Suêd Haidar
Suêd Haidar | |
|---|---|
| Presidente nacional do Democrata | |
| Período | 2015–atualidade |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Suêd Haidar Nogueira |
| Nascimento | 30 de novembro de 1958 (67 anos) São Luís Gonzaga do Maranhão, Maranhão |
| Nacionalidade | brasileira |
| Partido | Democrata (2015-presente) |
| Ocupação | empresária |
Suêd Haidar Nogueira (São Luís Gonzaga do Maranhão, 30 de novembro de 1958) é uma empresária e política brasileira. É fundadora do Partido da Mulher Brasileira (PMB), legenda que posteriormente passou a se chamar Democrata, e sua presidente nacional.[1] Em 2025, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou a alteração da denominação do PMB para Democrata, mantendo o número eleitoral 35.[2]
Biografia
[editar | editar código]Suêd Haidar nasceu em São Luís Gonzaga do Maranhão, no Maranhão, em uma família de origem humilde. Segundo relatos biográficos publicados sobre sua trajetória, durante a infância trabalhou em atividades como quebra de coco, coleta de caranguejos, captura de camarões e em uma pedreira.[3] Em relato posteriormente reproduzido por publicação dedicada à história do PMB, afirmou que trabalhava em uma pedreira com um irmão e recebia remuneração inferior à dele apesar de, segundo seu relato, quebrar a mesma quantidade de pedras.[4]
Em 1977, mudou-se para o Rio de Janeiro. Segundo sua própria biografia divulgada pelo PMB, chegou à cidade grávida de oito meses para visitar a mãe, que trabalhava como empregada doméstica, e permaneceu no estado. Seu primeiro trabalho no Rio de Janeiro foi como faxineira.[3] Posteriormente, trabalhou como camelô e passou a desenvolver atividades comunitárias na Zona Norte do Rio de Janeiro.[5]
Em Costa Barros, bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, criou a Creche Santa Clara, voltada ao atendimento de crianças da região.[6] Segundo relato divulgado pelo PMB, a iniciativa surgiu após Haidar perceber as dificuldades enfrentadas por mulheres do bairro para trabalhar sem dispor de local para deixar os filhos.[3]
Em 2022, a Agência Senado registrou que Haidar havia concluído o ensino médio e morava no Rio de Janeiro havia 45 anos. A publicação também a identificou como fundadora da Creche Santa Clara e presidente nacional do PMB.[5]
Trajetória política
[editar | editar código]Suêd Haidar participou da organização do Partido Democrático Trabalhista (PDT) durante o processo de criação da legenda liderada por Leonel Brizola, no final da década de 1970. Posteriormente, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB).[7]
Em 2010, foi lançada como pré-candidata ao Senado Federal pelo PCdoB, mas a candidatura não chegou a ser formalizada.[8] Segundo relato atribuído a Haidar, a experiência contribuiu para sua decisão de organizar uma nova legenda.[4]
Partido da Mulher Brasileira
[editar | editar código]Em 2008, Suêd Haidar iniciou a organização do Partido da Mulher Brasileira. Segundo declaração dada por ela ao Senado Federal, a criação do partido foi motivada pela defesa de uma maior participação das mulheres na política partidária.[9]
O processo de criação da legenda se estendeu por vários anos. Em 29 de setembro de 2015, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral aprovou, por unanimidade, o registro do estatuto e do órgão nacional do PMB. A legenda tornou-se a 35.ª agremiação partidária com registro deferido pelo TSE naquele momento.[10]
Haidar permaneceu à frente da direção nacional do partido. Em 2015, classificou o PMB como uma legenda de centro-esquerda e afirmou que seu objetivo era ampliar a participação feminina na política.[7] Apesar da denominação, declarou que o partido não era feminista, mas "feminino", e afirmou que homens poderiam integrar a legenda.[11]
Naquele período, a composição do partido chamou atenção pela presença de parlamentares homens. Em novembro de 2015, sete deputados federais haviam se filiado à legenda, todos homens.[12] Em 2018, o partido lançou 226 homens e 163 mulheres candidatos a cargos legislativos, segundo levantamento publicado pela UOL.[13]
