dentro do oceano. Esse deslizamento causaria uma megatsunâmi de cem metros que devastaria a costa noroeste da África, com um tsunâmi de trinta a cinquenta metros alcançando a costa leste da América do Norte muitas horas depois, causando devastação costeira em massa e a morte de prováveis milhões de pessoas. Especula-se também acerca da possibilidade de tal cataclismo atingir a costa norte brasileira, fato que desperta a preocupação de algumas autoridades, tendo em vista a inexistência de qualquer mecanismo de prevenção de tsunâmis no Brasil.[75][76]
Ver também
[editar | editar código]Notas e referências
Notas
- ↑ Embora a versão estrangeira da palavra ainda seja muito usada (caso em que deve ser destacada do texto, seja com aspas, seja colocando-a em itálico), os dois dicionários mais vendidos respectivamente no Brasil e em Portugal, o Dicionário Aurélio e o Dicionário da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico , da Porto Editora, já trazem a forma aportuguesada, tsunâmi, acentuada conforme o acordo ortográfico da língua portuguesa.
- ↑ Alguns autores defendem que o termo tsunami é um estrangeirismo desnecessário, dado que significaria o mesmo que a forma "maremoto", já existente em português há séculos. É o caso do dicionário Priberam (Portugal). Já os dicionário da Porto Editora (Portugal) e os brasileiros Dicionário Houaiss e Dicionário Aurélio atribuem sentido diferente aos dois fenômenos: os maremotos seriam qualquer movimentação anômala do mar proveniente de um terremoto (em terra firme próxima, ou mesmo abaixo do oceano), ou mesmo por outros fatores, enquanto os tsunâmis seriam as ondas provocadas por um maremoto — especificamente, no caso, só as ondas que atingem alguma área continental, provocando efeitos sobre a superfície terrestre.
Referências
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- ↑ Thucydides: “A History of the Peloponnesian War”, 3.89.1–4
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- ↑ [a. Jap. tsunami, tunami, f. tsu harbour + nami waves.—Oxford English Dictionary]
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Bibliografia
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Ligações externas
[editar | editar código]- Tsunami alert page (in English) from Japan Meteorological Agency
- NOAA Centre – National Oceanic and Atmospheric Administration
- Caribbean Tsunami Information Centre (CTIC)
- Recent and Historical Tsunami Events and Relevant Data – Pacific Marine Environmental Laboratory
- IOC Tsunami Glossary – International Tsunami Information Center (UNESCO)