Em relação a questões sociais, Haidar afirmou ser contrária à legalização do aborto e rejeitou a identificação do PMB com o movimento feminista.[11] Em entrevista de 2015, também classificou a legenda como de centro-esquerda.[7]
Candidaturas eleitorais
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Deputada federal em 2018
[editar | editar código]Nas eleições gerais de 2018, Suêd Haidar candidatou-se ao cargo de deputada federal pelo PMB no estado do Rio de Janeiro. Obteve 5.279 votos e não foi eleita.[14]
Prefeita do Rio de Janeiro em 2020
[editar | editar código]Em 2020, Haidar foi candidata à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PMB. Sua candidatura foi oficializada em setembro daquele ano.[15]
Na eleição, obteve 3.833 votos, correspondentes a 0,15% dos votos válidos, e não foi eleita.[16]
Senadora em 2022
[editar | editar código]Em 2022, Suêd Haidar candidatou-se ao Senado Federal pelo PMB no estado do Rio de Janeiro, utilizando o número eleitoral 355. A Agência Senado registrou sua candidatura entre as 13 candidaturas ao Senado pelo estado naquele pleito.[5]
Haidar obteve 11.933 votos, correspondentes a 0,15% dos votos, e terminou a disputa em nono lugar.[17][18]
Vereadora no Rio de Janeiro em 2024
[editar | editar código]Em 2024, Haidar candidatou-se ao cargo de vereadora do Rio de Janeiro pelo PMB. Sua candidatura foi deferida pela Justiça Eleitoral.[19]
Na eleição, obteve 2.576 votos, correspondentes a 0,10% dos votos, e não foi eleita.[20]
Controvérsias
[editar | editar código]Operação Sólon
[editar | editar código]Durante as eleições municipais de 2020, Suêd Haidar e sua então candidata a vice-prefeita, Jéssica Rabello Guimarães, foram alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sólon. A operação investigava suspeitas de lavagem de dinheiro proveniente de uma milícia para financiamento de campanhas eleitorais no Rio de Janeiro.[6]
Jéssica Rabello Guimarães é filha de Natalino Guimarães, que havia sido condenado por participação na milícia conhecida como Liga da Justiça. Segundo o SBT News, as buscas ocorreram nos comitês de campanha das duas candidatas.[6] As candidatas afirmaram estar à disposição da Justiça para o esclarecimento dos fatos.[6]
Recursos de campanha
[editar | editar código]Durante a campanha para a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2020, reportagens baseadas nas prestações de contas eleitorais apontaram que Suêd Haidar recebeu aproximadamente R$ 320 mil em recursos públicos do PMB, valor correspondente a cerca de um quarto dos recursos nacionais de campanha distribuídos pela legenda naquele momento.[21]
Em 2023, levantamento publicado pela Folha de S.Paulo apontou que, na campanha de 2022, quando disputou o Senado, Haidar também recebeu aproximadamente 30% do Fundo Eleitoral distribuído pelo PMB, tendo obtido 0,15% dos votos válidos.[22]
Prestação de contas do PMB
[editar | editar código]Em 2020, o Tribunal Superior Eleitoral desaprovou as contas do Diretório Nacional do PMB referentes ao exercício financeiro de 2015. O Tribunal identificou irregularidades que totalizavam R$ 135,6 mil, correspondentes a 46,62% dos recursos do Fundo Partidário recebidos pelo partido naquele exercício.[23]
Entre as irregularidades apontadas estava a não aplicação do percentual mínimo de recursos do Fundo Partidário destinado a programas de promoção e difusão da participação política das mulheres. O TSE determinou a devolução de valores aos cofres públicos e a suspensão do repasse de cinco cotas do Fundo Partidário, dividida em 12 parcelas.[23]
Suêd Haidar aparece no processo de prestação de contas como uma das responsáveis pela documentação apresentada pelo diretório nacional do partido.[24]
Disputas internas do partido
[editar | editar código]Na condição de presidente nacional do PMB, Suêd Haidar também esteve envolvida em disputas judiciais relacionadas à destituição de órgãos partidários estaduais e municipais.
Em 2024, a presidente da comissão provisória municipal do PMB em Fortaleza impetrou mandado de segurança contra ato de Haidar que havia inativado a comissão às vésperas das eleições municipais. Em 2026, o TSE manteve decisão que reconheceu a nulidade do ato por ausência de observância adequada do contraditório e da ampla defesa.[25]
Também em 2024, houve disputa judicial envolvendo a direção nacional do PMB e o órgão partidário estadual de Goiás. O processo registrou alegação de destituição da comissão provisória estadual por ato atribuído à presidente nacional do partido.[26]
No mesmo período, uma disputa envolvendo a direção nacional e órgãos partidários do PMB no Paraná também chegou ao TSE. O processo tratou de atos de dissolução ou inativação de órgãos partidários municipais atribuídos à direção nacional, tendo Suêd Haidar figurado como autoridade apontada no processo.[27][28]
Posicionamentos e alianças políticas
[editar | editar código]Em 2024, Suêd Haidar representou o PMB no anúncio do apoio da legenda à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) à Prefeitura de São Paulo. A aliança ocorreu apesar de o PMB também abrigar filiados e grupos identificados com posições políticas conservadoras.[29][30]
Na ocasião, Haidar voltou a afirmar que o PMB não era um partido feminista e contestou a associação da legenda ao ex-presidente Jair Bolsonaro.[29]
Mudança do PMB para Democrata
[editar | editar código]A legenda fundada por Suêd Haidar manteve o número eleitoral 35 após a alteração de sua denominação. Em 2 de dezembro de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou parcialmente o pedido de alteração estatutária apresentado pelo Partido da Mulher Brasileira, incluindo a mudança de seu nome para Democrata.[31]
O cadastro do TSE identifica atualmente a legenda como Democrata, número 35, e registra Suêd Haidar Nogueira como presidente nacional.[1] A certidão da Justiça Eleitoral registra a atual comissão executiva nacional com vigência de 6 de maio de 2025 a 5 de maio de 2029.[32]
Desempenho eleitoral
[editar | editar código]| Ano | Eleição | Partido | Cargo | Votos | Resultado | Ref. |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2018 | Geral de 2018 | PMB | Deputada federal | 5 279 | Não eleita | [14] |
| 2020 | Municipal no Rio de Janeiro | PMB | Prefeita | 3 833 | Não eleita | [16] |
| 2022 | Geral de 2022 | PMB | Senadora | 11 933 | Não eleita | [18] |
| 2024 | Municipal no Rio de Janeiro | PMB | Vereadora | 2 576 | Não eleita | [20] |
| 2026 | Presidencial do Brasil | Democrata | Vice-presidente | 16 881 | Não eleita | [33] |
Referências
- 1 2 «Partidos políticos registrados no TSE». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 2 de agosto de 2026
- ↑ «Democrata». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- 1 2 3 «Suêd Haidar Nogueira - Uma História de Luta». Partido da Mulher Brasileira. 4 de junho de 2016. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- 1 2 «História do PMB: o partido das mulheres antifeministas». FAPESP na Mídia. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- 1 2 3 «Estado do Rio de Janeiro tem 13 candidaturas ao Senado». Senado Notícias. 26 de agosto de 2022. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 9 de agosto de 2026
- 1 2 3 4 Bárbara Schneider (14 de novembro de 2020). «Saiba quem é Suêd Haidar (PMB)». SBT News. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- 1 2 3 «"Não somos feministas", diz a presidente do Partido da Mulher Brasileira». Época. 9 de outubro de 2015. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 25 de novembro de 2025
- ↑ «Partido da Mulher Brasileira não levanta a bandeira feminista». Diário de Pernambuco. 18 de dezembro de 2015. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 9 de agosto de 2026
- ↑ «Novos partidos em formação». Senado Federal. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- ↑ «Plenário do TSE aprova registro do Partido da Mulher Brasileira». Tribunal Superior Eleitoral. 29 de setembro de 2015. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 11 de outubro de 2026
- 1 2 «Partido da Mulher Brasileira não levanta a bandeira feminista». Agência Pública. 17 de dezembro de 2015. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 6 de agosto de 2026
- ↑ Ricardo Della Coletta (18 de novembro de 2015). «Os sete homens do Partido da Mulher Brasileira». Época. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- ↑ «Partido da Mulher Brasileira tem líderes homens e miliciano como candidato». UOL. 5 de setembro de 2019. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- 1 2 «Apuração das eleições de 2018 no estado do Rio de Janeiro». UOL. 7 de outubro de 2018. Consultado em 8 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- ↑ «PMB oficializa Suêd Haidar para ser candidata a prefeita do Rio». R7. 12 de setembro de 2020. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 12 de maio de 2021
- 1 2 «Rio de Janeiro/RJ - Eleição 2020». UOL. 15 de novembro de 2020. Consultado em 8 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 12 de agosto de 2025
- ↑ «Estado do Rio de Janeiro tem 13 candidaturas ao Senado». Senado Notícias. 26 de agosto de 2022. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 9 de agosto de 2026
- 1 2 «Apuração e resultado das eleições no 1º turno no Rio de Janeiro». UOL. 2 de outubro de 2022. Consultado em 8 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 6 de junho de 2026
- ↑ «Eleições 2024: Suêd Haidar (PMB)». Folha de S.Paulo. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- 1 2 «Apuração 2024 Rio de Janeiro - RJ: Prefeitos e Vereadores». Folha de S.Paulo. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- ↑ «Verba pública de campanha se concentra na mão de apenas 2% dos candidatos». Folha de S.Paulo. 14 de novembro de 2020. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- ↑ «Cota para mulheres é desrespeitada por todos os partidos». Folha de S.Paulo. 15 de maio de 2023. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- 1 2 «Desaprovadas as contas de 2015 do Diretório Nacional do Partido da Mulher Brasileira». Tribunal Superior Eleitoral. 5 de novembro de 2020. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 11 de outubro de 2026
- ↑ «Tribunal Superior Eleitoral - Prestação de Contas nº 0000170-07.2016.6.00.0000». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 7 de agosto de 2026
- ↑ «Tribunal Superior Eleitoral - Mandado de Segurança Cível nº 0613088-13.2024.6.00.0000». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 7 de agosto de 2026
- ↑ «Tribunal Superior Eleitoral - Mandado de Segurança Cível nº 0600061-60.2024.6.00.0000». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 7 de agosto de 2026
- ↑ «Quem é Cristina Graeml, candidata a prefeita de Curitiba». Paraná Portal. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 11 de outubro de 2026
- ↑ «Tribunal Superior Eleitoral - Mandado de Segurança Cível nº 0600531-47.2024.6.16.0000». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 7 de agosto de 2026
- 1 2 «Boulos se alia a partido que 'namorou' Bolsonaro, abriga Weintraub e refuta bandeira feminista». Folha de S.Paulo. 23 de maio de 2024. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- ↑ «Boulos sela aliança com PMB, partido pelo qual Weintraub queria sair candidato em SP». UOL. 23 de maio de 2024. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 10 de julho de 2024
- ↑ «RPP nº 1554-73.2014.6.00.0000 - Partido da Mulher Brasileira» (PDF). Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 9 de agosto de 2026
- ↑ «Certidão da composição - Comissão Executiva Nacional do Democrata». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 7 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 11 de outubro de 2026
- ↑ Tribunal Superior Eleitoral. «Resultados das Eleições 2026 – Presidente da República – 1º turno». Tribunal Superior Eleitoral. 4 de outubro de 2026. Consultado em 30 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 30 de outubro de 2026